Vimalakirti Nirdesa Sutra

Tradução da versão inglesa de Robert A. F. Thurman




    Conteúdo

1. Purificação do campo-Buddha

2. Inconcebível Habilidade na Técnica de Libertação

3. A relutância dos discípulos em visitar Vimalakirti

4. A relutância dos Bodhisattvas

5. A consolação do doente

6. A libertação inconcebível

7. A deusa

8. A família dos Tathagatas

9. A porta do Dharma da não dualidade

10. O banquete trazido pela encarnação emanada

11. Lição do destrutível e do indestrutível

12. Visão do Universo Abhirati e do Tathagata Aksobhya

Epílogo





1. Purificação do campo-Buddha

Reverencia a todos os Buddhas, Bodhisattvas, Aryasravakas, e Pratyekabuddhas, do passado, presente e futuro.

Assim eu ouvi:

Uma vez o Senhor Buddha estava residindo no jardim de Amrapali, na cidade de Vaisali, acompanhado por uma grande assembleia de Bhikkus que eram oito mil, todos santos. Eles estavam livres das impurezas das aflições, e todos tinham alcançado a auto maestria. Suas mentes estavam completamente libertas pelo conhecimento perfeito. Eram calmos e dignos, como elefantes reais. Tinham completado o seu trabalho, feito o que deviam fazer, expulso os seus fardos, alcançado os seus objectivos, e destruído totalmente as amarras da existência. Todos eles tinham alcançado a perfeição suprema, nas formas do controle da mente.

Os bodhisattvas eram 32.000, grandes heróis espirituais que foram aclamados universalmente. Eles eram dedicados através da actividade penetrante dos seus grandes super conhecimentos, e eram apoiados pela graça do Buddha. Guardiães da cidade do Dharma, eles apoiavam a verdadeira doutrina, e os grandes ensinamentos ecoavam como o rugido do leão através das dez direcções.

Sem ter que lhes pedir, eles eram os benfeitores naturais de todos os seres vivos. Mantinham sem interrupção a sucessão das Três Jóias, conquistando os demónios e os inimigos e vencendo todas as críticas.

Suas capacidades mentais, inteligência, realização, meditação, encantamento e eloquência eram todas perfeitas. Tinham alcançado a tolerância intuitiva da incompreensibilidade suprema de todas as coisas. Eles giravam a irreversível roda do Dharma. Estavam estampados com a insígnia da não marcabilidade. Eram peritos no conhecimento das faculdades espirituais de todos os seres vivos. Eram valentes com a convicção que intimidavam todas as assembleias. Tinham reunido grandes reservas de mérito e de sabedoria, e seus corpos, formosos e sem ornamentos, estavam adornados com todos os auspiciosos sinais e marcas.

Eles eram exaltados na fama e gloria, como o pico elevado do Monte Sumeru. Suas elevadas decisões tão duras como o diamante, inquebrantáveis na sua fé no Buddha, Dharma e Sangha; eles banhavam-se da chuva da ambrosia que é libertada dos raios de luz do Dharma, o qual brilha em todos os lugares.

Suas vozes eram perfeitas em dicção, ressonância e versáteis na fala de todos os idiomas. Eles tinham penetrado o principio profundo da relatividade e tinham destruído a persistência dos instintivos hábitos mentais subjacente a todas as convicções referentes à finitude e infinitude. Falavam sem temor, como leões, soando o trovão do magnifico ensinamento. Inigualáveis, ultrapassavam todos os limites. Eles eram os melhores capitães de viagens nos descobrimentos dos tesouros do Dharma, as reservas de mérito e virtude. Peritos no caminho do Dharma, que é recto, tranquilo, subtil, suave, difícil de ver, e difícil de realizar.

Estavam dotados com a sabedoria que é capaz de compreender os pensamentos dos seres vivos, assim como de suas vindas e idas. Foram consagrados com a virtude da inigualável gnose (conhecimento intuitivo) do Buddha. Com a sua grande decisão, aproximaram-se dos dez poderes, das quatro não temeridades, e das dezoito qualidades especiais do Buddha.

Tinham cruzado o abismo aterrador das más migrações, e ainda assumiam voluntariamente a reencarnação em todas as migrações, pela causa, disciplinando os seres vivos. Grandes Reis da medicina compreendendo todas as moléstias das paixões, eles aplicavam a medicina do Dharma apropriadamente. Eram minas inesgotáveis de virtudes, e glorificavam inumeráveis campos-Buddha com o esplendor dessas virtudes. Conferiam grandes benefícios ao serem vistos, ouvidos, ou ainda ao aproximarem-se. Eram alguém para serem enaltecidos por inumeráveis centenas de milhares de miríades de éons, e ainda não esgotariam o seu poderoso caudal de virtudes.

Estes bodhisattvas eram chamados: Samadarsana, Asamadarsana, Samadhivikurvitaraja, Harmesvara, Dharmaketu, Prabhaketu, Prabhavyuha, Ratnavyuha, Mahavyuha, Pratibhanakuta, Ratnakuta, Ratnapani, Ratnamudrahasta, Nityapralambahasta, Nityotksipthasta, Nityatapta, Nityamuditendriya, Pramodyaraja, Devaraja, Pranidhanapravesaprapta, Prasiddhapratisamvitprapta, Gaganaganja, Ratnolkaparigrhita, Ratnasura, Ratnapriya, Ratnasri, Indrajala, Jaliniprabha, Niralambanadhyana, Prajnakuta, Ratnadatta, Marapramardaka, Vidyuddeva, Vikurvanaraja, Kutanimittasamatikranta, Simhanadanadin, Giryagrapramardiraja, Gandhahastin, Gandhakunjaranaga, Nityodyukta, Aniksiptadhura, Pramati, Sujata, Padmasrigarbha, Padmavyuha, Avalokitesvara, Mahasthamaprapta, Brahmajala, Ratnadandin, Marakarmavijeta, Ksetrasamalamkara, Maniratnacchattra, Suvarnacuda, Manicuda, Maitreia, Manjusrikumarabhuta, e assim por diante, com os restantes trinta e dois mil.

Estavam também ali reunidos dez mil Brahmas, ao lado do seu Brahma principal, Sikhin, que tinha vindo do universo Ashoka com os seus quatro sectores para ver, venerar, e servir o Buddha e para escutar o Dharma da sua própria boca. Estavam ali doze mil Sakras, de vários universos dos quatro sectores. E estavam ali outros poderosos deuses: Brahmas, Sakras, Lokapalas, devas, nagas, yakshas, gandharvas, asuras, garudas, kimnaras,e mahoragas. Finalmente, ali estava a comunidade quádrupla, consistindo de Bhikkhus, Bhikkhunis, laicos e laicas.

O Senhor Buddha, assim rodeado e venerado por essas multidões de muitas centenas de milhares de seres vivos, sentou-se sobre um majestoso trone de leão, e começou a ensinar o Dharma. Dominando todas as multidões, justamente como o Sumeru, o rei das montanhas, surgindo sobre os oceanos, o Senhor Buddha brilhava, irradiava e reluzia sentado sobre o seu magnifico trono de leão.

De seguida, o bodhisattva Licchavi Ratnakara, com quinhentos jovens Licchavi, cada um segurando um precioso pára sol feito de sete tipos diferentes de jóias, vindos da cidade de Vaisali que eles mesmos presentearam no bosque de Amrapali. Cada um aproximou-se do Buddha, inclinou-se diante dos seus pés, circundaram-o em sentido horário sete vezes, pousaram o seu precioso pára sol em oferenda, e retiraram-se para o lado.

Assim que todos estes preciosos pára sois foram pousados, repentinamente, pelo poder milagroso do Senhor, eles foram transformados num simples e precioso dossel tão grande que formou uma coberta para esta galáxia inteira de milhões de mundos. A superfície da galáxia inteira de milhões de mundos foi reflectida no interior do grande dossel precioso, onde o conteúdo total desta galáxia podia ser visto: mansões ilimitadas de sois , luas e corpos estelares; os reinos dos devas, nagas, yakshas, gandharvas, asuras, garudas, kimnaras e mahoragas, assim como os reinos dos quatro Maharajas; o rei das montanhas, Monte Sumeru; Monte Himadri, Monte Mucilinda; Monte Mahamucilinda; Monte Gandhamadana; Monte Ranaparvata; Monte Kalaparvata; Monte Cakravada; Monte Mahacakravada; todos os grandes oceanos, rios, baías, caudais, correntes, riachos e nascentes; finalmente, todas as vilas, subúrbios, cidades, capitais, províncias, desertos. Tudo isto podia ser claramente visto por todos. E as vozes de todos os Buddhas das dez direcções podiam ser ouvidas proclamando os seus ensinamentos do Dharma em todos os mundos, os sons reverberando no espaço debaixo do grande dossel precioso.

Perante esta visão do magnificente milagre simulado pelo poder sobrenatural do Senhor Buddha, a totalidade dos convidados estava em êxtases, arrebatados, assombrados, deleitados, satisfeitos e plenos de admiração e prazer. Todos eles se inclinaram perante o Tathagata, se retiraram para um lado com as palmas juntas, e contemplavam com atenção fixa. O jovem Licchavi Ratnakara ajoelhou-se sobre o seu joelho direito no solo erguendo as suas mãos; as palmas pressionadas juntas em saudação ao Buddha, e louvo-o com o seguinte hino:

Puros são teus olhos, amplos e formosos, como as pétalas de um lotus azul.

Puro é o teu pensamento, tendo descoberto a suprema transcendência de todos os arrebatamentos.

Incomensurável é o oceano das tuas virtudes, a acumulação dos teus bons actos.

Tu afirmas o caminho da paz.

Oh, grande Asceta, obediência a ti!

Guia, domador de homens, nós contemplamos a revelação do teu milagre.

Os maravilhosos e radiantes campos dos Sugatas aparecem diante de nós.

E os teus extensos ensinamentos espirituais, que levam à imortalidade,

Fazem-se ouvir a si mesmos através do espaço inteiro.

Rei do Dharma, tu reges com o Dharma o teu supremo reino do Dharma.

E nisso concedes os tesouros do Dharma sobre todos os seres vivos.

Perito na análise profunda das coisas, ensinas o significado supremo.

Soberano Senhor do Dharma, obediência a ti!

Todas estas coisas surgem, dependente de causas,

E nenhuma delas são existentes ou não inexistentes.

Ali não há nem eu, nem experimentador, nem fazedor,

Além disso, acção boa ou má, perde os seus efeitos.

Tal são os teus ensinamentos.

Oh Shakyamuni, conquistando a poderosa hoste de Mara,

Encontraste paz, imortalidade, e a felicidade da suprema iluminação,

Que não é realizada por ninguém entre os heterodoxos,

Embora eles detenham os seus sentimentos, pensamentos e processos mentais.

Oh, Maravilhoso Rei do Dharma,

Giras-te a roda do Dharma diante de homens e deuses,

Com a sua tripla revolução, seus múltiplas aspectos,

Sua pureza de naturalidade, e sua extrema paz;

E desse modo as Três Jóias foram reveladas.

Aqueles que são bem disciplinados pelo teu precioso Dharma

São livres de imaginações vãs, e sempre profundamente pacíficos.

Supremo doutor, pões fim ao nascimento, decadência, enfermidade e morte.

Incomensurável oceano de virtude, obediência a ti!

Como o Monte Sumeru, tu és inamovível pela honra ou o desprezo.

Amas por igual a os seres morais ou imorais.

Equilibrada na equanimidade, a tua mente é como o céu.

Quem não honraria semelhante jóia preciosa de um ser?

Grande Sábio, em todas estas multidões reunidas aqui,

Quem vê o teu semblante com corações sinceros na fé,

Cada ser sustendo o Vencedor, como se estivesse diante dele

Esta é uma qualidade especial do Buddha.

Embora o Senhor fale com uma só voz,

Os presentes percebem essa mesma voz diferentemente,

E cada um compreende no seu próprio idioma segundo as suas próprias necessidades.

Esta é uma qualidade especial do Buddha.

Do acto do Guia falar numa só voz,

Alguns desenvolvem meramente o instinto para as ensinamentos, outros ganham realização,

E outros ainda encontram a pacificação de todas as suas duvidas.

Esta é uma qualidade especial do Buddha.

Obediência a ti que comandas a força da liderança e dos dez poderes!

Obediência a ti que és destemido, não conhecendo o medo!

Obediência a ti, guia de todos os seres vivos,

Que manifestas plenamente as qualidades especiais!

Obediência a ti que cortas-te a servidão de todas as algemas!

Obediência a ti que, foste mais além, e paraste em terra firme!

Obediência a ti que salvas os seres sofredores!

Obediência a ti que não permaneces nas migrações!

Tu associas-te com os seres vivos, frequentando as suas migrações.

Se bem que a tua mente esteja liberta de todas as migrações.

Assim como o lotus, nascido da lama, não é nela manchado,

Assim o lotus do Buddha preserva a realização da vacuidade.

Tu anulas todos os sinais em todas as coisas em qualquer lugar.

Não estás sujeito a qualquer desejo .

O poder milagroso dos Buddhas é inconcebível.

Inclino-me perante ti, que estás em todo o lado, como o espaço infinito.

Depois o jovem Licchavi Ratnakara, tendo exaltado o Buddha com estes versos, dirigiu-se a ele:

“Senhor, estes quinhentos jovens Licchavis estão verdadeiramente no caminho para a insuperável perfeita iluminação e tem perguntado qual é a purificação do campo-Buddha dos bodhisattvas. Por favor, Senhor, explique-lhes a purificação do campo-Buddha dos bodhisattvas!”

O Buddha deu a sua aprovação ao pedido do jovem Licchavi Ratnakara: “ Bravo, bravo, jovem!

A tua pergunta ao Tathagata acerca da purificação do campo-Buddha é sem dúvida boa. Por conseguinte, jovem, escuta bem e

lembra-te! Explicar-te-ei a purificação do campo-Buddha dos bodhisattvas

“ Muito bem , Senhor ”, replicou Ratnakara e os quinhentos jovens Licchavis, prepararam-se para escutar.

O Buddha disse: “Nobres filhos, um campo-Buddha de bodhisattvas é um campo de seres vivos. Porquê assim? Um bodhisattva abraça um campo-Buddha até à mesma extensão em que ele causa o desenvolvimento dos seres vivos. Ele abraça um campo-Buddha até à mesma extensão em que os seres vivos se tornam disciplinados. Ele abraça um campo-Buddha até à mesma extensão em que, através do acesso a um campo-Buddha, os seres vivos são introduzidos no conhecimento Buddha. Ele abraça um campo-Buddha até à mesma extensão em que, através do acesso a um campo-Buddha, os seres vivos aumentam as suas sagradas faculdades espirituais. Porquê assim ? Nobre filho, um campo-Buddha de bodhisattvas nasce dos objectivos dos seres vivos.

“Por exemplo, Ratnakara, alguém que desejasse construir num espaço vazio, poderia fazê-lo não obstante o facto de não ser possível construir ou adornar qualquer coisa num espaço vazio. Exactamente do mesmo modo, um bodhisattva, que conhece completamente bem, que todas as coisas são como o espaço vazio, que desejasse construir um campo-Buddha com o objectivo de desenvolver os seres vivos, poderia fazê-lo, não obstante o facto de não ser possível construir ou adornar um campo-Buddha num espaço vazio.

“Todavia, Ratnakara, um campo-Buddha de um bodhisattva é um campo de pensamento positivo. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos livres de hipocrisia e engano nascerão no seu campo-Buddha”.

“Nobre filho, um campo-Buddha de bodhisattva é um campo de nobre decisão. Quando ele obtém a iluminação, os seres vivos que tem duas colheitas armazenadas e tiverem plantado as raízes da virtude nascerão no campo-Buddha dele.”

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é um campo de aplicação virtuosa. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que vivem por todos os princípios virtuosos nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é a magnificência da concepção do espírito da iluminação. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que estão actualmente participando no Mahayana nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é um campo de generosidade. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que abandonaram todas as suas possessões nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo de Buddha de bodhisattva é um campo de tolerância. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos com a superioridade da tolerância, disciplina e arrebatamento – portanto, com a beleza dos trinta e dois sinais auspiciosos - nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é um campo de meditação. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que estão uniformemente equilibrados através da plenitude mental e da consciência nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é um campo de sabedoria. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que estão destinados à iluminação nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva consiste de quatro grandezas. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que vivem por amor, compaixão, gozo e imparcialidade, nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva consiste nos quatro meios de unificação. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que estão mantidos juntos por todas as libertações nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é a habilidade nas técnicas da libertação. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos habilidosos em todas as actividades e técnicas de libertação nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva consiste nas trinta e sete ajudas para a iluminação. Os seres vivos que dedicam os seus esforços aos quatro focos da plenitude mental, os quatro esforços correctos, as quatro bases do poder mágico, as cinco faculdades espirituais, as cinco vantagens, os sete factores de iluminação, e os oito ramos do caminho santo, nascerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é a dedicação total da sua mente. Quando ele alcança a iluminação, os ornamentos de todas as virtudes aparecerão no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é a doutrina que erradica as oito adversidades. Quando ele alcança a iluminação, as três más migrações cessarão, e não haverá tais coisas como as oito adversidades no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva consiste na sua observância pessoal dos preceitos básicos e na sua restrição em culpar os outros pelas suas transgressões. Quando ele alcança a iluminação, até a palavra “crime” nunca será mencionada no seu campo-Buddha”.

“Um campo-Buddha de um bodhisattva é a pureza do caminho das dez virtudes. Quando ele alcança a iluminação, os seres vivos que estão seguros numa longa vida, óptimos em saúde, castos em conduta, aperfeiçoados pela fala verdadeira, de fala suave, livres das intrigas divisórias e peritos em reconciliar as facções, iluminando nas suas conversações, livres da inveja, livres da malícia e dotados com pontos de vista perfeitos nascerão no seu campo-Buddha”.

"Assim, nobre filho, tal como a produção do espírito da iluminação do bodhisattva , assim é o seu pensamento positivo. E da mesma maneira que é o seu pensamento positivo, assim é a sua aplicação virtuosa.

"A sua aplicação virtuosa é equivalente à sua forte decisão, a sua forte decisão é equivalente à sua determinação , a sua determinação é equivalente à sua prática e a sua prática é equivalente à sua total dedicação, a sua total dedicação é equivalente à sua técnica de libertação, a sua técnica de libertação é equivalente ao seu desenvolvimento de seres vivos, e o seu desenvolvimento de seres vivos é equivalente à pureza do seu campo-Buddha.

"A pureza do seu campo-Buddha reflecte a pureza dos seres vivos; a pureza dos seres vivos reflecte a pureza do seu conhecimento; a pureza do seu conhecimento reflecte a pureza da sua doutrina; a pureza da sua doutrina reflecte a pureza da sua prática transcendental; e a pureza da sua prática transcendental reflecte a pureza da sua própria mente."

Após isto, magicamente influenciado pelo Buddha, o venerável Shariputra pensou isto: "Se o campo-Buddha só é puro na medida em que a mente do bodhisattva é pura, então, quando o Buddha Shakyamuni estava empenhado na carreira do bodhisattva, a mente dele devia ter sido impura. Caso contrário, como podia este campo-Buddha parecer tão impuro?"

O Buddha, conhecendo telepaticamente o pensamento do venerável Shariputra disse-lhe, "O que pensa você, Shariputra? O sol e a lua são impuros por os cegos de nascença não os verem?"

Shariputra respondeu, "Não, Senhor. Não é assim. É defeito dos cegos de nascença e não do sol e da lua."

O Buddha declarou, "Da mesma maneira, Shariputra, o facto de alguns seres vivos não verem a esplêndida exibição de virtudes do campo-Buddha do Tathagata é devido à própria ignorância deles. Não é a falta do Tathagata. Shariputra, o campo-Buddha do Tathagata é puro, mas você não vê isso."

Então o Brahma Sikhin disse ao venerável Shariputra, "Reverendo Shariputra, não diga que o campo-Buddha do Tathagata é impuro. Reverendo Shariputra, o campo-Buddha do Tathagata é puro. Eu vejo a esplêndida extensão do campo-Buddha do Senhor Shakyamuni como igualmente o esplendor de, por exemplo, os domicílios das divindades mais elevadas."

Então o venerável Shariputra disse ao Brahma Sikhin, "Para mim, Oh Brahma, eu vejo esta grande terra, com os seu altos e baixos, seus espinhos, seus precipícios, seus cumes, e seus abismos, como se estivesse completamente cheia de sujidade."

O Brahma Sikhin respondeu, "O facto de você ver, tal campo-Buddha como este, como se ele fosse tão impuro, reverendo Shariputra, é um sinal seguro que há altos e baixos na sua mente e que o seu pensamento positivo com respeito à gnose Buddha não é puro. Reverendo Shariputra, aqueles cujas mentes são imparciais para com todos os seres vivos e cujos pensamentos positivos da gnose Buddha são puros, vêem este campo-Buddha como perfeitamente puro."

Nesta altura o Senhor tocou o chão deste universo de biliões de mundos galácticos com o dedo grande do seu pé, e de repente foi transformado numa massa enorme de jóias preciosas, uma ordem magnífica de muitas centenas de milhares de agrupamentos de pedras preciosas, até que se assemelhou ao universo do Tathagata Ratnavyuha, chamado Anantagunaratnavyuha. Todos na assembleia inteira se encheram com esta maravilha, percebendo-se a si mesmos como sentados num trono de lotus enfeitados com jóias.

Então, o Buddha disse ao venerável Shariputra, "Shariputra, você vê este esplendor das virtudes do campo-Buddha?"

Shariputra respondeu, "Eu vejo, Senhor! Aqui diante de mim está uma exibição de esplendor como nunca antes escutei ou contemplei!"

O Buddha disse, "Shariputra, este campo-Buddha é sempre assim puro, mas o Tathagata faz ele parecer deteriorado por muitas faltas, para provocar a maturidade dos seres vivos inferiores. Por exemplo, Shariputra, os deuses do céu de Trayastrimsa todos tomam a sua comida de um único recipiente precioso, contudo o néctar que nutre cada um difere de acordo com as diferenças dos méritos que cada um acumulou. Assim Shariputra, os seres vivos nascem no mesmo campo-Buddha vêem o esplendor das virtudes dos campos-Buddha dos Buddhas de acordo com os seus próprios graus de pureza."

Quando este esplendor de beleza das virtudes do campo-Buddha brilhou , oitenta e quatro mil seres conceberam o espírito da inexcedível perfeita iluminação, e os quinhentos jovens de Licchavi que tinham acompanhado o jovem Licchavi Ratnakara, todos atingiram a tolerância da conformidade do supremo não nascimento.

Então, o Senhor retirou o seu poder milagroso e imediatamente o campo-Buddha voltou à sua aparência habitual. Então, homens e deuses que subscreveram o veículo do discípulo pensaram, "Ah! Todas as coisas construídas são impermanentes."

Assim, trinta e dois mil seres vivos purificaram os seus imaculados e não distorcidos, olho do Dharma com respeito a todas as coisas. Os oito mil Bhikkhus foram libertados das suas corrupções mentais, enquanto atingiam o estado da não avidez. E os oitenta e quatro mil seres vivos que eram devotados à grandeza do campo-Buddha, depois de terem entendido que todas as coisas são por natureza criações mágicas, todos conceberam nas suas próprias mentes o espírito do inexcedível, esclarecimento totalmente perfeito.



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2. Inconcebível Habilidade na Técnica de Libertação



Naquele altura, vivia na grande cidade de Vaisali um certo Licchavi, conhecido pelo nome de Vimalakirti. Tendo servido antigos Buddhas, tinha gerado as raízes da virtude, honrando-os e fazendo-lhes oferecimentos . Ele tinha alcançado tolerância assim como também eloquência. Praticou com o grande super conhecimento. Tinha atingido o poder dos encantamentos e do não temor. Tinha conquistado todos os demónios e oponentes. Tinha penetrado o modo profundo do Dharma. Era libertado pela transcendência da sabedoria. Tendo integrado a sua realização com a destreza na técnica de libertação, ele era especialista sabendo os pensamentos e acções dos seres vivos. Sabendo a força ou fraqueza das faculdades deles, e sendo talentoso com eloquência sem rival, ele ensinou o Dharma adequadamente a cada um. Tendo-se aplicado energicamente ao Mahayana, entendeu e realizou as suas tarefas com grande subtileza. Viveu com o comportamento de um Buda, e a sua inteligência superior era tão grande quanto um oceano. Era elogiado, honrado, e recomendado por todos os Buddhas, respeitado por Indra, Brahma, e todos os Lokapalas. Para desenvolver os seres vivos com a sua habilidade na técnica de libertação, ele vivia na grande cidade de Vaisali.

A sua riqueza era inesgotável com a finalidade de sustentar o pobre e o desamparado. Observou uma pura moralidade para proteger o imoral. Manteve tolerância e autocontrole para reconciliar os seres que eram coléricos, cruéis, violentos, e brutais. Brilhou com energia para inspirar as pessoas que eram preguiçosas. Manteve concentração, atenção e meditação para suportar o mentalmente aborrecido. Atingiu decisiva sabedoria para ajudar o tolo.

Ele usava as roupas brancas do leigo, contudo, viveu impecavelmente como um devoto religioso. Viveu em casa, mas permaneceu indiferente ao reino do desejo, o reino do puro assunto, e o reino imaterial. Teve um filho, uma esposa, e criados femininos, todavia manteve sempre continência. Parecia estar cercado por criados, viveu não obstante em solidão. Parecia estar adornado com ornamentos, contudo estava sempre dotado com os sinais e marcas auspiciosas. Parecia comer e beber, contudo sempre se nutria do gosto da meditação. Fez o seu aparecimento nos campos de jogos desportivos e nos casinos, mas o objectivo dele era sempre amadurecer as pessoas que estavam presas ao jogos e que jogavam. Visitou os professores heterodoxos da moda, mas sempre manteve lealdade firme ao Buda. Entendeu as ciências mundanas e transcendentais e as práticas esotéricas, porém sempre obteve prazer nas delícias do Dharma. Misturava-se com todas as multidões, mas era o primeiro de entre todos a ser respeitado.

Para estar em harmonia com as pessoas, associou-se com anciões, com os de meia-idade, e com os jovem, porém sempre falava de harmonia com o Dharma. Ele ocupou-se de todos os tipos de negócios, mas não teve nenhum interesse em lucro ou posses. Para treinar os seres vivos, apareceria em encruzilhadas e cantos da rua e para os proteger participou no governo. Para levar as pessoas do Hinayana a se ocuparem do Mahayana, aparecia entre os ouvintes e professores do Dharma. Para desenvolver as crianças, visitava todas as escolas. Para demonstrar os males do desejo, até mesmo nos bordéis entrava. Para implementar os bêbedos na atenção correcta, entrava em todos os cabarés.

Ele era honrado como homem de negócios, porque entre homens de negócios demonstrou a prioridade do Dharma. Era honrado como proprietário entre proprietários, porque renunciou à agressividade da propriedade. Era honrado como guerreiro entre guerreiros, porque cultivou resistência, determinação, e fortaleza. Era honrado como aristocrata entre aristocratas, porque suprimiu o orgulho, a vaidade, e a arrogância. Era honrado como funcionário entre funcionários, porque regulou as funções do governo de acordo com o Dharma. Era honrado como o príncipe dos príncipes, porque opôs o seu apego aos prazeres reais e ao poder soberano. Ele era honrado como um castrado no harém real, porque ensinou as senhoras jovens de acordo com o Dharma.

Ele era compatível com as pessoas comuns porque apreciava a excelência dos méritos comuns. Era honrado como o Indra entre os Indras porque lhes mostrou a temporalidade do domínio deles. Ele era honrado como um Brahma entre Brahmas porque lhes mostrou a excelência especial da gnose. Ele era honrado como um Lokapala entre Lokapalas porque nutriu o desenvolvimento de todos os seres vivos.

Assim vivia o Licchavi Vimalakirti na grande cidade de Vaisali, dotado com um conhecimento infinito de habilidades em técnicas de libertação.

Naquela altura, à margem desta genuína habilidade em técnicas de libertação, Vimalakirti anunciou que se encontrava doente. Para indagar da sua saúde, o rei, os funcionários, os senhores, os jovens, os aristocratas, os donos das casas, os homens de negócios, a cidade, o país, e milhares de outros seres vivos vieram da grande cidade de Vaisali visitar o enfermo. Quando eles chegaram, Vimalakirti ensinou-lhes o Dharma, começando o seu discurso, da actualidade dos quatro elementos principais:

"Amigos, este corpo é tão impermanente, frágil, desmerecedor de confiança, e fraco.

É tão insubstancial, perecível, de vida curta, doloroso, cheio de doenças, e sujeito a mudanças.

Assim, meus amigos, como este corpo é só um recipiente de muitas enfermidades, os homens sábios não confiam nele.

Este corpo é como uma bola de espuma, incapaz de suportar qualquer pressão.

É como uma bolha de água, não permanecendo muito tempo.

É como uma miragem nascido dos apetites das paixões.

É como o tronco da bananeira, não tendo caroço.

Ai! Este corpo é como uma máquina, uma ligação de ossos e tendões.

É como uma ilusão mágica, consistindo em falsificações.

É como um sonho, sendo uma visão irreal.

É como um reflexo, sendo a imagem de acções anteriores.

É como um eco, sendo dependente dos condicionamentos.

É como uma nuvem, sendo caracterizado pela turbulência e dissolução.

É como um jacto de luz, sendo instável, e se deteriorando a todo momento.

O corpo é sem proprietário, sendo o produto de uma variedade de condições.

"Este corpo é inerte, como a terra;

sem eu, como a água;

sem vida, como o fogo;

impessoal, como o vento; e não substancial como o espaço.

Este corpo é irreal, sendo um arranjo dos quatro elementos principais.

É vazio, não existindo como eu ou como auto possuído.

É inanimado, sendo como as ervas, as árvores, as paredes, os torrões de terra, e as alucinações.

É insensato, sendo dirigido como um moinho de vento.

É imundo, sendo uma aglomeração de pus e excremento.

É falso, estando predestinado a ser quebrado e destruído, apesar de ser ungido e massajado.

É afligido pelas quatrocentas e quatro doenças.

É como um ancião com saúde, constantemente subjugado pela idade.

Sua duração nunca é certa - certo só é o seu fim na morte.

Este corpo é respectivamente uma combinação de agregados, elementos, e sentidos que são comparáveis a assassinos, cobras venenosas, e a uma cidade vazia.

Então, tal corpo deve ser repulsivo para vocês. Você devem desesperarem-se dele e devem estimular a vossa admiração pelo corpo do Tathagata.

"Amigos, o corpo de um Tathagata é o corpo do Dharma, nascido da gnose.

O corpo de um Tathagata nasce do armazenamento de mérito e sabedoria.

Nasce da moralidade, da meditação, da sabedoria, das libertações, e do conhecimento e visão da libertação.

Nasce do amor, compaixão, alegria, e imparcialidade.

Nasce da caridade, disciplina, e autocontrole.

Nasce do caminho das dez virtudes.

Nasce da paciência e bondade.

Nasce das raízes da virtude plantadas por esforços sólidos.

Nasce das concentrações, das libertações, das meditações, e das concentrações.

Nasce da aprendizagem, sabedoria, e técnica de libertação.

Nasce das trinta e sete ajudas e esclarecimentos.

Nasce da quietude mental e análise transcendental.

Nasce dos dez poderes, das quatro não temeridades, e das dezoito qualidades especiais.

Nasce de todas as transcendências.

Nasce das ciências e super conhecimento.

Nasce do abandono de todas as qualidades más, e da colecção de todas as qualidades boas.

Nasce da verdade. Nasce da realidade. Nasce da consciência consciente.

"Amigos, o corpo de um Tathagata nasce de inumeráveis bons trabalhos. Tal corpo deve tornar-se as vossas aspirações, e eliminar as enfermidades das paixões de todos os seres vivos, vocês devem conceber o espírito da inexcedível perfeita iluminação.”

Enquanto o Licchavi Vimalakirti ensinou o Dharma assim os que o tinham vindo indagar sobre a sua doença, muitas centenas de milhares de seres vivos conceberam o espírito da inexcedível perfeita iluminação.”



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3. A relutância dos discípulos em visitar Vimalakirti


Então, o Licchavi Vimalakirti pensou para si mesmo, "Estou doente, deitado na minha cama em dor, contudo o Tathagata, o santo, o Buda perfeitamente realizado, não considera ou tem pena de mim, e não envia ninguém a inquirir sobre a minha doença."

O Senhor soube deste pensando na mente de Vimalakirti e disse ao venerável Shariputra, "Shariputra, vá perguntar pela doença do Licchavi Vimalakirti."

Tendo sido assim enviado, o venerável Shariputra respondeu ao Buda, "Senhor, de facto, estou relutante em ir perguntar ao Licchavi Vimalakirti pela doença dele. Porquê? Eu me lembro que um dia, quando eu estava sentando ao pé de uma árvore na floresta, absorvido em contemplação, o Licchavi Vimalakirti veio ao pé daquela árvore e disse-me, ' Reverendo Shariputra, este não é o modo para você absorver-se em contemplação. Você deve absorver-se em contemplação de forma que, nem o corpo nem a mente apareçam em qualquer lugar no mundo triplo. Você deve absorver-se em contemplação de tal modo que possa manifestar todo o comportamento comum sem abandonar a cessação. Você deve absorver-se em contemplação de tal modo que possa manifestar a natureza de uma pessoa comum sem abandonar a sua natureza espiritual cultivada. Você deve absorver-se em contemplação de forma que a mente não se estabeleça no seu interior nem se oriente na direcção das formas externas. Você deve absorver-se em contemplação de tal modo, que as trinta e sete ajudas para o esclarecimento, sejam manifestadas sem divergência para qualquer convicção. Você deve absorver-se em contemplação de tal modo que fique solto na libertação sem abandonar as paixões que são da competência do mundo.

"Reverendo Shariputra, aqueles que se absorvem neles mesmos, em contemplação deste modo, são declarados pelo Senhor, como estando verdadeiramente absorvidos em contemplação.”

"Senhor, quando eu ouvi este ensinamento, eu não pude responder e permaneci calado. Então, eu estou relutante em ir perguntar àquele bom homem sobre a doença dele."

Então, o Buda disse ao venerável Maha Maudgalyayana, "Maudgalyayana, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele." (Maha é um título que significa "Grande")

Maudgalyayana respondeu, "Senhor, de facto estou relutante em ir ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele. Porquê? Eu me lembro de um dia, quando eu estava ensinando o Dharma aos chefes de família numa praça na grande cidade de Vaisali, o Licchavi Vimalakirti dirigiu-se a mim e disse-me, 'Reverendo Maudgalyayana este não é o modo de ensinar o Dharma aos chefes de família nas suas roupas brancas. O Dharma Deves ser ensinado de acordo com a realidade.

"'Reverendo Maudgalyayana, o Dharma é sem seres vivos, porque está livre do pó dos seres vivos.

É abnegado, porque está livre do pó do desejo.

É inanimado, porque está livre do nascimento e morte.

É sem personalidades, porque dispensa origens passadas e destinos de futuro.

"'O Dharma é paz e pacificação, porque está livre do desejo.

Não se torna um objecto, porque está livre de palavras e letras;

é inexprimível, e transcende todo o movimento de mente.

"'O Dharma é omnipresente, porque é como o espaço infinito.

É sem cor, marca, ou forma, porque está livre de todo o processo.

É sem o conceito "meu," porque está livre da noção habitual de posse.

É sem ideal, porque está livre da mente, pensamento, ou consciência.

É incomparável, porque não tem nenhuma antítese.

É sem presunção de condicionalidade, porque não se conforma às causas.

"'Penetra todas as coisas uniformemente, porque todos estão incluídos no supremo reino.

Adapta-se à realidade por meio do processo da não conformidade.

Habita no limite da realidade, porque é completamente sem flutuação.

Está imóvel, porque é independente dos seis objectos dos sentidos.

É sem vir e ir, porque nunca permanece imóvel.

É abrangido pela vacuidade, é indiscritivelmente sem sinais, está livre de presunção e repúdio, porque é sem desejo.

É sem fundamento e rejeição, sem nascimento ou destruição.

É sem qualquer consciência fundamental, transcendendo os limites do olho, orelha, nariz, língua, corpo e pensamento.

É sem altos e baixos. Habita sem movimento ou actividade.

"'Reverendo Maha Maudgalyayana, como pode haver um ensinamento com respeito a um tal Dharma?

Reverendo Maha Maudgalyayana, até mesmo a expressão para “ensinar o Dharma" é presunçosa, e os que escutam isso escutam presunção.

Reverendo Maudgalyayana onde não há nenhuma palavra presunçosa não à professor do Dharma, ninguém para escutar, e ninguém para entender. É como se uma pessoa ilusória fosse ensinar o Dharma a pessoas ilusórias.

"'Então, deves ensinar o Dharma mantendo a mente nisto. Deves ser adepto com respeito às faculdades espirituais dos seres vivos. Por meio da visão correcta do olho da sabedoria, manifestando a grande compaixão, reconhecendo a actividade benevolente do Buda, purificando as suas intenções, entendendo as expressões definitivas do Dharma, deves ensinar o Dharma para que a continuidade das Três Jóias nunca possa ser interrompida.'

"Senhor, quando Vimalakirti acabou de discursar assim, oitocentos chefes de família na multidão conceberam o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito, e eu estava estupefacto. Então, Senhor, de facto estou relutante em ir a esse homem bom, indagar sobre a doença dele."

Então, o Buda disse ao venerável Maha Kasyapa, "Maha Kasyapa, vá você ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

"Senhor, de facto estou relutante em ir ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele. Porquê? Eu me lembro de um dia, quando eu estava na rua dos pobres mendigando a minha comida, o Licchavi Vimalakirti aproximou-se e disse-me, 'Reverendo Maha Kasyapa, evite as casas dos ricos, e favoreça as casas dos pobres - isto é parcialidade em benevolência. Reverendo Maha Kasyapa, deves enfatizar o facto da igualdade das coisas, e deves procurar esmolas a toda hora com consideração por todos os seres vivos. Deves implorar a comida em consciência da suprema não inexistência da comida. Deves buscar esmolas para eliminar o materialismo dos outros.

Quando entrares numa cidade, Deves lembrar-te da sua actual vacuidade, não obstante, deves proceder assim para desenvolver os homens e mulheres. Deves entrar em casas como entrando na família do Buda. Deves aceitar esmolas não levando nada. Deves ver as formas como um homem cego de nascimento, ouvir os sons como se eles fossem ecos, cheirar os cheiros como se eles fossem ventos, experimentar os gostos sem qualquer discriminação, tocar os tangíveis em consciência da elementar falta de contacto na gnose, e conhecer as coisas com a consciência de uma criatura ilusória. O que é sem substância intrínseca e sem substância concedida não arde. E o que não arde não será extinguido.

"'Idoso Maha Kasyapa, se, equipado (em estado de equilíbrio) nas oito libertações sem transcender as oito perversões, podes entrar na equanimidade da realidade por meio da equanimidade da perversão, e se podes fazer um presente a todos os seres vivos e um oferecimento a todos os santos e Buddhas, até mesmo uma simples medida de esmolas, então tu mesmo podes comer. Assim, quando comeres, depois de oferecer, não deves ser afectado nem por paixões nem livre de paixões, envolvido em concentração nem livre de concentração, nem morar no mundo nem permanecer em libertação.

Além disso, esses que dão tais esmolas, reverendo, não têm nem grande mérito nem mérito pequeno, nem ganho nem perda. Eles devem seguir o caminho dos Buddhas, não o caminho dos discípulos. Só deste modo, Idoso Maha Kasyapa, é a prática do comer através de esmolas significantes.'

"Senhor, quando ouvi este ensinamento, eu fiquei surpreendido e pensei: 'Reverência para todos os bodhisattvas! Se um bodhisattva secular pode ser dotado de tal eloquência quem é que não concebe o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito? Desde aquela altura, eu já não recomendo os veículos dos discípulos e dos sábios solitários mas recomendo o Mahayana. E assim, Senhor, eu estou relutante em ir a esse homem bom indagar sobre a doença dele."

Então, o Buda disse ao venerável Subhuti, "Subhuti, vá ao Licchavi Vimalakirti para indagar sobre a doença dele."

Subhuti respondeu, "Senhor, de facto estou relutante em ir a esse homem bom indagar sobre a doença dele. Porquê? Meu Senhor,

Eu me lembro de um dia, quando eu fui implorar minha comida na casa do o Licchavi Vimalakirti na grande cidade de Vaisali, ele levou a minha tigela encheu-a com um pouco de excelente comida e disse-me,

'Reverendo Subhuti, leva esta comida se entendes a igualdade de todas as coisas, por meio da igualdade dos objectos materiais, e se entendes a igualdade de todos os atributos do Buda, por meio da igualdade de todas as coisas.

Leva esta comida se, sem abandonar o desejo, ódio, e os disparates, podes evitar associações com eles;

se podes seguir o caminho de um único modo sem já perturbar as visões egoístas;

se podes produzir o conhecimento e a libertação sem conquistar a ignorância e a apetência pela existência;

se, pela igualdade dos cinco pecados mortais, alcanças a igualdade da libertação;

se não estás nem libertado nem amarrado;

se não vês as Quatro Verdades Santas, e no entanto não és aquele que "não viu a verdade";

se não alcanças-te qualquer fruto, e não obstante não és “o que não atingiu";

se és uma pessoa comum, que contudo não tem as qualidades de uma pessoa comum;

se não és santo e contudo não és profano; se és responsável por todas as coisas e contudo estás livre de qualquer noção respeitante a qualquer coisa.

"'Leva esta comida, reverendo Subhuti, se, sem ver o Buda, ouvir o Dharma, ou servir o Sangha, empreendes a vida religiosa debaixo dos seis mestres heterodoxos; isto é, Purana Kasyapa, Maskarin Gosaliputra, Samjayin Vairatiputra, Kakuda Katyayana, Ajita Kesakambala, e Nirgrantha Jnaniputra, e segue os modos que eles prescrevem.

"'Leva esta comida, reverendo Subhuti, se, entretendo todas as falsas visões, não encontras nem extremo nem meio;

se, amarrado nas oito adversidades, não obténs condições favoráveis;

se, assimilando as paixões, não atinges purificação;

se a imparcialidade de todos os seres vivos é a tua imparcialidade, reverendo;

se os que te fazem oferecimentos não são purificados nisso;

se os que te oferecem comida, reverendo, ainda caiem nas três ruins migrações;

se te associas com todos os Mara;

se entreténs todas as paixões;

se a natureza das paixões é a natureza de um reverendo;

se tens sentimentos hostis para todos os seres vivos;

se menosprezas todos os Buddhas;

se criticas todos os ensinamentos do Buda;

se não confias na Sangha; e finalmente, se nunca entras na libertação suprema.'

"Senhor, quando eu ouvi estas palavras do Licchavi Vimalakirti, eu desejei saber o que devia dizer e o que devia fazer, mas fiquei completamente na escuridão. Deixando a tigela, eu estava a ponto de deixar a casa quando o Licchavi Vimalakirti me disse, 'Reverendo Subhuti, não tema estas palavras, e apanhe a sua tigela. O que pensas, reverendo Subhuti?

Se fosse uma encarnação criada pelo Tathagata que te falou assim, terias medo?'

"Eu respondi, 'De facto não, nobre senhor!' Então ele disse, 'Reverendo Subhuti, a natureza de todas as coisas é como uma ilusão, como uma encarnação mágica. Assim não deves teme-los. Porquê? Todas as palavras tem também aquela natureza, e assim o sensato não é apegado a palavras, nem eles as temem. Porquê? Todas as linguagens afinal de contas não existem, excepto como libertação. A natureza de todas as coisas é a libertação.'

"Quando Vimalakirti tinha discursado deste modo, duzentos Senhores obtiveram a pura visão doutrinal com respeito a todas as coisas, sem obscuridade ou corrupção, e quinhentos Senhores obtiveram a tolerância da conformação. Fiquei estupefacto e incapaz de responder-lhe. Então, senhor, eu estou relutante em ir a este homem bom, indagar sobre a doença dele."

Então, o Buda disse ao venerável Purna maitrayaniputra, "Purna, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Purna respondeu, "Senhor, realmente estou relutante em a ir a esse homem bom indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro de um dia, quando eu estava ensinando o Dharma a alguns monges jovens na grande floresta, o Licchavi Vimalakirti foi lá e disse-me, 'Reverendo Purna, primeiro concentra-te tu mesmo, considera as mentes destes jovens Bhikkhus, e então ensina-lhes o Dharma! Não ponhas comida podre numa tigela enfeitada com jóias! Primeiro entende as inclinações destes monges, e não confundas safiras inestimáveis com contas de vidro!

"'Reverendo Purna, sem examinar as faculdades espirituais dos seres vivos, não presumas acerca da unilateralidade das faculdades deles; não firas os que estão sem feridas;

não imponhas um caminho estreito nos que aspiram a um grande caminho;

não tentes verter o grande oceano na pegada do casco de um boi;

não tentes pôr o Monte Sumeru num grão de mostarda;

não confundas o brilho do sol com a luz de um pirilampo; e não exponhas os que admiram o rugido de um leão ao uivo de um chacal!

"'Reverendo Purna, todos estes monges estiveram outrora comprometidos no Mahayana mas esqueceram-se do espírito da iluminação. Assim não os instruas no veículo do discípulo. O veículo do discípulo não é no final de contas, válido e os discípulos são como homens cegos de nascença, com respeito ao reconhecimento dos graus das faculdades espirituais dos seres vivos.'

"Naquele momento, o Licchavi Vimalakirti entrou em tal concentração que causou naqueles monges se lembrarem das suas várias existências anteriores, nas quais eles tinham produzido as raízes de virtude servindo quinhentos Buddhas pela causa da perfeita iluminação. Assim que os seus próprios espíritos se esclareceram, tornou-se claro, eles curvaram-se aos pés daquele bom homem e uniram as palmas das suas mãos em reverência. Ele lhes ensinou o Dharma, e todos eles atingiram a fase de irreversibilidade do espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito. Me ocorreu então, 'os discípulos que não conhecem os pensamentos ou as inclinações dos outros não podem ensinar o Dharma a qualquer um. Porquê? Estes discípulos não são especialistas discernindo a superioridade e inferioridade das faculdades espirituais dos seres vivos, e eles nunca estão num estado de concentração como o Tathagata, o Santo, o Buda perfeitamente realizado.'

"Então, Senhor, eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a saúde dele."

O Buda disse então ao venerável Maha Katyayana, "Katyayana, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Katyayana respondeu, "Senhor, de facto estou relutante em ir ter com aquele bom homem para indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro de um dia quando, depois que o Senhor tinha dado alguma instrução sumárias aos monges, eu estava definindo as expressões daquele discurso ensinando o significado da impermanência, sofrimento, abnegação, e paz; o Licchavi Vimalakirti veio até mim e disse-me, 'Reverendo Maha Katyayana, não ensine uma última realidade dotada de actividade, produção, e destruição! Reverendo Maha Katyayana, nada já foi destruído, é destruído, ou será destruído. Tal é o significado de "impermanência." O significado da realização do não nascimento, pela realização da vacuidade dos cinco agregados, é o significado do "sofrimento." A realidade da não dualidade do eu e da abnegação é o significado da "abnegação." O que não tem nenhuma substância intrínseca e nenhum outro tipo de substância não arde, e o que não arde não é extinguido; tal falta de extinção é o significado da "paz."'

"Quando ele discursou assim, as mentes dos monges foram libertadas das suas corrupções e entraram num estado de não avidez.

Então, Senhor, eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao venerável Aniruddha, "Aniruddha, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

"Meu Senhor, de facto estou relutante em ir àquele homem de bem para indagar sobre a doença dele. Porquê? Eu me lembro, Senhor, um dia, quando eu estava dando um passeio, o grande Brahma chamado Subhavyuha e dez mil outros Brahmas que o acompanhavam iluminaram o local com o seu esplendor e tendo inclinado as suas cabeças a meus pés, retiram-se para um lado e perguntou-me, 'Reverendo Aniruddha, você foi proclamado pelo Buda para ser o mais ilustre entre os que possuem o olho divino. A que distância se estende a visão divina do venerável Aniruddha?'

Eu respondi, 'Amigos, eu vejo o universo galáctico de bilhões de mundos do Senhor Shakyamuni da mesma maneira que um homem de visão comum vê um caroço de cereja na palma da mão.' Quando eu disse estas palavras, o Licchavi Vimalakirti chegou e, tendo inclinado sua cabeça a meus pés, disse-me, 'Reverendo Aniruddha, seu olho divino é composto em natureza? Ou é não composto em natureza?

Se é composto em natureza, é igual ao super conhecimento do heterodoxo. Se for não composto em natureza, então não é construído e, como tal, é incapaz de ver. Então, como você vê, Oh ancião?'

"A estas palavras, eu fiquei estupefacto, e o Brahma também ficou pasmado por ouvir este ensinamento daquele homem de bem.

Tendo-me curvado perante ele, disse, 'Quem então, no mundo, possui o olho divino?'

"Vimalakirti respondeu, 'No mundo, são os Buddhas que tem o olho divino. Eles vêem todos os campos-Buda sem deixar o estado deles de concentração e sem mesmo serem afectados pela dualidade.'

"Tendo ouvido estas palavras, os dez mil Brahmas ficaram inspirados com o grande acordar e conceberam o espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito. Tendo prestado homenagem e respeito a mim e àquele bom homem, desapareceram. Assim, eu permaneci estupefacto, e então, estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao venerável Upali, "Upali, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Upali respondeu, "Senhor, de facto estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro daquele dia em que dois monges que tinham cometido alguma infracção e estavam muito envergonhados de aparecerem diante do Senhor, assim eles vieram a mim e disseram, 'Reverendo Upali, nós cometemos uma infracção mas estamos muito envergonhados de aparecer perante o Buda. Venerável Upali, amavelmente remova nossas ansiedades nos perdoando destas infracções.'

"Senhor, enquanto eu estava dando para esses dois monges algumas palavras religiosas, o Licchavi Vimalakirti foi lá e disse-me, 'Reverendo Upali, não agrave mais os pecados destes dois monges. Sem os desconcertar, alivie o remorso deles. Reverendo Upali, o pecado não será temido dentro, ou fora, ou entre os dois. Porquê?

O Buda disse, “Os seres vivos são aflitos pelas paixões do pensamento, e eles são purificados pela purificação do pensamento."

"'Reverendo Upali, a mente não está nem dentro nem fora, nem isso será temido entre os dois. O pecado é igual à mente, e todas as coisas são iguais ao pecado. Eles não escapam a esta mesma realidade.

"'Reverendo Upali, esta natureza da mente, em virtude do qual a tua mente, reverendo, é libertada – torna-a aflitiva?'

"'Nunca', respondi eu.

"'Reverendo Upali, as mentes de todos os seres vivos têm aquela mesma natureza. Reverendo Upali, as paixões consistem em conceptualizações. A derradeira não existência destas conceptualizações e fabricações imaginárias - essa é a pureza que é a natureza intrínseca da mente. Má compreensão são paixões. A última ausência da má compreensão é a natureza intrínseca da mente. A presunção do eu é paixão. A ausência do eu é a natureza intrínseca da mente. Reverendo Upali, todas as coisas são sem produção, destruição, e duração, como ilusões mágicas, nuvens, e relâmpagos; todas as coisas são evanescentes, enquanto não permanecendo nem sequer por um momento; todas as coisas são como sonhos, alucinações, e visões irreais; todas as coisas estão como a reflexão da lua na água e como uma imagem no espelho; elas nascem das construções mentais. Os que sabem isto são chamados o verdadeiro sustentáculo da disciplina, e os disciplinados daquele modo são realmente bem disciplinados.'"

"Então os dois monges disseram, 'Este dono da casa é extremamente bem dotado de sabedoria. O reverendo Upali que era proclamado pelo Senhor como o mais ilustre do sustentáculo da disciplina, não é igual a dele.'

"Eu disse então aos dois monges, 'Não se entretenham com a noção que ele é um mero dono da casa! Porquê? Com a excepção do Tathagata, há nenhum discípulo ou bodhisattva capaz de competir com a eloquência dele ou rivalizar o brilho da sabedoria dele.'

"Logo após, os dois monges, deixaram as suas ansiedades e inspirados de alta determinação, conceberam o espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito. Curvando-se até aquele homem de bem, eles formularam o desejo: 'Possam todos os seres vivos atingem eloquência como nós!' Então, eu estou relutante, em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao venerável Rahula, "Rahula, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Rahula respondeu, "Senhor, de facto estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro daquele dia, em que muitos cavalheiros de jovens Licchavi, vieram para o lugar onde eu estava e disseram-me, 'Reverendo Rahula, você é o filho do Senhor, e, tendo renunciado ao reino de um monarca universal, você deixou o mundo. Quais são as virtudes e benefícios que você viu, deixando o mundo?'

"Quando eu lhes estava ensinando correctamente os benefícios e virtudes de renunciar o mundo, o Licchavi Vimalakirti foi até lá e, tendo-me cumprimentado, disse, 'Reverendo Rahula, você não deves ensinar os benefícios e virtudes de renúncia do modo que você faz. Porquê? Renúncia é ela mesma, a total ausência de virtudes e benefícios.

Reverendo Rahula, a pessoa pode falar de benefícios e virtudes com respeito a coisas compostas, mas renúncia é não composta, e não pode, haver duvidas de benefícios e virtudes, com respeito ao não composto. Reverendo Rahula, renúncia não é material mas está livre de substância. Está livre das visões extremas de começar e termina. É o caminho da libertação. É elogiado pelo modo, abraçado pelos santos, e causa a derrota de todo o Mara. Liberta dos cinco estados da existência, purifica os cinco olhos, cultiva os cinco poderes, e apoia as cinco faculdades espirituais. Renúncia é totalmente inofensiva aos outros e não é adulterada com coisas más. Disciplina o heterodoxo, transcendendo todas as denominações. É a ponte em cima do pântano do desejo, sem agarrar, e livre dos hábitos de "mim" e "meu." É sem apego e sem perturbação, eliminando toda a comoção. Disciplina a própria mente da pessoa e protege as mentes dos outros. Favorece a quietude mental e estimula a análise transcendental. Está sob todos os aspectos impecável e assim é chamado renúncia. Aqueles que deixam o mundo deste modo, são chamados "verdadeiramente renunciantes." Homens jovens, renunciem ao mundo, na luz deste ensinamento claro! O aparecimento de um Buda é extremamente raro. Vida humana dotada de lazer e oportunidades é muito difícil de obter. Ser um ser humano, é muito precioso.'

"Os homens jovens reclamaram: 'Mas, dono da casa, nós ouvimos o Tathagata declarar, não devem renunciar ao mundo sem a permissão dos pais da pessoa.'

"Vimalakirti respondeu: 'Homens jovens, você devem-se cultivar intensivamente para conceber o espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito. Que em si mesmo será a vossa renúncia e alta consagração!'

"Logo após, trinta e dois dos jovens de Licchavi conceberam o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito.

Então, Senhor, eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao venerável Ananda, "Ananda, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Ananda respondeu, "Senhor, de facto estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro de um dia quando o corpo do Senhor manifestou alguma indisposição e ele requereu um pouco de leite; Eu levei a tigela e fui para a porta da mansão de uma grande família brâmane. o Licchavi Vimalakirti foi lá, e, tendo-me saudado, disse, 'Reverendo Ananda, o que está fazendo você tão cedo no limiar desta casa com sua tigela na mão, pela manhã?'

"Eu respondi: 'o corpo do Senhor manifesta alguma indisposição, e ele precisa de um pouco de leite. Então, eu vim buscar algum.'

"Vimalakirti disse-me então, 'Reverendo Ananda, não diga tal coisa! Reverendo Ananda, o corpo do Tathagata é duro como um diamante, depois de ter eliminado todos os traços do instinto do mal e estando dotado com toda a bondade. Como poderia a enfermidade ou o desconforto afectar tal corpo?

"'Reverendo Ananda, vá em silêncio, e não deprecie o Senhor. Não diga tais coisas a outros. Não seria bom para os Senhores poderosos ou para os bodhisattvas que vem dos vários campos-Buda, ouvir tais palavras.

"'Reverendo Ananda, um monarca universal que só está dotado com uma pequena raiz de virtude está livre de doenças.

Como então pode o Senhor que tem uma raiz infinita de virtude ter qualquer doença? É impossível.

"'Reverendo Ananda, não traga vergonha sobre nós, mas vá em silêncio, para que os sectários heterodoxos não oiçam as suas palavras. Eles diriam, "Que vergonha! O professor destas pessoas nem mesmo pode curar as suas próprias moléstias. Como pode ele então curar as moléstias dos outros?" Reverendo Ananda, vá discretamente de forma que ninguém o observe.

"'Reverendo Ananda, os Tathagatas têm o corpo do Dharma - não um corpo que é contínuo através da comida material.

Os Tathagatas têm um corpo transcendental que transcendeu todas as qualidades mundanas.

Não há nenhum dano no corpo de um Tathagata, que é livre de todas as corrupções. O corpo de um Tathagata é não composto e livre da actividade de toda a forma. Reverendo Ananda, acreditar que pode haver doença num tal corpo é irracional e impróprio!'

"Quando eu ouvi estas palavras, eu desejei saber se eu tinha previamente ouvido mal e entendido mal o Buda, e estava muito envergonhado. Então eu ouvi uma voz do céu: 'Ananda! O dono da casa fala verdade com você.

Não obstante, desde que o Buda apareceu durante o tempo das cinco corrupções, ele disciplina os seres vivos agindo humildemente. Então, Ananda, não esteja envergonhado, vá e adquira o leite!'

"Senhor, tal foi a minha conversação com o Licchavi Vimalakirti, e então eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

Da mesma maneira, o resto dos quinhentos discípulos estavam relutantes em ir ao Licchavi Vimalakirti, e cada um contou ao Buda a sua própria aventura, recontando todos eles as suas conversações com Licchavi Vimalakirti.



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4. A Relutância dos Bodhisattvas


Então, o Buda disse ao bodhisattva Maitreya, "Maitreya, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Maitreya respondeu, "Senhor, eu realmente estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro daquele dia em que estava comprometido numa conversação com os deuses do céu de Tushita, o Senhor Samtusita e os seus acompanhantes, sobre a fase de não regressão dos grandes bodhisattvas. Naquele momento, chegou o Licchavi Vimalakirti e dirigiu-se-me assim:

"'Maitreya, o Buda profetizou que um único nascimento estava entre você e a inexcedível Iluminação perfeita. A que tipo de nascimento, respeita esta profecia, Maitreya? É passado? É futuro? Ou é presente? Se for um nascimento passado, já está acabado. Se for um nascimento futuro, nunca chegará. Se for um nascimento presente, não tem suporte. O Buda declarou, "Bhikkhus, num único momento, você nasce, você envelhece, você morre, você transmigra, e você renasce."

"'Então pode a profecia dizer respeito ao não nascimento? Mas o não nascimento concerne ao estágio do destino fundamental no qual não há profecia nem o alcançar da Iluminação perfeita.

"'Então, Maitreya, a sua realidade é de nascença? Ou é de cessação? A sua realidade como profetizado não nasce e não cessa, nem nascerá nem cessará. Além disso, a sua realidade é igual à realidade de todos os seres vivos, à realidade de todas as coisas, e à realidade de todos os santos. Se a sua iluminação pode ser profetizada desta forma, assim pode ser a de todos os seres vivos. Porquê?, porque a realidade não consiste em dualidade ou em diversidade. Maitreya, em qualquer momento que você atinja a Iluminação que é a Iluminação da perfeição, ao mesmo tempo todos os seres vivos também atingirão a última libertação. Porquê? Os Tathagatas não entram na última libertação até que todos os seres vivos entrem também na última libertação. Desde que todos os seres vivos estejam totalmente libertados, os Tathagatas os vêem como tendo a natureza da última libertação.

"'Então, Maitreya, não engane nem iluda estas deidades! Ninguém permanece, ou regressa da iluminação.

Maitreya, você deveria induzir estas deidades a repudiar todas as construções discriminativas relativas à iluminação.

"'A Iluminação perfeita não é realizada nem pelo corpo nem pela mente.

A Iluminação é a erradicação de todas as marcas.

A Iluminação está livre das presunções relativas a todos os objectos.

A Iluminação está livre do funcionamento de todos os pensamentos intencionais.

A Iluminação é a aniquilação de todas as convicções.

A Iluminação é livre de todas as construções discriminativas.

A Iluminação é livre de toda a vacilação, actividade mental, e agitação.

A Iluminação não está envolvida em qualquer compromisso.

A Iluminação é a chegada da separação, pela liberdade de todas as atitudes habituais. O chão da Iluminação é o último reino.

A Iluminação é a realização da realidade.

A Iluminação permanece no limite da realidade.

A Iluminação é sem dualidade, visto que não é nenhuma mente nem nenhuma coisa.

A Iluminação é igualdade, sendo que é igual ao espaço infinito.

A Iluminação é não-construída, porque ela é, nem não nascida, nem não obstruída, não suporta nem sofre qualquer transformação.

A Iluminação é o conhecimento completo dos pensamentos, acções, e inclinações de todos os seres vivos.

A Iluminação não é uma porta para os seis sentidos da comunicação.

A Iluminação não é adulterada, uma vez que está livre das paixões do instinto, dirigidas à sucessão das vidas.

A Iluminação não está nem, em algum lugar nem, em nenhuma parte, não permanecendo em nenhum local ou dimensão.

A Iluminação, não estando contida em nada, não permanece na realidade.

A Iluminação somente é um nome e até mesmo esse nome é sem movimento.

A Iluminação, livre de abstenção e empreendimento, é sem energia. Não há nenhuma agitação na Iluminação, que é por natureza totalmente pura.

A Iluminação é o brilho, puro em essência.

A Iluminação é sem subjectividade e completamente sem objecto. A Iluminação que penetra a igualdade de todas as coisas é indiferenciada.

A Iluminação não é mostrada por qualquer exemplo, é incomparável.

A Iluminação é subtil, uma vez que é extremamente difícil perceber.

A Iluminação é toda penetrante, como é a natureza do espaço infinito.

A Iluminação não pode ser percebida, física ou mentalmente. Porquê? O corpo é como erva, árvores, paredes, caminhos, e alucinações. E a mente é imaterial, invisível, infundada, e inconsciente.'

"Senhor, quando Vimalakirti acabou de discursar assim, duzentas das deidades naquela assembleia atingiram a tolerância do não nascimento. Senhor, eu fiquei estupefacto. Então, eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao jovem Licchavi Prabhavyuha, "Prabhavyuha, vá ao Licchavi Vimalakirti indagar sobre a doença dele."

Prabhavyuha respondeu, "Senhor, eu realmente estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro de um dia, quando eu estava saindo da grande cidade de Vaisali, eu conheci o Licchavi Vimalakirti que entrava. Ele me cumprimentou, e então me dirigi a ele:

'Dono da casa donde você vem?'

Ele respondeu, 'Eu venho do lugar da Iluminação.'

Então indaguei, 'o que significa "lugar da Iluminação?"

' Ele então disse-me as seguintes palavras,

'Oh Nobre filho, o lugar da Iluminação é o lugar do pensamento positivo porque é sem artificialidade.

É o lugar do esforço, porque liberta actividades enérgicas.

É o lugar da alta determinação, porque sua perspicácia é superior.

É o lugar do grande espírito da Iluminação, porque não negligencia nada.

É o lugar da generosidade, porque não tem nenhuma expectativa de recompensa.

É o lugar da moralidade, porque cumpre todos os compromissos.

É o lugar da tolerância, porque está livre da raiva de qualquer ser vivo.

É o lugar do esforço, porque não retrocede.

É o lugar da meditação, porque gera aptidão da mente.

É o lugar da sabedoria, porque vê tudo directamente.

É o lugar do amor, porque é igual a todos os seres vivos.

É o lugar da compaixão, porque tolera todos os danos.

É o lugar da alegria, porque é o contentamento dedicado às felicidades do Dharma.

É o lugar da equanimidade, porque abandona afecto e aversão.

É o lugar da percepção paranormal, porque tem os seis super conhecimentos.

É o lugar da libertação, porque não intelectualiza.

É o lugar da técnica da libertação, porque desenvolve os seres vivos.

É o lugar dos meios de unificação, porque reúne os seres vivos.

É o lugar da aprendizagem, porque faz a prática da essência.

É o lugar da resolução, porque é a sua escrupulosa discriminação.

É o lugar das ajudas à Iluminação, porque elimina a dualidade do composto e do não composto.

É o lugar de verdade, porque não engana ninguém.

É o lugar da origem interdependente, porque procede do esgotamento da ignorância ao esgotamento da velhice e morte.

É o lugar da erradicação de todas as paixões, porque está perfeitamente iluminado sobre a natureza da realidade.

É o lugar de todos os seres vivos, porque todos os seres vivos são sem identidade intrínseca.

É o lugar de todas as coisas, porque está perfeitamente iluminado com respeito à nulidade.

É o lugar da conquista de todos os demónios, porque nunca vacila.

É o lugar do mundo triplo, porque está livre de envolvimento.

É o lugar do heroísmo onde soa o rugido do leão, porque está livre do medo e de tremores.

É o lugar das forças, das não temeridades, e todas as qualidades especiais do Buda, porque está sob todos os aspectos impecável.

É o lugar dos três conhecimentos, porque nisto não permanece nenhuma paixão.

É o lugar do entender instantâneo, total de todas as coisas, porque percebe a gnose da omnisciência completamente.

"'Nobre filho, quando os bodhisattvas estão assim dotados com as transcendências, as raízes da virtude, a habilidade para desenvolver os seres vivos, e a incorporação do Dharma santo, se eles erguem os seus pés, ou os derrubaram, todos eles vêm do lugar da Iluminação. Eles vêm das qualidades do Buda, e se elevam nas qualidades do Buda.'

"Senhor, quando Vimalakirti explicou este ensinamento, quinhentos deuses e homens conceberam o espírito da Iluminação, e eu fiquei estupefacto. Então, Senhor, eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao bodhisattva Jagatimdhara, "Jagatimdhara, vá ao Licchavi Vimalakirti para indagar sobre a doença dele."

Jagatimdhara respondeu, "Meu Senhor, eu realmente estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro daquele dia, quando eu estava em casa, o perverso Mara, disfarçado de Indra e rodeado com doze mil moças divinas, aproximou-se aos sons da música e cantando. Tendo-me saudado tocando os meus pés com a cabeça, ele retirou-se com a sua comitiva para um lado. Eu então, pensando que ele era Sakra, o rei dos deuses, disse-lhe, 'Bem vindo, Oh Kausika! Você deveria permanecer conscientemente atento no meio dos prazeres do desejo. Você deveria pensar frequentemente na impermanência e deveria se esforçar para utilizar o essencial no corpo, vida, e riqueza.'

"Mara disse-me então, 'Bom senhor, aceite estas doze mil moças divinas e faça-as suas criadas.'

"Eu respondi, 'Oh Kausika, não me ofereça coisas, que não me são apropriadas, eu sou religioso e um filho do Sakya. Não é próprio eu ter estas moças.'

"Tão depressa eu disse estas palavras o Licchavi Vimalakirti veio até mim e disse-me , 'Nobre filho, não penses que este é Indra! Este não é Indra mas o perverso Mara que veio ridiculariza-lo.'

"Então o Licchavi Vimalakirti disse a Mara, 'Malicioso Mara, uma vez que estas moças divinas não são satisfatórias para este devoto religioso, um filho do Sakya, então dê-me-as a mim.'

"Então Mara ficou apavorado e aflito, pensando que o Licchavi Vimalakirti o tinha vindo expor. Ele tentou fazer-se invisível, mas, mesmo com todos os seus poderes mágicos, ele não conseguiu desaparecer de vista. Então uma voz ressoou no céu dizendo, 'Malvado, dê estas moças divinas ao bom homem Vimalakirti, e só então poderá voltar ao seu domicílio.'

"Então Mara ficou amedrontado e, contra vontade, deu as moças divinas.

"O Licchavi Vimalakirti, tendo recebido as deusas, disse-lhes, 'Agora que vocês me foram dadas por Mara, todas vocês deverão conceber o espírito do, inexcedível esclarecimento perfeito.'

"Ele as exortou então com um discurso satisfatório para o desenvolvimento da Iluminação delas, e logo conceberam o espírito da Iluminação. Ele disse-lhes então , 'Você conceberam há pouco o espírito da Iluminação.

De agora em diante, você deveriam dedicar-se a encontrar alegria nos prazeres do Dharma, e não deveriam ter prazeres nos desejos.'

"Elas lhe perguntaram então, 'O que é "alegria nos prazeres do Dharma?"'

"Ele declarou, 'é a alegria da fé irrompível no Buda, de desejar ouvir o Dharma, de servir o Sangha e honrar os benfeitores espirituais sem orgulho.

É a alegria da renúncia do mundo inteiro, de não ser fixo em objectos, de considerar os cinco agregados, que são como assassinos, de considerar os elementos, que são como serpentes venenosas, e de considerar os sentidos, como uma cidade vazia.

É a alegria de sempre vigiar o espírito da Iluminação, de ajudar os seres vivos, de compartilhar a generosidade, de não afrouxar na moralidade, do controle e tolerância em paciência, do cultivo completo da virtude pelo esforço, da absorção total na meditação, e da ausência das paixões em sabedoria.

É a alegria de alargar a Iluminação, de conquistar Mara, de destruir as paixões, e de purificar o campo-Buda.

É a alegria de acumular todas as virtudes para cultivar as marcas e os sinais auspiciosas.

É a alegria da libertação da não intimidação, ao ouvir o ensino profundo.

É a alegria da exploração das três portas da libertação, e da realização da libertação.

É a alegria de ser um ornamento do lugar da Iluminação, e de não atingir a libertação no momento errado.

É a alegria de servir os de sorte igual, de não odiar ou se ressentir com os de sorte superior, de servir os benfeitores espirituais, e de evitar os amigos pecadores.

É a alegria superior da fé e devoção ao Dharma.

É a alegria de adquirir técnicas de libertação e do cultivo consciente das ajudas para a Iluminação. Assim, o bodhisattva admira e acha alegria nas delícias do Dharma.'

"De seguida, Mara disse às deusas, 'Agora venham e nos deixem voltar para casa.'

"Elas disseram, 'Tu deste-nos a este dono da casa. Agora nós devemos desfrutar as delícias do Dharma e já não devemos desfrutar os prazeres dos desejos.'

"Então Mara disse ao Licchavi Vimalakirti, 'Se o bodhisattva, é o herói espiritual, que não tem apego mental, e dá todas as suas posses, então, dono da casa, por favor dê-me estas deusas.'

"Vimalakirti respondeu, 'Elas estão dadas, Mara. Vá para casa com o seu séquito. Possam vocês cumprir as aspirações religiosas de todos os seres vivos!'

"Então as deusas, saudando Vimalakirti, disseram-lhe, 'Dono da casa, como devemos nós morar no domicílio de Mara?'

"Vimalakirti respondeu, 'Irmãs, há uma porta do Dharma chamada "A Lâmpada Inesgotável." Pratiquem!

O que é isso? Irmãs, uma única lâmpada pode iluminar centenas de milhares de lustres sem se diminuir a si mesma.

Igualmente, irmãs, um único bodhisattva pode manter muitas centenas de milhares de seres vivos em Iluminação sem que a sua plenitude mental seja diminuída. Na realidade, não só não diminui, como cresce mais forte. Igualmente, quanto mais ensina e demonstra qualidades virtuosas a outros, mais se desenvolve com respeito a essas qualidades virtuosas. Isto é a porta do Dharma chamada "A Lâmpada Inesgotável." Quando vocês estiverem vivendo no reino de Mara, inspirem inumeráveis deuses e deusas com o espírito da Iluminação. Deste modo, vocês retribuirão a bondade do Tathagata, e vocês se tornarão os benfeitores de todos os seres vivos.'

"Então, aquelas deusas curvaram-se aos pés do Licchavi Vimalakirti e partiram na companhia de Mara.

Assim, Senhor, eu vi a supremacia do poder mágico, sabedoria, e eloquência do Licchavi Vimalakirti, e então eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

O Buda disse então ao filho do comerciante Sudatta, “Nobre filho, vá ao Licchavi Vimalakirti para indagar sobre a doença dele."

Sudatta respondeu, "Senhor, eu realmente estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele. Porquê? Senhor, eu me lembro de um dia na casa de meu pai, quando, para celebrar um grande sacrifício, eu estava dando presentes aos devotos religiosos, Brahmas, o pobre, o miserável, o infeliz, mendigos, e todos os necessitados. No final do sétimo dia desse grande sacrifício, o Licchavi Vimalakirti foi lá e disse, 'Filho de comerciante, não devias celebrar um sacrifício deste modo. Devias celebrar um sacrifício Dharma. O que é o uso do sacrifício das coisas materiais?'

"Então perguntei-lhe, 'Como se oferece um sacrifício Dharma?'

"Ele respondeu, 'Um sacrifício Dharma é o que desenvolve os seres vivos sem começar ou terminar, dando presentes simultaneamente a todos eles. O que é isso? Consiste no grande amor que é consumado na Iluminação; da grande compaixão que é consumada na concentração do santo Dharma, na libertação de todos os seres vivos; da grande alegria que é consumada na consciência da felicidade suprema de todos os seres vivos; e da grande equanimidade que é consumada na concentração por conhecimento.

"'O sacrifício Dharma consiste na transcendência da generosidade que é consumada na paz e autodisciplina; ,

da transcendência da moralidade que é consumada no desenvolvimento moral dos seres imorais;

da transcendência da tolerância, consumada pelo princípio da abnegação;

da transcendência do esforço, consumado na iniciativa para a Iluminação;

da transcendência da meditação, consumada na solidão do corpo e mente; e da transcendência da sabedoria, consumada na gnose omnisciente.

"'O sacrifício Dharma consiste na meditação da vacuidade, consumada na efectividade do desenvolvimento de todos os seres vivos; da meditação na ausência de sinais, consumada na purificação de todas as coisas compostas; e na meditação da carência de desejos, consumada na voluntariosa assunção dos renascimentos.

"'O sacrifício Dharma consiste na força heróica, consumada no apoio ao Dharma santo;

do poder da vida, consumada nos meios de unificação;

da ausência do orgulho, consumado no tornar-se o escravo e o discípulo de todos os seres vivos;

do lucro do corpo, saúde, e riqueza, consumada pela extracção da essência da sem essência;

na plenitude mental, consumada pelas seis recordações;

no pensamento positivo, consumado pelo Dharma verdadeiramente agradável;

na pureza do sustento, consumado através da prática espiritual correcta;

do respeito pelos santos, consumado através do serviço jovial e fiel;

na sobriedade da mente, consumada pela ausência de antipatia por pessoas comuns;

de grandes decisões, consumadas através da renúncia;

da habilidade em erudição, consumada através da prática religiosa;

da aposentadoria em retiradas solitárias consumadas, entendendo as coisas livre de paixões;

da meditação introspectiva, consumada através de obter a gnose-Buda;

da fase da prática da ioga, consumada pela ioga de libertar todos os seres vivos das paixões deles.

"'O sacrifício Dharma consiste nas reservas de mérito que são consumadas pelos sinais e marcas auspiciosas, nos ornamentos dos campos-Buda, e todos os outros meios de desenvolvimento dos seres vivos;

da reserva de conhecimentos que é consumado na habilidade para ensinar o Dharma, de acordo com os pensamentos e acções de todos os seres vivos;

na reserva de sabedoria que é consumada na gnose uniforme e livre de aceitação e rejeição com respeito a todas as coisas;

na reserva de todas as raízes de virtude, consumada no abandono de todas as paixões, ofuscações, e coisas não virtuosas; e do alcançar todas as ajudas para a Iluminação, consumada na realização da gnose da omnisciência, como também na realização de toda a virtude.

"'Isto, oh nobre filho, é o sacrifício Dharma. O bodhisattva vive por este sacrifício Dharma que é o melhor dos sacrifícios e através deste seu extremo sacrifício, é merecedor dos oferecimentos de todas as pessoas, inclusive dos deuses.'

"Senhor, assim que o dono da casa terminou de discursar assim, duzentos Brahmas entre a multidão dos Brahmas presentes conceberam o espírito da inexcedível Iluminação perfeita. E eu, cheio de surpresa, tendo saudado este homem bom, tocando os pés dele com minha cabeça, tirei do redor do meu pescoço um colar de pérolas no valor de cem mil pedaços de ouro e ofereci-o a ele. Mas ele não aceitou. Eu então disse-lhe, 'Por favor aceite homem bom, este colar de pérolas, sem compaixão para mim, e dê isto a quem quer que seja, que você deseja.'

"Então, Vimalakirti aceitou as pérolas e dividiu-as em dois. Ele deu uma metade ao mais humilde pobre da cidade que tinha sido desprezado pelos presentes no sacrifício. A outra metade ofereceu-a ao Tathagata Dusprasaha. E ele executou um milagre tal que todos os presentes viram o universo chamado Marici e o Tathagata Dusprasaha. Na cabeça do Tathagata Dusprasaha, o colar de pérolas tomou a forma de um pavilhão, enfeitado com fios de pérolas, descansando em quatro bases, com quatro colunas simétricas, bem construídas, e graciosa de se ver. Tendo mostrado tal milagre, Vimalakirti disse, 'O doador que faz presentes ao mais humilde pobre da cidade, considerando-os tão merecedor de oferecimentos como o próprio Tathagata, o doador que dá sem qualquer discriminação, imparcialidade, sem expectativa de recompensa, e com grande amor - este doador, eu digo, cumpre totalmente o sacrifício Dharma.'

"Então o pobre da cidade, tendo visto aquele milagre e tendo ouvido aquele ensino, concebeu o espírito da inexcedível Iluminação perfeita. Então, Senhor, eu estou relutante em ir àquele homem de bem indagar sobre a doença dele."

Da mesma maneira, todos os bodhisattvas, grandes heróis espirituais, contaram as histórias das suas conversações com Vimalakirti e declararam a sua relutância em ir ter com ele.



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5. A consolação do doente



Então, o Buda disse ao príncipe coroado, Manjusri, "Manjusri, vá visitar o Licchavi Vimalakirti e indague sobre a doença dele."

Manjusri respondeu, "Senhor, é difícil acompanhar o Licchavi Vimalakirti.

Ele é talentoso, com eloquência maravilhosa relativa à lei do profundo.

Ele é extremamente qualificado nas expressões e na reconciliação das dicotomias.

A eloquência dele é inexorável, e ninguém pode resistir ao seu imperturbável intelecto.

Ele realiza todas as atividades dos bodhisattvas.

Ele penetra todos os mistérios secretos dos bodhisattvas e dos Buddhas.

Ele é qualificado em humanizar todos os domicílios dos demónios.

Ele joga com o grande super conhecimento.

Ele é consumado em sabedoria e técnicas de libertação.

Ele atingiu a excelência suprema da esfera indivisível não dualista do último reino.

Ele é qualificado no ensino do Dharma com as suas infinitas modalidades dentro da essência homogénea.

Ele é qualificado para conceder os meios de alcançar os objectivos conforme as faculdades espirituais de todos os seres vivos.

Ele integrou a sua completa realização com habilidade nas técnicas da libertação.

Ele atingiu resolução com respeito a todas as perguntas.

Assim, embora ele não tenha quem se lhe oponha, principalmente por alguém com as minhas fracas defesas, mesmo que, sustentadas pela graça do Buda, eu irei e conversarei com ele, tão bem quanto seja capaz."

Logo de seguida, naquela assembleia, os bodhisattvas, os grandes discípulos, o Sakras, o Brahmas, o Lokapalas, os deuses e deusas, todos tiveram este pensamento: "Seguramente as conversações do jovem príncipe Manjusri e aquele homem de bem resultarão num ensino profundo do Dharma."

Assim, oito mil bodhisattvas, quinhentos discípulos, um grande número de Sakras, Brahmas, Lokapalas, e muitas centenas de milhares de deuses e deusas, todos seguiram o coroado príncipe Manjusri para escutar o Dharma. E o coroado príncipe Manjusri, rodeado e seguido por estes bodhisattvas, discípulos, Sakras, Brahmas, Lokapalas, deuses, e deusas, entraram na grande cidade de Vaisali.

Entretanto, o Licchavi Vimalakirti pensou, "Manjusri, o príncipe coroado, está vindo para aqui com numerosos criados. Agora, possa esta casa ser transformado em vacuidade!"

Então, magicamente a casa dele ficou vazia. Até mesmo o porteiro desapareceu. E, com excepção do sofá do doente no qual o próprio Vimalakirti estava deitado, não podia ser visto nenhuma cama, sofá ou assento em algum lugar.

Então, o Licchavi Vimalakirti viu o coroado príncipe Manjusri e dirigiu-se-lhe assim: "Manjusri! Bem vindo, Manjusri! Você é muito bem vindo! Aí está você, sem qualquer vinda. Você aparece, sem que o vejam. Você é ouvido, sem qualquer audição."

Manjusri declarou, "Dono da casa, é como você diz. Quem vem, finalmente não vem. Quem vai, finalmente não vai.

Porquê? Quem vem não é conhecido para vir. Quem vai não é conhecido para ir. Quem aparece, não é finalmente, para ser visto.

"Bom Senhor, a sua condição é tolerável? São habitáveis? Seus elementos físicos não estão perturbados? Sua doença está diminuindo? Não está aumentando? O Buda pergunta por você - se você tem dificuldades, desconforto, doenças superficiais, se a sua angústia é clara, se você se preocupa por ser forte, estar confortável, sem remorso, e se você está vivendo em contacto com a felicidade suprema.

"Dono da casa, de onde veio esta sua doença? Quanto tempo demorará? Como a suporta? Como pode ser aliviado?"

Vimalakirti respondeu, "Manjusri, minha doença vem da ignorância e da sede para a existência e durará tanto quanto a enfermidade de todos os seres vivos. Fossem todos os seres vivos livres de doença, e eu também não estaria doente. Porquê? Manjusri, para o bodhisattva, o mundo só consiste em seres vivos, e a doença é inerente ao estar morando no mundo. Se todos os seres vivos fossem livres de doença, o bodhisattva também estariam livre de doença. Por exemplo, Manjusri, quando o único filho de um comerciante está doente, ambos seus pais ficam doentes por causa da doença do filho deles. E os pais sofrerão, enquanto o seu filho único, não recuperar da doença dele. É assim, Manjusri, o bodhisattva ama todos os seres vivos como se cada um fosse a sua única criança. Ele fica doente quando eles estão doentes e é curado quando eles são curados. Você me pergunta, Manjusri, de onde vem minha doença; a enfermidade dos bodhisattvas surgem de grande compaixão."

Manjusri: Dono da casa, por que está a sua casa vazia? Por que não tem nenhum criado?

Vimalakirti: Manjusri, todos os campos-Buda são também vazios.

Manjusri: O que os faz esvaziar?

Vimalakirti: Eles são vazios por causa da vacuidade.

Manjusri: O que é "vazio" com respeito à vacuidade?

Vimalakirti: As construções são vazias, por causa da vacuidade.

Manjusri: Vacuidade pode ser construída conceptualmente?

Vimalakirti: Até mesmo esse conceito é vazio, e a vacuidade não pode construir a vacuidade.

Manjusri: Dono da casa onde deve a vacuidade ser encontrada?

Vimalakirti: Manjusri, a vacuidade deve ser encontrada entre as sessenta e duas convicções.

Manjusri: E onde as sessenta e duas convicções devem ser encontradas?

Vimalakirti: Elas devem ser encontradas na libertação dos Tathagatas.

Manjusri: E onde a liberação dos Tathagatas deve ser encontrada?

Vimalakirti: Deve ser encontrada na actividade mental principal de todos os seres vivos. Manjusri, você me pergunta por que estou sem criados, mas todos os Mara e oponentes são meus criados. Porquê? Mara defende esta vida de nascimento e morte e o bodhisattva não evita a vida. Os oponentes heterodoxos defendem convicções, e o bodhisattva não está preocupado com convicções. Então, todos os Mara e oponentes são meus criados.

Manjusri: Dono da casa, de que tipo é sua doença?

Vimalakirti: É imaterial e invisível.

Manjusri: É física ou mental?

Vimalakirti: Não é física, porque o corpo é insubstancial em si mesmo. Não é mental, já que a natureza da mente é como a ilusão.

Manjusri: Dono da casa por qual dos quatro elementos principais é afectado - terra, água, fogo, ou ar?

Vimalakirti: Manjusri, eu só estou doente porque os elementos dos seres vivos estão perturbados através das enfermidades.

Manjusri: Dono da casa, como um bodhisattva devia consolar outro bodhisattva que está doente?

Vimalakirti: Ele deve dizer-lhe que o corpo é impermanente, mas não o deve exortar à renúncia ou desgosto.

Ele deve dizer-lhe que o corpo é miserável, mas não deve encorajá-lo a que encontre consolo na libertação; que o corpo é sem eu, mas os seres vivos devem ser desenvolvidos; que o corpo é calmo, mas não procurar a calma última.

Ele deve-lhe incutir que confesse as suas más acções, mas não por causa da absolvição.

Ele deve encorajar a sua empatia por todos os seres vivos tendo em conta a sua própria doença, a recordação do sofrimento experimentado no tempo sem começo, e a consciência de trabalhar para o bem-estar dos seres vivos.

Ele deve encorajar-se a que não seja afligido, mas manifestar as raízes da virtude, manter a pureza primitiva e a falta de desejo, e assim sempre se esforçar, para se tornar o rei dos curandeiros, que podem curar todas as enfermidades. Assim deve ser o consolo de um bodhisattva, para um bodhisattva doente, de tal modo que o faça feliz.

Manjusri perguntou, “Nobre senhor, como deve um bodhisattva doente controlar a sua própria mente?"

Vimalakirti respondeu, "Manjusri, um bodhisattva doente deve controlar a sua própria mente com a seguinte consideração: A doença surge do envolvimento total, no processo de entender mal o tempo sem começo. Surge das paixões, que são o resultado de construções mentais irreais, e consequentemente no final de contas nada é percebido que possa ser dito que está doente. Porquê? O corpo é o motivo dos quatro elementos principais, e nestes elementos não há nenhum dono nem nenhum agente. Não há nenhum eu neste corpo, e com excepção da insistência arbitrária num eu, no final de contas nenhum "eu", pode ser dito que está doente ou que pode ser apreendido. Então, pensando que "eu", não devia aderir a qualquer eu, e "eu" devia descansar no conhecimento da raiz da doença', ele deve abandonar a sua concepção, como sendo uma personalidade e produzir uma concepção, como sendo uma coisa; enquanto pensa, 'Este corpo é um agregado de muitas coisas; quando nasce, só coisas nascem; quando cessar, só coisas cessarão; estas coisas não têm nenhuma consciência ou sentindo do eu, e assim; quando elas nascem, elas não pensam, "eu nasci." Quando elas cessam, elas não pensam, "eu cessei."'

"Além disso, ele deve entender meticulosamente a concepção de si mesmo como uma coisa, cultivando a seguinte consideração: 'Da mesma maneira que no caso da concepção do "eu," assim a concepção de "coisa", também é um engano, e este engano também é uma doença séria; Eu devo livrar-me desta doença e devo esforçar-me por abandona-la .'

"Qual é a eliminação desta doença? É a eliminação do egoísmo e da possessividade.

O que é a eliminação do egoísmo e da possessividade? É a liberdade do dualismo.

O que é liberdade do dualismo? Ou é a ausência de envolvimento com o externo ou com o interno.

O que é ausência de envolvimento com o externo ou o interno? É a não divergência, a não flutuação, e a não distracção da equanimidade. O que é equanimidade? É a igualdade de tudo, desde o eu até à libertação. Porquê? porque o eu e a libertação são nulos. Como ambos podem ser nulos? Como designações verbais, eles são ambos nulos, e nenhum é estabelecido em realidade. Então, aquele que vê tal igualdade não faz diferença entre doença e vacuidade; a doença dele é vazia em si mesma, e aquela doença como vacuidade é nula.

"O bodhisattva doente deve reconhecer que a sensação é afinal de contas não sensação, mas ele não deve conceber a cessação da sensação. Embora prazer e dor sejam abandonados quando as qualidades-Buda são completamente realizadas, não há nenhum sacrifício da grande compaixão para todos os seres vivos que vivem nas más migrações. Assim, reconhecendo no seu próprio sofrimento, os sofrimentos infinitos desses seres vivos, o bodhisattva contempla correctamente esses seres vivos e resolve curar todas os enfermidades. Como para esses seres vivos, não há nada a ser aplicado, não há nada para ser removido; a pessoa só tem que lhes ensinar o Dharma para eles perceberem a base do qual as enfermidades surgem. Qual é esta base? É a percepção-objecto.

Assim que esses objectos aparentes são percebidos, eles são a base das enfermidades. Que coisas são percebidas como objectos?

São percebidos os três reinos da existência, como objectos. Qual é a compreensão completa do objecto básico, aparente? É a sua não percepção como objecto não existente. O que é não percepção? É o sujeito interno e o objecto externo não percebidos dualísticamente. Então, é chamado não percepção.

"Manjusri, assim deve um bodhisattva doente controlar a sua própria mente para superar a velhice, doença, morte, e nascimento. Tal, Manjusri, é a doença do bodhisattva. Se considerar de outro modo, todos os seus esforços serão em vão. Por exemplo, a pessoa é chamada 'o herói' quando a pessoa conquista as misérias do envelhecer, da doença, e da morte.

"O bodhisattva doente deve dizer a si mesmo: 'Da mesma maneira que a minha doença é irreal e inexistente, assim as enfermidades de todos os seres vivos são irreais e inexistentes.' Por tais considerações, ele desperta a grande compaixão para todos os seres vivos sem entrar em qualquer compaixão sentimental. A grande compaixão que se esforça para eliminar as paixões acidentais, não concebe qualquer vida nos seres vivos. Porquê? Porque a grande compaixão que cai na concepção de propósitos sentimentais, unicamente esgota o bodhisattva nas suas reencarnações. Mas a grande compaixão que é livre do envolvimento de percepções com propósitos sentimentais, não esgota o bodhisattva em todas as suas reencarnações. Ele não reencarna pelo envolvimento com tais percepções, mas reencarna com a sua mente livre de envolvimento. Consequentemente, até mesmo a reencarnação dele, é como uma libertação. Sendo reencarnado como estando liberto, ele tem o poder e habilidade para ensinar o Dharma que liberta os seres vivos da escravidão deles. Como declara o Senhor: 'Não é possível para quem está amarrado a si mesmo, salvar outros da sua escravidão. Mas o que se libertou, pode libertar outros da sua escravidão.' Então, o bodhisattva deve participar da liberação e não deve participar da escravidão.

"O que é escravidão? E o que é libertação? Entregar-se à libertação do mundo sem empregar técnicas libertadoras é escravidão para o bodhisattva. Ocupar-se da vida do mundo com o emprego total de técnicas libertadoras, é libertação para o bodhisattva. Experimentar o gosto da contemplação, meditação, e concentração sem habilidade em técnicas libertadoras é escravidão. Experimentar o gosto da contemplação e meditação com habilidade em técnicas libertadoras é libertação. Sabedoria não integrada com técnicas libertadoras é escravidão, mas sabedoria integrada com técnicas libertadoras é libertação. Técnica libertadora não integrada com sabedoria é escravidão, mas técnica libertadora integrada com sabedoria é libertação.

"Como é que a sabedoria não integrada com técnicas de libertação, é uma escravidão? A sabedoria não integrada com técnicas libertadoras, consiste, na concentração sobre a vacuidade, carência de sinais, e carência de desejos, e ainda, estando incentivado através da compaixão sentimental, o fracasso em concentrar-se no cultivo dos sinais e marcas auspiciosas, no adorno do campo-Buda, e no trabalho de desenvolvimento dos seres vivos, é escravidão.

"Como é que a sabedoria, integrada com técnicas libertadoras é uma libertação? A sabedoria, integrada com técnicas libertadoras consiste em ser incentivada pela grande compaixão e assim a concentração no cultivo dos sinais e marcas auspiciosas, no adorno do campo- Buda, e no trabalho de desenvolvimento dos seres vivos, concentrando todo o tempo na profunda investigação da vacuidade, carência de sinais e carência de desejos, - e isso é libertação.

"O que é a escravidão da técnica libertadora não integrada com a sabedoria? A escravidão da técnica libertadora não integrada com a sabedoria consiste na plantação, pelo bodhisattva, de raízes de virtudes sem os dedicar à causa da iluminação, enquanto vive no aperto das convicções dogmáticas, paixões, apegos, ressentimentos, e nos seus instintos subconscientes.

"O que é a libertação da técnica libertadora integrada com a sabedoria? A libertação da técnica libertadora integrada com a sabedoria consiste na dedicação dos bodhisattvas, nas suas raízes de virtude pela causa da iluminação, sem ter algum orgulho nisso, enquanto renunciam a todas as convicções, paixões, apegos, ressentimentos, e aos seus instintos subconscientes.

"Manjusri, assim deve o bodhisattva doente considerar as coisas. A sabedoria dele é a consideração do corpo, mente, e doença como impermanente, miserável, vazio, e sem eu. A sua técnica de libertação consiste em não se esvaziar tentando evitar todas as enfermidades físicas, e na aplicação de si mesmo realizar o benefício dos seres vivos, sem interromper o ciclo de reencarnações. Além disso, a sua falsa sabedoria, e entendimento, que o corpo, mente, e doença não são novos nem velhos, mas simultaneamente sequenciais. E a sua falsa técnica de libertação, não procurando a cessação do corpo, mente, ou enfermidades.

"Isto, Manjusri, é o modo como um bodhisattva doente deve concentrar a sua mente; ele não deve viver nem a controlar nem a favorecer a sua mente. Porquê? Viver favorecendo a mente, é próprio para os bobos e viver a controlar a mente é próprio para os discípulos. Então, o bodhisattva nem deveriam viver a controlar nem a favorecer a sua mente. Não vivendo em qualquer um do dois extremos é o domínio do bodhisattva.

"O não domínio do indivíduo comum e o não domínio do santo, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio do mundo contudo não é o domínio das paixões, tal é o domínio do bodhisattva. Onde a pessoa entendeu o sentido de libertação, e contudo, não entrou na final e completa libertação, aí é o domínio do bodhisattva.

Onde os quatro Maras se manifestam, e desde que sejam transcendidos todos os trabalhos de Mara, aí é o domínio do bodhisattva.

Onde a pessoa busca a gnose da omnisciência, e desde que não alcance essa gnose no momento errado, aí é o domínio do bodhisattva.

Onde a pessoa sabe as Quatro Verdades Santas, e desde que não perceba essas verdades no momento errado, aí é o domínio do bodhisattva.

Um domínio de perspicácia introspectiva, em que a pessoa não detém a reencarnação voluntária no mundo, tal é o domínio do bodhisattva.

Um domínio onde a pessoa percebe o não nascimento, e ainda não está destinado à iluminação, tal é o domínio do bodhisattva.

Onde a pessoa vê relatividade sem entreter qualquer convicção, aí é o domínio do bodhisattva.

Onde a pessoa se associa com todos os seres, e contudo mantém-se livre de todos os instintos de aflição, aí há o domínio do bodhisattva.

Um domínio de solidão sem lugar para o esgotamento de corpo e da mente, tal é o domínio do bodhisattva. O domínio do mundo triplo, contudo indivisível do último reino, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio da vacuidade, onde a pessoa cultiva todos os tipos de virtudes, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio da carência de sinais, onde a pessoa detém a visão da libertação de todos os seres vivos, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio do não apego, onde alguém voluntariamente manifesta as vidas no mundo, tal é o domínio do bodhisattva.

"Um domínio essencialmente sem empreender, onde são empreendidas todas as raízes de virtude sem interrupção, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio das seis transcendências onde a pessoa atinge a transcendência dos pensamentos e acções de todos os seres vivos, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio dos seis super conhecimentos, onde as corrupções não são esgotadas, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio de viver pelo Dharma santo, sem até mesmo perceber qualquer caminho mau, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio dos quatro incomensuráveis onde a pessoa não aceita o renascimento no céu de Brahma, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio das seis recordações, não afectado por qualquer tipo de corrupção, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio da contemplação, meditação, e concentração onde a pessoa não reencarna nos reinos informes por meio destas meditações e concentrações, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio dos quatro esforços correctos onde a dualidade de bem e mal não é apreendida, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio das quatro bases dos poderes mágicos onde eles são dominados sem esforço, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio das cinco faculdades espirituais onde a pessoa conhece os graus das faculdades espirituais dos seres vivos, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio de viver com os cinco poderes onde a pessoa se encanta nos dez poderes do Tathagata, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio da perfeição dos sete factores de esclarecimento onde a pessoa é qualificada no conhecimento das distinções intelectuais boas, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio do santo óctuplo caminho onde a pessoa se encanta no caminho ilimitado do Buda, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio do cultivo da aptidão para a quietude mental e análise transcendental onde a pessoa não entra em quietismo extremo, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio da realização da natureza não nascida, de todas as coisas, além da perfeição do corpo, dos sinais e marcas auspiciosas, e dos ornamentos do Buda, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio de manifestar as atitudes dos discípulos e os sábios solitários sem sacrificar as qualidades do Buda, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio da conformidade para todas as coisas totalmente puras em natureza enquanto manifestando um comportamento que se ajusta às inclinações de todos os seres vivos, tal é o domínio do bodhisattva.

Um domínio onde a pessoa percebe que todos os campos-Buda são indestrutíveis e não criáveis, tendo a natureza do espaço infinito, onde a pessoa manifesta o estabelecimento das qualidades dos campos-Buda em toda a sua variedade e magnitude, tal é o domínio do bodhisattva.

O domínio onde a pessoa vira a roda do Dharma santo e manifesta a magnificência da última libertação, nunca abandonando a carreira do bodhisattva, tal é o domínio do bodhisattva!"

Quando Vimalakirti terminou este discurso, oito mil deuses que estavam na companhia do príncipe coroado Manjusri conceberam o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito.

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6. A libertação inconcebível



De seguida o venerável Shariputra teve este pensamento: “Não há nem mesmo uma única cadeira nesta casa. Onde estes discípulos e bodhisattvas se vão sentar?"

O Licchavi Vimalakirti leu o pensamento do venerável Shariputra e disse, "Reverendo Shariputra, você veio aqui por causa do Dharma? Ou você veio aqui por causa de uma cadeira?"

Shariputra respondeu, "Eu vim por causa do Dharma, não por causa de uma cadeira."

Vimalakirti continuou, "Reverendo Shariputra, aquele que está interessado no Dharma não está nem sequer interessado no próprio corpo dele, muito menos numa cadeira.

Reverendo Shariputra, aquele que está interessado no Dharma não tem nenhum interesse em assuntos, sensação, intelecto, motivação, ou consciência. Ele não tem nenhum interesse nestes agregados, ou nos elementos, ou nos sentidos.

Se está interessado pelo Dharma, ele não tem nenhum interesse no reino do desejo, no reino dos assuntos, ou no reino imaterial.

Se está interessado pelo Dharma, ele não está interessado em apegos para o Buda, apegos para o Dharma, ou apegos para o Sangha.

Reverendo Shariputra, aquele que está interessado no Dharma não está interessado em reconhecer sofrimento, abandonando a sua origem, percebendo a sua cessação, ou praticando o caminho.

Porquê? O Dharma é no final de contas sem formulação e sem verbalização.

Quem verbaliza: 'O sofrimento deve ser reconhecido, a origem deve ser eliminada, a cessação deve ser percebida, o caminho deve ser praticado', não está interessado no Dharma mas está interessado na verbalização.

"Reverendo Shariputra, o Dharma é tranquilo e calmo. Esses que estão comprometidos em produção e destruição não estão interessados no Dharma, não estão interessado em solidão, mas estão interessado em produção e destruição.

"Além disso, reverendo Shariputra, o Dharma é sem mancha e livre de corrupção.

Aquele que está preso a qualquer coisa, até mesmo à libertação, não está interessado no Dharma mas está interessado na mancha do desejo.

O Dharma não é um objecto. Aquele que procura objectos não está interessado no Dharma mas está interessado em objectos.

O Dharma é sem aceitação ou rejeição.

Aquele que se agarra às coisas ou se deixa guiar pelas coisas não está interessado no Dharma mas está interessado em segurar e deixar-se guiar pelas coisas.

O Dharma não é um refúgio seguro.

Aquele que desfruta um refúgio seguro não está interessado no Dharma mas está interessado num refúgio seguro.

O Dharma é sem sinais. Aquele a quem a consciência procura sinais, não está interessado no Dharma mas está interessado em sinais.

O Dharma não é uma sociedade. Aquele que busca associar-se com o Dharma não está interessado no Dharma mas está interessado em associação.

O Dharma não é um ponto de vista, um som, uma categoria, ou uma ideia.

Aquele que está envolvido em pontos de vista, sons, categorias e ideias, não está interessado no Dharma mas está interessado em pontos de vista, sons, categorias, e ideias.

Reverendo Shariputra, o Dharma está livre de coisas compostas e de coisas não compostas.

Aquele que adere a coisas compostas e a coisas não compostas não está interessado no Dharma mas está interessado em aderir a coisas compostas e a coisas não compostas.

"Assim, reverendo Shariputra, se você estiver interessado no Dharma, você não deve interessar-se por coisa alguma."

Quando Vimalakirti terminou este discurso, quinhentos deuses obtiveram a pureza do olho do Dharma, que vê todas as coisas.

Então, o Licchavi Vimalakirti disse ao príncipe coroado, Manjusri, "Manjusri, você já esteve em inumeráveis, centenas de milhares de campos-Buda, ao longo dos universos das dez direcções. Em qual campo-Buda, você viu os melhores tronos de leão, com as melhores qualidades?"

Manjusri respondeu, “Nobre senhor, se a pessoa cruzar os campos-Buda no leste, os quais são mais numerosos que todos os grãos de areia de trinta e dois Rios de Ganges, a pessoa descobrirá um universo chamado Merudhvaja. Lá, mora um Tathagata chamado Merupradiparaja. O corpo dele mede oitenta e quatro centenas de milhares de léguas de altura, e a altura do trono dele é sessenta e oito centenas de milhares de léguas. Os bodhisattvas tem quarenta e duas centenas de milhares de léguas de altura e os seus tronos são trinta e quatro centenas de milhares de léguas de altura. Nobre senhor, o melhor e o maior dos soberbos tronos, existe naquele universo Merudhvaja que é o campo-Buda do Tathagata Merupradiparaja."

Naquele momento, o Licchavi Vimalakirti, tendo-se focalizado em concentração, executou um feito milagroso tal que o Senhor Tathagata Merupradiparaja, no universo Merudhvaja, enviou para este universo trinta e duas centenas de milhares de tronos. Estes tronos eram tão altos, espaçosos, e bonitos que os bodhisattvas, grandes discípulos, Sakras, Brahmas, Lokapalas, e outros deuses, nunca tinham antes, visto igual. Os tronos desceram do céu e vieram pousar na casa do Licchavi Vimalakirti. As trinta e duas centenas de milhares de tronos distribuíram-se sem se aglomerarem, e a casa parecia aumentar-se adequadamente. A grande cidade de Vaisali não se tornou obscurecida; nem a terra de Jambudvipa, (ou "terra das árvores de jambu", esta é uma terra povoada por pessoas com karma muito ruim) nem o mundo dos quatro continentes.

Tudo parecia justamente como estava antes.

Então, o Licchavi Vimalakirti disse ao jovem príncipe Manjusri, "Manjusri, deixe que os bodhisattvas se sentem nestes tronos, depois de ter transformado os seus corpos a um tamanho satisfatório!"

Então, os bodhisattvas que tinham atingido o super conhecimento transformaram os seus corpos a uma altura de quarenta e duas centenas de milhares de léguas e sentaram-se nos tronos. Mas os bodhisattvas principiantes não se puderam transformar e sentar-se nos tronos. Então, o Licchavi Vimalakirti deu a estes bodhisattvas principiantes um ensinamento que lhes permitiu atingir os cinco super conhecimentos, e tendo-os atingido, eles transformaram os seus corpos numa altura de quarenta e duas centenas de milhares de léguas e sentaram-se nos tronos.

Mas ainda os grandes discípulos não podiam sentar-se nos tronos.

O Licchavi Vimalakirti disse ao venerável Shariputra, "Reverendo Shariputra, tome o seu assento num dos tronos."

Ele respondeu, “Bom senhor, os tronos são muito grandes e muito altos, e eu não me posso sentar neles."

Vimalakirti disse, "Reverendo Shariputra, curve-se perante o Tathagata Merupradiparaja, e você poderá tomar o seu assento."

Então, os grandes discípulos curvaram-se diante do Tathagata Merupradiparaja e sentaram-se nos tronos.

Então, o venerável Shariputra disse ao Licchavi Vimalakirti, “Nobre senhor, é surpreendente como estes milhares de tronos, tão grandes e tão altos, se ajustam dentro duma pequena casa e que a grande cidade de Vaisali, as aldeias, cidades, reinos, capitais de Jambudvipa, os outros três continentes, os domicílios dos deuses, dos nagas, dos yakshas, dos gandharvas, dos asuras, dos garudas, dos kimnaras, e dos mahoragas - que todos eles apareçam sem qualquer obstáculo, da mesma forma como estavam antes!"

O Licchavi Vimalakirti respondeu, "Reverendo Shariputra, para os Tathagatas e os bodhisattvas, há uma libertação chamada 'Inconcebível.' O bodhisattva que vive na libertação inconcebível pode pôr o rei das montanhas, Sumeru, que é tão alto, tão grande, tão nobre, e tão vasto dentro de uma semente de mostarda. Ele pode executar este feito sem aumentar a semente de mostarda e sem encolher o Monte Sumeru. E as deidades da assembleia dos quatro Marajás e dos céus de Trayastrimsa, nem mesmo eles, sabem onde estão.

Só esses seres que estão destinados para serem disciplinados através de milagres vêem e entendem, o pôr, o rei das montanhas Sumeru, na semente de mostarda; que, reverendo Shariputra é uma entrada no domínio da libertação inconcebível dos bodhisattvas.

"Além disso, reverendo Shariputra, o bodhisattva que vive na libertação inconcebível pode verter por um único poro da sua pele, todas as águas dos quatro grandes oceanos, sem prejudicar os animais das águas, como os peixes, tartarugas, crocodilos, rãs, e outras criaturas, e sem os nagas, yakshas, gandharvas, estarem conscientes de onde eles estão. E a operação inteira é visível sem qualquer dano ou perturbação para quaisquer desses seres vivos.

"Tal bodhisattva pode alcançar com a sua mão direita este universo de biliões de mundos galácticos como se fosse a roda de um oleiro, e girando este círculo, o lance além de universos tão numerosos quanto as areias da Ganges, sem que os seres vivos saibam o seu movimento ou origem, e ele pode tomar tudo isto e repor no seu lugar, sem que os seres vivos suspeitem da sua vinda e ida; e sendo ainda, a operação inteiramente visível.

"Além disso, reverendo Shariputra, há seres que são disciplinados depois de um imenso período de evolução, e também há os que são disciplinados depois de um período curto de evolução. O bodhisattva que vive na libertação inconcebível, por causa de disciplinar esses seres vivos, que são disciplinados por períodos imensuráveis de evolução, podem fazer o transcurso de uma semana, parecer como o transcurso de uma eternidade, e ele pode fazer o transcurso de uma eternidade, parecer como o transcurso de uma semana, para esses que são disciplinados, por um período curto de evolução. Os seres vivos que são disciplinados de facto, por um período imensurável de evolução, percebem uma semana como sendo o transcurso de uma eternidade, e os que disciplinaram de facto, por um período curto de evolução percebem uma eternidade como sendo o transcurso de uma semana.

"Assim, um bodhisattva que vive na libertação inconcebível pode manifestar todos os esplendores das virtudes de todos os campos-Buda dentro de um único campo-Buda.

Ele pode igualmente colocar todos os seres vivos na palma da sua mão direita e pode mostrar para eles, com a velocidade sobrenatural do pensamento, todos os campos-Buda sem deixar o seu próprio campo-Buda.

Ele pode exibir num único poro todos os oferecimentos feitos a todos os Buddhas das dez direcções, e os orbes de todos os sóis, luas, e estrelas das dez direcções.

Ele pode inalar todos os furacões dos ventos das atmosferas cósmicas das dez direcções na sua boca sem prejudicar o seu próprio corpo e sem deixar que as florestas e as gramas dos campos-Buda sejam esmagados.

Ele pode tomar todas as massas de fogo de todas as supernovas que por ultimo consomem todos os universos de todos os campos-Buda, no seu estômago e sem interferir com as suas funções. Tendo cruzado campos-Buda tão numeroso quanto as areias do Ganges descendente, e tendo erguido um campo-Buda, ele pode alcança-lo através de campos-Buda tão numerosos quanto as areias do Ganges e coloca-lo bem alto, da mesma maneira que um homem forte pode apanhar uma folha de açofeifa na ponta de uma agulha.

"Assim, um bodhisattva que vive na libertação inconcebível, pode, magicamente transformar qualquer tipo de ser vivo, num monarca universal, num Lokapala, num Sakra, num Brahma, num discípulo, num sábio solitário, num bodhisattva, e até mesmo num Buda. O bodhisattva pode transformar todos os gritos e barulhos, superior, medíocre, e inferior, milagrosamente de todos os seres vivos das dez direcções, na voz do Buda, com as palavras do Buda, do Dharma, e do Sangha, tendo-os proclamado, 'Impermanente! Miserável! Vazio! Sem eu!' E ele pode faze-los recitar as palavras e sons de todos os ensinamentos ensinados por todos os Buddhas das dez direcções.

"Reverendo Shariputra, eu mostrei-lhe só uma pequena parte da entrada no domínio do bodhisattva que vive na libertação inconcebível. Reverendo Shariputra, explicar-lhe o ensinamento completo da entrada no domínio do bodhisattva que vive na libertação inconcebível requeria mais que um éon, e até mesmo mais que isso."

Então, o patriarca Maha-Kasyapa, tendo ouvido este ensinamento da libertação inconcebível dos bodhisattvas, estava pasmado, e disse ao venerável Shariputra, “Venerável Shariputra, se alguém fosse mostrar uma variedade de coisas a uma pessoa cega de nascença, ela não seria capaz de ver uma única coisa. Igualmente, venerável Shariputra, quando esta porta da libertação inconcebível é ensinada, todos os discípulos e sábios solitários estão obscurecidos, como a cegueira do homem de nascença, e não podem compreender uma única causa da libertação inconcebível. Quem de entre os que ouvem falar desta libertação inconcebível, não concebe o espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito? Como para nós, aquelas faculdades estão deterioradas, como uma semente queimada e podre, que mais podemos nós fazer, que não seja ficarmos receptivos a este grande veículo? Todos nós, discípulos e sábios solitários, ao ouvir este ensino do Dharma, deveríamos proferir um grito de arrependimento que tremesse este universo de biliões de mundos galácticos! E para os bodhisattvas, quando eles ouvem falar desta libertação inconcebível, eles devem ser tão jubilosos, como quando um jovem príncipe coroado leva o diadema e é ungido, eles deveriam aumentar a extrema devoção deles, para esta libertação inconcebível. Realmente, o que podem as inteiras hostes de Mara fazerem, a quem é dedicado a esta libertação inconcebível?"

Quando o patriarca Maha-Kasyapa acabou de proferir este discurso, trinta e dois mil deuses conceberam o espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito.

Então o Licchavi Vimalakirti disse ao patriarca Maha-Kasyapa, "Reverendo Maha-Kasyapa, os Maras que se divertem com o mal nos inumeráveis universos das dez direcções são todos os bodhisattvas que residem na libertação inconcebível, que se estão divertindo com o mal para desenvolverem os seres vivos nas habilidades das suas técnicas de libertação. Reverendo Maha-Kasyapa, todos os mendigos miseráveis que vêm aos bodhisattvas dos inumeráveis universos das dez direcções para pedir uma mão, um pé, uma orelha, um nariz, um pouco de sangue, músculos, ossos, medula, um olho, um torso, uma cabeça, um membro, um sócio, um trono, um reino, um país, uma esposa, um filho, uma filha, um escravo, uma escrava menina, um cavalo, um elefante, uma carruagem, um carro, ouro, prata, jóias, pérolas, conchas, cristal, coral, berilo, tesouros, comida, bebida, elixires, e roupas - estes mendigos exigentes, normalmente são bodhisattvas que vivem na libertação inconcebível que, pelas suas habilidades em técnicas de libertação, desejam testar e assim demonstrar a firmeza da alta resolução dos bodhisattvas. Porquê? Reverendo Maha-Kasyapa, os bodhisattvas demonstram aquela firmeza por meio de terríveis austeridades. As pessoas comuns não têm nenhum poder para estar exigindo assim dos bodhisattvas, a menos que lhes sejam concedidas oportunidades. Eles não são capazes de matar e privar de tal modo sem que lhes dêem livremente a oportunidade.

"Reverendo Maha-Kasyapa, da mesma maneira que um pirilampo não pode eclipsar a luz do sol, assim reverendo Maha-Kasyapa, não é possível sem especial permissão, uma pessoa comum poder atacar e assim privar um bodhisattva. Reverendo Maha-Kasyapa, da mesma maneira que um burro não pode fazer um ataque a um elefante selvagem, também assim, reverendo Maha-Kasyapa, alguém que não é um bodhisattva não pode molestar outro bodhisattva, e só um bodhisattva pode tolerar o molestamento de outro bodhisattva. Reverendo Maha-Kasyapa, tal é a introdução ao poder do conhecimento das técnicas de libertação dos bodhisattvas que vivem na libertação inconcebível."



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7. A deusa



De seguida, Manjusri, o príncipe coroado, dirigiu-se ao Licchavi Vimalakirti: “Bom Senhor, como deve um bodhisattva considerar todos os seres vivos?"

Vimalakirti respondeu, "Manjusri, um bodhisattva deve considerar todos os seres vivos como os homem sábios consideram a reflexão da lua na água ou como os mágicos consideram os homens criados por magia.

Ele deve considera-los como um rosto num espelho;

como a água de uma miragem;

como o som de um eco;

como uma massa de nuvens no céu;

como o momento prévio de uma bola de espuma;

como o aparecimento e o desaparecimento de uma bolha de água;

como o núcleo de uma bananeira;

como um raio de luz;

como o quinto grande elemento;

como o sétimo sentido;

como o aparecimento da matéria num reino imaterial;

como um rebento de uma semente podre;

como um casaco de pêlo de tartaruga;

como a diversão de jogos para quem deseja morrer;

como as visões egoístas de um fluxo vencedor;

como o terceiro renascimento do que retorna uma vez;

como a descida do que não retorna num útero;

como a existência do desejo, ódio, e loucura num santo;

como pensamentos de avareza, imoralidade, maldade, e hostilidade num bodhisattva que atingiu a tolerância;

como os instintos de paixões num Tathagata;

como a percepção da cor num cego de nascença;

como a inalação e exalação de um asceta absorto na meditação da cessação;

como o rasto de um pássaro no céu;

como a erecção de um castrado;

como a gravidez de uma mulher estéril;

como as paixões não produzidas de uma encarnação emanadas do Tathagata;

como sonhar visões, vistas depois, de se despertar;

como as paixões de alguém que está livre de conceptualizações;

como o fogo que arde sem combustível;

como a reencarnação de quem obteve a suprema libertação.

"Precisamente assim, Manjusri, faz um bodhisattva que realiza o supremo não eu e considera todos os seres."

Manjusri perguntou então de seguida, "Nobre senhor, se um bodhisattva considera todos os seres vivos de tal modo, como gera ele o grande amor para eles?"

Vimalakirti respondeu, "Manjusri, quando um bodhisattva considera todos os seres vivos deste modo, ele pensa: 'Da mesma maneira que eu percebi o Dharma, assim eu o devo ensinar aos seres vivos.'

Assim, ele gera o amor que verdadeiramente é um refúgio para todos os seres vivos;

o amor que é tranquilo porque é livre do apego;

o amor que não é febril, porque é livre de paixões;

o amor que outorga com realidade porque é equânime em todas os três tempos;

o amor que é sem conflito porque está livre da violência das paixões;

o amor que é não dual porque não é envolvido com o externo nem com o interno;

o amor que é imperturbável porque é totalmente supremo.

"Assim, ele gera o amor que é firme, forte, de decisão indestrutível como um diamante;

o amor que é puro, purificado na sua natureza intrínseca;

o amor que é uniforme, sendo igual nas suas aspirações;

o amor do santo que eliminou os seus inimigos;

o amor do bodhisattva que continuamente desenvolve os seres vivos;

O amor dos Tathagatas que entende a realidade;

o amor do Buda que faz os seres vivos despertar do sono deles;

o amor que é espontâneo porque está espontaneamente completamente iluminado;

o amor que é esclarecimento porque é unidade da experiência;

o amor que não tem nenhuma presunção porque eliminou o apego e a aversão;

o amor que é a grande compaixão porque infunde o Mahayana com brilho radiante;

o amor que nunca se esgota porque reconhece o vazio e a abnegação;

o amor que é dar, porque confere o presente do Dharma livre do punho apertado de um professor ruim;

o amor que é moralidade porque melhora os seres vivos imorais;

o amor que é tolerância porque se protege a si mesmo e os outros;

o amor que é esforço porque assume a responsabilidade por todos os seres vivos;

o amor que é contemplação porque se abstém da indulgência nos gostos;

o amor que é sabedoria porque provoca o conhecimento no momento apropriado;

o amor que é técnica libertadora porque mostra o caminho em qualquer lugar;

o amor que é sem formalidade porque é puro em motivação;

o amor que é sem desvios porque actua desde a motivação decisiva;

o amor que é, grande decisão, porque é sem paixões;

o amor que é sem engano porque não é artificial;

o amor que é felicidade porque introduz os seres vivos na felicidade do Buddha.

Tal, Manjusri, é o grande amor de um bodhisattva."

Manjusri: O que é a grande compaixão de um bodhisattva?

Vimalakirti: É o dar todas as raízes acumuladas de virtudes a todos os seres vivos.

Manjusri: O que é a grande alegria do bodhisattva?

Vimalakirti: É ser jovial e dar sem arrependimento.

Manjusri: O que é a equanimidade do bodhisattva?

Vimalakirti: É o que beneficia a si mesmo e os outros.

Manjusri: A quem se deve recorrer quando assombrado pelo medo da vida?

Vimalakirti: Manjusri, um bodhisattva que está apavorado pelo medo da vida deve recorrer à magnanimidade do Buda.

Manjusri: Onde deve, o que deseja recorrer à magnanimidade do Buda, tomar o seu apoio?

Vimalakirti: Ele deve apoiar-se na equanimidade para todos os seres vivos.

Manjusri: Onde deve o que deseja apoiar-se na equanimidade para todos os seres vivos tomar o seu apoio?

Vimalakirti: Ele deve viver para a libertação de todos os seres vivos.

Manjusri: O que deve o que deseja libertar todos os seres vivos fazer?

Vimalakirti: Ele deve liberta-los das paixões deles.

Manjusri: Como deve o que deseja eliminar paixões aplicar-se a si mesmo?

Vimalakirti: Ele deve aplicar-se adequadamente a si mesmo.

Manjusri: Como deve ele aplicar-se a si mesmo, para "aplicar-se a si mesmo adequadamente?"

Vimalakirti: Ele deve aplicar-se a si mesmo à não produção e à não destruição.

Manjusri: O que não é produzido? E o que não é destruído?

Vimalakirti: Mal é não produzido e bem é não destruído.

Manjusri: Qual é a raiz de bem e do mal?

Vimalakirti: A materialidade é a raiz do bem e do mal.

Manjusri: Qual é a raiz da materialidade?

Vimalakirti: O desejo é a raiz de materialidade.

Manjusri: Qual é a raiz do desejo e do apego?

Vimalakirti: A construção irreal é a raiz do desejo.

Manjusri: Qual é a raiz da construção irreal?

Vimalakirti: O falso conceito é a sua raiz.

Manjusri: Qual é a raiz do falso conceito?

Vimalakirti: A falta de fundamento.

Manjusri: Qual é a raiz da falta de fundamento?

Vimalakirti: Manjusri, quando algo é infundado, como pode haver qualquer raiz? Então, são infundadas todas as coisas apoiadas na raiz.

Após isto, uma certa deusa que morava naquela casa, depois de ter ouvido este ensinamento do Dharma dos grandes e heróicos bodhisattvas, e estando deleitada, contente, e jubilosa, manifestou-se num corpo material e despejou sobre os grandes heróis espirituais, bodhisattvas, e os grandes discípulos, flores divinas. Quando as flores caíram nos corpos dos bodhisattvas, elas rolaram para o chão, mas quando elas caíram nos corpos dos grandes discípulos, eles aderiram a eles e não caíram. Os grandes discípulos sacudiram as flores e tentaram mesmo usar os seus poderes mágicos, mas as flores não caíram no chão. Então, a deusa disse ao venerável Shariputra, "Reverendo Shariputra, por que você sacode essas flores?"

Shariputra respondeu, "Deusa, estas flores não são próprias para pessoas religiosas e assim nós estamos tentando sacudi-las de nós."

A deusa disse, “Não diga, reverendo Shariputra. Porquê? Estas flores são realmente próprias! Porquê? Tais flores não têm nem pensamento construtivo nem discriminativo. Mas o ancião Shariputra tem pensamento construtivo e discriminativo.

"Reverendo Shariputra, a incongruência para os que renunciaram ao mundo, pela disciplina do Dharma correctamente ensinado, consiste no pensamento construtivo e na discriminação, contudo os anciões estão cheios de tais pensamentos. Os que estão sem tais pensamentos, estão sempre correctos.

"Reverendo Shariputra, veja como estas flores não aderem aos corpos destes grandes heróis espirituais, os bodhisattvas! Isto, é porque eles eliminaram pensamentos construtivos e discriminativos.

"Por exemplo, os espíritos maus têm poder sobre os homens medrosos, mas não podem perturbar o destemido. Igualmente, esses intimidados pelo medo do mundo estão no poder das formas, sons, cheiros, gostos, e texturas que não perturbam os que são livres do medo das paixões inerentes, no mundo construtivo. Assim, estas flores aderem aos corpos dos que não eliminaram os instintos das suas paixões e não aderem aos corpos dos que eliminaram os seus instintos. Então, as flores não aderem aos corpos destes bodhisattvas que abandonaram todos os instintos."

Então o venerável Shariputra disse à deusa, "Deusa, à quanto tempo você está nesta casa?"

A deusa respondeu, "Eu estou aqui, à tanto tempo quanto o ancião está em libertação."

Shariputra disse, "Então, você está nesta casa á bastante tempo?"

A deusa disse, ao ancião "Está o ancião em libertação à bastante tempo?"

Nesta altura, o ancião Shariputra calou-se.

A deusa continuou, "Ancião, você é 'o primeiro dos sábios!' Por que você não fala? Agora, que é sua vez, você não responde à pergunta."

Shariputra: Uma vez que a libertação é inexprimível, deusa, eu não sei o que dizer.

Deusa: Todas as sílabas pronunciadas pelo ancião têm a natureza de libertação. Porquê? Libertação não é nem interna nem externa, nem pode ser apreendida além dela. Igualmente, sílabas não são nem internas nem externas, nem elas podem ser apreendidas em qualquer outro lugar. Então, reverendo Shariputra, não aponte a libertação calando-se! Porquê? A libertação santa é a igualdade de todas as coisas!

Shariputra: Deusa, a libertação não é a liberdade do desejo, ódio, e ignorância?

Deusa: "Libertação é liberdade do desejo, ódio, e ignorância" que é o ensinamento dos excessivamente orgulhosos.

Mas aqueles livre de orgulho são ensinados que a mesma natureza do desejo, ódio, e ignorância é ela mesma, libertação.

Shariputra: Excelente! Excelente, deusa! Diga, o que você alcançou, e o que realizou, para ter tal eloquência?

Deusa: Eu não atingi nada, reverendo Shariputra. Eu não tenho nenhuma realização. Contudo eu tenho tal eloquência.

Quem pensa, "Eu atingi! Eu percebi!" está demasiado orgulhoso na disciplina do bem ensinado Dharma.

Shariputra: Deusa, você pertence ao veículo do discípulo, ao veículo solitário, ou ao grande veículo?

Deusa: Eu pertenço ao veículo do discípulo, quando ensino aos que precisam. Pertenço ao veículo solitário, quando ensino as doze ligações da origem dependente aos que precisam delas. E, uma vez que nunca abandono a grande compaixão, eu pertenço ao grande veículo, já que todos necessitam deste ensinamento para atingir a libertação suprema.

Não obstante, reverendo Shariputra, da mesma maneira que a pessoa não pode cheirar a planta do castor numa floresta de magnólias, mas só a flor da magnólia, assim, reverendo Shariputra, morando nesta casa que tem a fragrância do perfume das virtudes das qualidades-Buda a pessoa não cheira o perfume dos discípulos e os sábios solitários. Reverendo Shariputra, os Sakras, os Brahmas, os Lokapalas, os devas, nagas, yakshas, gandharvas, asuras, garudas, kimnaras, e mahoragas que moram nesta casa, têm conhecimentos do Dharma, da boca deste homem santo e atraídos pelo perfume das virtudes das qualidades-Buda, progridem para conceber o espírito da iluminação.

Reverendo Shariputra, estou nesta casa à doze anos, e nunca ouvi nenhum discurso relativo aos discípulos e sábios solitários, mas ouvi somente o relativo ao grande amor, à grande compaixão, e às qualidades inconcebíveis do Buda.

Reverendo Shariputra, oito coisas estranhas e maravilhosas constantemente se manifestam nesta casa. Quais são estas oito?

Uma luz de coloração dourada brilha aqui constantemente, de uma claridade tão luminoso que é difícil de distinguir dia e noite; e nem a lua nem o sol brilham aqui tão distintamente. Isto é a primeira maravilha desta casa.

Além disso, reverendo Shariputra, quem entra nesta casa já não é aborrecido pelas suas paixões, a partir do momento em que aqui entra. Esta é a segunda coisa estranha e maravilhosa.

Além disso, reverendo Shariputra, esta casa nunca é abandonada pelos Sakras, Brahmas, Lokapalas, e os bodhisattvas de todos os outros campos-Buda. Esta é a terceira coisa estranha e maravilhosa.

Além disso, reverendo Shariputra, esta casa nunca está vazia dos sons do Dharma, do discurso nas seis transcendências, e dos discursos da roda irreversível do Dharma. Esta é a quarta coisa estranha e maravilhosa.

Além disso, reverendo Shariputra, nesta casa sempre alguém ouve os ritmos, canções, e músicas dos deuses e dos homens, e desta música, constantemente ressoa o som do Dharma infinito do Buda. Esta é a quinta coisa estranha e maravilhosa.

Além disso, reverendo Shariputra, nesta casa há sempre quatro tesouros inesgotáveis, repletos com todos os tipos de jóias que nunca diminuem embora todos os pobres e miseráveis possam compartilha-las para sua satisfação. Esta é a sexta coisa estranha e maravilhosa.

Além disso, reverendo Shariputra, ao desejo deste homem bom, vêm para esta casa os inumeráveis Tathagatas das dez direcções, como os Tathagatas Shakyamuni, Amitabha, Aksobhya, Ratnasri, Ratnarcis, Ratnacandra, Ratnavyuha, Dusprasaha, Sarvarthasiddha, Ratnabahula, Simhakirti, Simhasvara, e assim sucessivamente; e quando eles vêm ensinam a porta do Dharma chamada os "Segredos dos Tathagatas" e depois partem. Esta é a sétima coisa estranha e maravilhosa.

Além disso, reverendo Shariputra, todos os esplendores dos domicílios dos deuses e todos os esplendores dos campos dos Buddhas brilham diante desta casa. Esta é a oitava coisa estranha e maravilhosa.

Reverendo Shariputra, estas oito coisas estranhas e maravilhosas são vistas nesta casa. Quem então, vendo tais coisas inconcebíveis, acreditaria no ensino dos discípulos?

Shariputra: Deusa, o que te impede de te transformares fora do teu estado feminino?

Deusa: Embora eu tenha buscado o meu "estado feminino" durante estes doze anos, eu não o encontrei ainda. Reverendo Shariputra, se um mágico fosse encarnar uma mulher por magia, você lhe perguntaria, o que a impede de se transformar fora do seu estado feminino?"

Shariputra: Não! Uma tal mulher realmente não existiria, assim o que estaria lá transformado?

Deusa: Justamente assim reverendo Shariputra, todas as coisas realmente não existem. Agora você pensaria, “O que impede alguém cuja natureza é a de uma encarnação mágica, de se transformar a ela mesma fora do seu estado feminino?"

Logo de seguida, a deusa empregou o seu poder mágico para fazer o ancião Shariputra aparecer na forma dela e fazer-se a si, aparecer na forma dele. Então a deusa, transformada em Shariputra, disse a Shariputra, transformado em deusa, "Reverendo Shariputra, o que o impede de se transformar fora de seu estado feminino?"

E Shariputra, transformado na deusa, respondeu, "Eu já não me apareço, na forma de um macho! Meu corpo mudou para o corpo de uma mulher! Eu não sei o que transformar!"

A deusa continuou, "Se o ancião se pudesse mudar novamente para fora do estado feminino, então todas as mulheres também poderiam mudar-se para fora dos estados femininos delas. Todas as mulheres aparecem na forma de mulheres do mesmo modo que o ancião aparece na forma de uma mulher. Enquanto elas não são mulheres na realidade, elas aparecem na forma de mulheres. Com isto em mente, o Buda disse, 'Em todas as coisas, não há nem masculino nem feminino.'"

Então, a deusa libertou o seu poder mágico e cada um voltou à sua forma original. Ela disse-lhe então,

"Reverendo Shariputra, como fez você, a sua forma feminina?"

Shariputra: Eu nem fiz nem desfiz.

Deusa: Justamente isso, todas as coisas nem são feitas nem são mudadas, e que elas não são feitas nem são mudados, esse é o ensinamento do Buda.

Shariputra: Deusa, onde você nascerá quando transmigrar depois da morte?

Deusa: Eu nascerei onde todas as encarnações mágicas do Tathagata nascem.

Shariputra: Mas as encarnações emanadas do Tathagata não transmigram nem eles são nascidos.

Deusa: Todas as coisas e seres vivos são o mesmo; eles não transmigram nem são nascidos!

Shariputra: Deusa, com que brevidade você alcançará o esclarecimento perfeito da Budeidade?

Deusa: Nessa altura, ancião serás dotado mais uma vez das qualidades de um indivíduo comum, então eu atingirei o esclarecimento perfeito da Budeidade.

Shariputra: Deusa, é impossível que eu deva ser dotado mais uma vez das qualidades de um indivíduo comum.

Deusa: Por isso, reverendo Shariputra, é impossível que eu deva atingir o esclarecimento perfeito de Budeidade! Porquê? Porque o esclarecimento perfeito apoia-se no impossível. Porque é impossível, ninguém atinge o esclarecimento perfeito de Budeidade.

Shariputra: Mas o Tathagata declarou: "Os Tathagatas que são tão numerosos quanto as areias da Ganges atingiram a Budeidade perfeita, estão atingindo a Budeidade perfeita, e irão atingir a Budeidade perfeita."

Deusa: Reverendo Shariputra, a expressão, "os Buddhas do passado, presente e futuro", é uma expressão convencional composta de um certo número de sílabas. Os Buddhas não são nem passado, nem presente, nem futuro.

O esclarecimento deles transcende os três tempos! Mas diz-me, ancião, você atingiu a santidade?

Shariputra: É alcançada, porque não há nenhum objectivo.

Deusa: Exactamente, há esclarecimento perfeito porque não há objectivo de esclarecimento perfeito.

Então o Licchavi Vimalakirti disse ao venerável ancião Shariputra, "Reverendo Shariputra, esta deusa já serviu noventa e dois milhões de bilhão de Buddhas.

Ela joga com o super conhecimento.

Ela verdadeiramente teve sucesso em todos os seus votos.

Ela ganhou a tolerância do não nascimento das coisas.

Ela realmente atingiu a irreversibilidade.

Ela pode viver onde quer que ela deseje em virtude do seu voto para desenvolver os seres vivos."



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8. A família dos Tathagatas



Então, o príncipe coroado Manjusri disse ao Licchavi Vimalakirti, “Nobre senhor, como segue o bodhisattva o caminho para atingir as qualidades do Buda?"

Vimalakirti respondeu, "Manjusri, quando o bodhisattva seguir o caminho errado, ele segue o caminho para atingir as qualidades do Buda."

Manjusri continuou, "Como segue o bodhisattva o caminho errado?"

Vimalakirti respondeu, "Mesmo que ele pratique os cinco pecados mortais, ele não sente malícia, violência, ou ódio.

Mesmo que ele entre nos infernos, ele permanece livre da toda a mancha das paixões.

Mesmo que ele entre nos estados dos animais, ele permanece livre da escuridão e ignorância.

Quando ele entrar nos estados dos asuras, ele permanece livre do orgulho, vaidade, e arrogância.

Quando ele entrar no reino do senhor da morte, ele acumula reservas da mérito e sabedoria.

Quando ele entrar nos estados da mobilidade e imaterialidade, ele não se dissolve nisso.

"Ele pode seguir os caminhos do desejo, contudo, ele fica livre do apego aos prazeres do desejo.

Ele pode seguir os caminhos do ódio, contudo, ele não sente nenhuma raiva por qualquer ser vivo.

Ele pode seguir os caminhos da loucura, contudo, ele já está consciente com a sabedoria da firme compreensão.

Ele pode seguir os caminhos da avareza, contudo, ele dá todas as coisas internas e externas, mesmo sem consideração pela sua própria vida.

Ele pode seguir os caminhos da imoralidade, contudo, vendo o horror das transgressões mesmo as mais leves, ele vive pelas práticas ascéticas e austeras.

Ele pode seguir os caminhos da maldade e da ira, contudo, ele permanece totalmente livre da malícia e vive por amor.

Ele pode seguir os caminhos da preguiça, contudo, os seus esforços são ininterruptos, como o seu esforço no cultivo das raízes da virtude.

Ele pode seguir os caminhos da distracção sensual, contudo, naturalmente concentrado a sua contemplação não é dissipada.

Ele pode seguir os caminhos da falsa sabedoria, contudo, tendo alcançado a transcendência da sabedoria, ele é especialista em todas as ciências mundanas e transcendentais.

"Ele pode mostrar os caminhos da sofisticação e contenção, contudo, ele sempre está consciente dos significados últimos e aperfeiçoou o uso das técnicas de libertação.

Ele pode mostrar os caminhos do orgulho, contudo, ele serve como uma ponte e uma escada de mão para todas as pessoas.

Ele pode mostrar os caminhos das paixões, contudo, ele é totalmente imparcial e naturalmente puro.

Ele pode seguir os caminhos de Mara, contudo, ele realmente não aceita a autoridade deles com respeito ao seu conhecimento das qualidades do Buda.

Ele pode seguir os caminhos dos discípulos, contudo, ele deixa os seres vivos ouvirem o ensinamento que não ouviram antes.

Ele pode seguir os caminhos dos sábios solitários, contudo, ele está inspirado com grande compaixão para desenvolver todos os seres vivos.

"Ele pode seguir os caminhos do pobre, contudo, ele tem na sua mão uma jóia da riqueza inesgotável.

Ele pode seguir os caminhos dos estropiados, contudo, ele é bonito e bem adornado com os sinais e marcas auspiciosas.

Ele pode seguir os caminhos dos de nascimento humilde, contudo, pela sua acumulação de reservas de mérito e sabedoria, ele nasce na família dos Tathagatas.

Ele pode seguir os caminhos do fraco, do feio, e do miserável, contudo, ele é bonito ao olhar, e o seu corpo é como o de Narayana.

"Ele pode manifestar aos seres vivos os caminhos do doente e do infeliz, contudo, ele conquistou completamente e transcendeu o medo da morte.

"Ele pode seguir os caminhos dos ricos, contudo, ele é sem cobiça e frequentemente reflecte a noção da impermanência.

Ele pode mostrar-se comprometido dançando com meninas do harém, contudo, ele racha a solidão, depois da ter cruzado o pântano do desejo.

Ele segue os caminhos do bobo e do incoerente, contudo, tendo adquirido o poder dos encantamentos, ele é adornado com variada eloqüência.

"Ele segue os caminhos do heterodoxo sem ficar heterodoxo.

Ele segue os caminhos do mundo inteiro, contudo, ele inverte todos os estados da existência.

Ele segue o caminho da liberação sem abandonar o progresso do mundo.

"Manjusri, assim faz o bodhisattva que segue os caminhos errados, seguindo assim o caminho das qualidades do Buda."

Então, o Licchavi Vimalakirti disse ao coroado príncipe Manjusri, "Manjusri, o que é 'a família dos Tathagatas?"

Manjusri respondeu, “Nobre senhor, a família dos Tathagatas consiste em todo o egoísmo básico;

na ignorância e na sede pela existência;

na luxúria, ódio, e loucura;

nos quatro mal entendidos, nas cinco ofuscações, nos seis sentidos, nos sete domicílios da consciência, nos oito falsos caminhos, nas nove causas da irritação, nos caminhos dos dez pecados.

Tal é a família dos Tathagatas. Em resumo, nobre senhor, os sessenta e dois tipos de convicções constituem a família dos Tathagatas!"

Vimalakirti: Manjusri, o que tens em mente quando dizes isso?

Manjusri: Nobre senhor, o que apoia a determinação da visão fixa do incriado não é capaz de conceber o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito. Porém, o que vive entre coisas criadas, nas minas das paixões, sem ver alguma verdade, realmente é capaz de conceber o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito.

Nobre senhor, flores como o lotus azul, o lotus vermelho, o lotus branco, o lírio-d'água, e o lírio da lua, não se desenvolvem no chão seco da selva, mas crescem nos pântanos e bancos de lama.

Assim, as qualidades-Buda não crescem certamente em seres vivos destinados para o incriado, mas crescem naqueles seres vivos que são como pântanos, lama e bancos de paixões.

Igualmente, assim como as sementes não crescem no céu mas crescem na terra, assim as qualidades-Buda não crescem naqueles determinados para o absoluto, mas crescem nos que concebem o espírito da iluminação, depois de terem produzido uma montanha como o Sumeru, de visões egoístas.

Nobre senhor, por estas considerações a pessoa pode entender que todas as paixões constituem a família dos Tathagatas.

Por exemplo, nobre senhor, sem sair do grande oceano, é impossível achar pérolas preciosas inestimáveis. Igualmente, sem entrar no oceano da paixões, é impossível obter a mente da omnisciência.

Então, o ancião Maha Kasyapa aplaudiu o príncipe coroado Manjusri: "Bem! Manjusri bem! Isto realmente é bem dito! Isto é correcto! As paixões constituem na realidade a família dos Tathagatas.

Como podemos nós, os discípulos, conceber o espírito da iluminação, ou tornarmo-nos completamente iluminados com respeito às qualidades do Buda?

Só os culpados dos cinco pecados mortais podem conceber o espírito da iluminação e podem atingir a Budeidade que é a realização completa das qualidades do Buda!

"Por exemplo, da mesma maneira que os cinco objectos do desejo não têm nenhum efeito ou impressão sobre os privados das suas faculdades, mesmo assim todas as qualidades do Buda não têm nenhuma impressão ou afectam os discípulos que abandonaram todas as aderências.

Assim, os discípulos nunca podem apreciar essas qualidades.

"Então, Manjusri, o indivíduo comum agradece ao Tathagata, mas os discípulos não agradecem.

Porquê? Os indivíduos comuns, ao aprender das virtudes do Buda, concebem o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito, para assegurar a continuidade ininterrupta da herança das Três Jóias; mas os discípulos, embora eles possam ouvir falar das qualidades, poderes, e não temeridades do Buda até o fim dos seus dias, não são capazes de conceber o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito."

De seguida, o bodhisattva Sarvarupasamdarsana que estava presente naquela assembleia dirigiu-se ao Licchavi Vimalakirti: "Dono da casa onde seu pai e mãe, suas crianças, sua esposa, seus criados, suas empregadas, seus trabalhadores, e seus criados estão? Onde seus amigos, seus parentes, e familiares estão? Onde seus criados, seus cavalos, seus elefantes, suas carruagens, seus guarda-costas, e seus mensageiros estão?"

Assim interrogado, o Licchavi Vimalakirti disse os seguintes versos ao bodhisattva Sarvarupasamdarsana:

Dos verdadeiros bodhisattvas,

A mãe é a transcendência da sabedoria,

O pai é a habilidade em técnicas de libertação;

Os Líderes nascem de tais pais.

As suas esposas são a alegria no Dharma,

Amor e compaixão são as suas filhas,

O Dharma e a verdade são os seus filhos;

E as suas habitações é o profundo pensamento do significado da vacuidade.

Todas as paixões são as suas discípulas,

Controladas à vontade.

Os seus amigos são as ajudas e esclarecimento;

Assim eles realizam a iluminação suprema.

Os seus companheiros, sempre com eles,

São as seis transcendências.

Os cônjuges deles são os meios de unificação,

A música deles é o ensino do Dharma.

Os encantamentos fazem o seu jardim,

Que floresce com as flores dos factores do esclarecimento,

Com árvores da grande riqueza do Dharma,

E frutas da gnose da libertação.

A piscina deles consiste nas oito libertações,

Cheia da água da concentração,

Coberto com os lotus das sete impurezas -

Quem toma banho ali fica imaculado.

Os seus titulares são os seis super conhecimentos.

O seu veículo é o inexcedível Mahayana,

O seu motorista é o espírito do esclarecimento,

E o caminho deles é a paz óctupla.

Os seus ornamentos são os sinais auspiciosos,

E as oitenta marcas;

A sua grinalda é a aspiração virtuosa,

E a suas roupa é a boa consciência e a consideração.

A sua riqueza é o santo Dharma,

E o seu negócio é o seu ensino,

A sua grande receita é a prática pura,

E é dedicada ao esclarecimento supremo.

A cama deles consiste nas quatro contemplações,

E a sua expansão é o puro sustento,

E o seu despertar consiste na gnose,

Que é a aprendizagem constante e a meditação.

A sua comida é a ambrosia dos ensinos,

E a sua bebida é o suco da libertação.

O seu banho é pura aspiração,

E moralidade o seu unguento e perfume.

Tendo conquistado as paixões inimigas,

Eles são os heróis invencíveis.

Tendo subjugado os quatro Maras,

Eles elevam o seu padrão no campo do esclarecimento.

Eles manifestam o nascimento voluntariamente,

E assim não nascem, nem são originados.

Eles brilham em todos os campos dos Buddhas,

Justamente como o sol nascente.

Embora eles adorem os Buddhas por milhões,

Com todo o oferecimento concebível,

Eles nunca residem na menor diferença

Entre os Buddhas e eles mesmos.

Eles viajam por todos os campos-Buda

Para trazer benefício aos seres vivos,

E ainda vêem esses campos como espaço vazio,

Livre de qualquer noção conceptual de “seres vivos."

Os bodhisattvas destemidos podem manifestar,

Tudo num único momento,

As formas, sons, e modos de comportamento

De todos os seres vivos.

Embora eles reconheçam as acções de Mara,

Eles podem dar-se bem até mesmo com este Mara

Porque tais atividades podem ser manifestadas

Por esses aperfeiçoados em técnica de libertação.

Eles jogam com manifestações ilusórias

Para desenvolver os seres vivos,

Mostrando-se a si mesmos, como velhos ou doente,

E manifestando as suas próprias mortes.

Eles demonstram o ardor da terra

Nas consumidoras chamas do fim do mundo,

Para demonstrar a impermanência

Para os seres vivos com a noção de estadia.

Convidados por centenas de milhares de seres vivos,

Todos no mesmo país,

Eles participam dos oferecimentos em todas as casas,

E dedicam tudo à causa da iluminação.

Eles superam em todas as ciências esotéricas,

E nas muitos diferentes artes,

E produzem a felicidade

De todos os seres vivos.

Dedicando-se eles mesmos como monges

Para todas as seitas estranhas do mundo,

Eles desenvolvem todos esses seres

Que se prenderam a visões dogmáticas.

Eles podem tornar-se sóis ou luas,

Indras, Brahmas, ou senhores de criaturas,

Eles podem tornarem-se fogo ou água

Ou terra ou vento.

Durante os curtos éons de moléstias,

Eles se tornam a melhor medicina santa;

Eles fazem os seres bons e felizes,

E provocam a sua libertação.

Durante os curtos éons de escassez,

Eles se tornam comida e bebida.

Tendo primeiro aliviado a sede e a fome,

Eles ensinam o Dharma aos seres vivos.

Durante os curtos éons de espadas,

Eles meditam no amor,

Apresentando a não violência

A centenas de milhões de seres vivos.

No meio de grandes batalhas

Eles permanecem imparciais a ambos os lados;

Para os bodhisattvas de grande força

Deleitam-se na reconciliação do conflito.

Para ajudar os seres vivos,

Eles voluntariamente descem

Aos infernos, que estão ligados

A todos os inconcebíveis campos-Buddha.

Eles manifestam as suas vidas

Em todas as espécies do reino animal,

Ensinando o Dharma em todos lugares.

Assim eles são chamados os "Líderes."

Eles exibem prazer sensual aos mundanos,

E transes ao meditativo.

Eles conquistam Mara completamente,

E não lhes permitem nenhuma possibilidade de prevalecer.

Da mesma maneira que pode ser mostrado, que um lotus

Não pode existir no centro de um fogo,

Assim eles mostram o último irrealismo

De prazeres e transes.

Eles se tornam cortesãs intencionalmente

Para ganhar os homens,

E, tendo-os pegado com o gancho do desejo,

Estabelecem-nos dentro da gnose-Buda.

Para ajudar os seres vivos,

Eles sempre se tornam os comandantes,

Capitães, padres, e ministros,

Ou até mesmo Primeiro Ministros.

Por causa dos pobres,

Eles se tornam tesouros inesgotáveis,

Procurando que, aos que dão os seus presentes

Concebam o espírito do esclarecimento.

Eles se tornam os campeões invencíveis,

Por causa da vaidade e do orgulhoso,

E, tendo conquistado todo seu orgulho,

Eles os iniciam na indagação da iluminação.

Eles sempre se erguem à frente

Dos terrificados pelo medo,

E, tendo-lhes conferido animo,

Eles os desenvolvem para a iluminação.

Eles se tornam grandes homens santos,

Com o super conhecimento e pura continência,

E assim induzem os seres vivos à moralidade

Da tolerância, bondade, e disciplina.

Aqui no mundo, eles sem medo contemplam

Os que são os mestres a serem servidos,

E eles se tornam seus criados ou escravos,

Ou os servem como seus discípulos.

Bem treinados em técnicas de libertação,

Eles demonstram em todas as atividades,

Quaisquer possibilidades, que possam ser os meios,

De fazer os seres se encantar no Dharma.

As suas práticas são infinitas;

E as suas esferas de influência são infinitas;

Tendo aperfeiçoado uma sabedoria infinita,

Eles libertam uma infinidade de seres vivos.

Até mesmo para os seus Buddhas,

Durante um milhão de eternidades,

Ou até mesmo cem milhões de eternidades,

Seria difícil de expressar todas as suas virtudes.

Com excepção de alguns seres vivos inferiores,

Sem qualquer inteligência de forma alguma

Qualquer pessoa com algum discernimento

Que, tendo ouvido este ensinamento,

Não desejaria a suprema iluminação?

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9. A porta do Dharma da não dualidade



Então, o Licchavi Vimalakirti perguntou àqueles bodhisattvas, “Bons senhores, por favor expliquem como os bodhisattvas entram na porta do Dharma da não dualidade!"

O bodhisattva Dharmavikurvana declarou, “Nobre senhor, produção e destruição são dois, mas o que não é produzido e não acontece não pode ser destruído. Assim a obtenção da tolerância do não nascimento das coisas é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Srigandha declarou, “ 'eu' e 'meu' são dois. Se não houver nenhuma presunção dum eu, não haverá nenhuma possessividade. Assim, a ausência de presunção é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Srikuta declarou," 'Corrupção' e 'purificação' são dois. Quando houver conhecimento completo da corrupção, não haverá nenhuma vaidade sobre a purificação. O caminho que conduz à conquista completa de toda a vaidade é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Bhadrajyotis declarou", 'Distracção' e 'atenção' são dois. Quando não houver nenhuma distracção, não haverá nenhuma atenção, nenhuma actividade mental, e nenhuma intensidade mental. Assim, a ausência de intensidade mental é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Subahu declarou, ” 'Espírito Bodhisattva' e 'espírito discípulo' são dois. Quando ambos são vistos para se assemelharem a um espírito ilusório, não há nenhum espírito bodhisattva, nem qualquer espírito discípulo. Assim, a uniformidade das naturezas dos espíritos é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Animisa declarou", 'Cobiça' e 'não cobiça' são dois. O que não é cobiça não é percebido, e o que não é percebido, nem não é presumido, nem é repudiado. Assim, a inacção e não envolvimento de todas as coisas são a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Sunetra declarou, “ 'Singularidade' e 'falta de caracter' são dois. Não presumir ou construir algo, não é; nem estabelecer a sua singularidade, nem estabelecer a sua falta de caracter. Penetrar a igualdade destes dois é entrar na não dualidade."

O bodhisattva Tisya declarou", 'Bom' e 'mau' são dois. Não buscando nem o bom, nem o mau, a compreensão da não dualidade, do significado e do sem sentido, é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Simha declarou", 'Perversidade' e 'não pecado' são dois. Por meio da sabedoria do diamante, que trespassa rápido, não estar preso ou libertado, é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Simhamati declarou, “Dizer, 'Isto é impuro' e 'isto é imaculado' traz dualidade. O que, atingindo a equanimidade, não forma nenhuma concepção de impureza ou imaculabilidade, e contudo, não está completamente sem concepção, tem equanimidade sem qualquer objectivo de equanimidade - ele entra na ausência dos laços conceptuais. Assim, ele entra na não dualidade."

O bodhisattva Suddhadhimukti declarou, “Dizer, 'Isto é felicidade' e 'Isto é miséria' é dualismo. O que está livre de todos os cálculos, pela pureza extrema da gnose - a mente dele é indiferente, como o espaço vazio; e assim ele entra na não dualidade."

O bodhisattva Narayana declarou, “Dizer, 'Isto é mundano' e 'isto é transcendental' é dualismo. Este mundo tem a natureza da vacuidade, assim não há nem transcendência nem envolvimento, nem progressão, nem paralisação. Assim, nem transcender nem ser envolvido, nem ir nem ficar - esta é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Dantamati declarou, “ ‘Vida' e 'libertação' é dualismo. Tendo visto a natureza da vida, nenhuma pessoa pertence a ela, nem é totalmente liberto dela. Tal compreensão é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Pratyaksadarsana declarou, "' Destrutível' e 'indestrutível' é dualismo. O que é destruído é finalmente destruído. O que é finalmente destruído, não se torna destruído; consequentemente, é chamado 'indestrutível.' O que é indestrutível é instantâneo, e o que é instantâneo é indestrutível. A experiência desta maneira, é chamada 'a entrada no princípio da não dualidade.'"

O bodhisattva Parigudha declarou, "' Eu' e 'carência de eu' é dualismo. Como a existência do eu não pode ser percebida, o que lá será feito 'sem eu?' Assim, o não dualismo da visão da natureza deles, é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Vidyuddeva declarou, "' Conhecimento' e 'ignorância' é dualismo. As naturezas da ignorância e do conhecimento são as mesmas, para a ignorância é indefinido, incalculável, e além da esfera do pensamento. A realização disto é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Priyadarsana declarou, "A matéria em si é vazia. A vacuidade não é o resultado da destruição da matéria, mas a natureza da matéria é ela mesma vazia. Então, falar de vacuidade por um lado, e de matéria, ou de sensação, ou de intelecto, ou de motivação, ou de consciência por outro - é totalmente dualismo.

A consciência é em si mesma vacuidade. Vacuidade não é o resultado da destruição da consciência, mas a natureza da consciência é ela mesma vacuidade. Tal entendimento dos cinco agregados compulsivos e o conhecimento deles, tal como, por meio da gnose é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Prabhaketu declarou, dizer que os quatro elementos principais são uma coisa, e o espaço, elemento etéreo, é outra, é dualismo. Os quatro elementos principais são a natureza de espaço. O próprio passado também é a natureza do espaço. O próprio futuro também é a natureza do espaço. Igualmente, o próprio presente também é a natureza do espaço. A gnose que penetra os elementos deste modo é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Pramati declarou, "' Olho' e 'forma' é dualismo. Entender o olho correctamente, e não ter apego, aversão, ou confusão com respeito à forma - isso é chamado 'paz.' Da mesma forma, 'orelha' e 'som,' 'nariz' e 'cheiro,' 'língua' e gosto', 'corpo' e toque', e 'mente' e 'fenómenos’ - todos são dualismo. Mas conhecer a mente, e não ser apegado, nem oposto, nem confuso com respeito aos fenómenos - isso é chamado 'paz.' Viver em tal paz, é entrar na não dualidade."

O bodhisattva Aksayamati declarou, "A dedicação da generosidade, como meio de atingir a omnisciência é dualismo. A natureza da generosidade é, em si, omnisciência, e a natureza de omnisciência, ela mesma, é dedicação total.

Igualmente, é dualismo dedicar moralidade, tolerância, esforço, meditação, e sabedoria, por causa da omnisciência. A omnisciência é a natureza da sabedoria, e a dedicação total é a natureza da omnisciência. Assim, a entrada neste princípio de singularidade é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Gambhiramati declarou, "É dualismo dizer que vacuidade é uma coisa, a carência de sinais, outra, e a carência de desejos ainda outra. O que é vazio não tem nenhum sinal. O que não tem nenhum sinal, não tem nenhum desejo. Onde não há nenhum desejo, não há nenhum processo de pensamento, mente, ou consciência. Ver as portas de todas as libertações na porta de uma libertação é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Santendriya declarou, "É dualidade dizer, “ 'O Buda,' 'Dharma,' e 'Sangha.' O Dharma é a natureza do Buda, o Sangha é a natureza do Dharma, e todos eles são não compostos. O não composto é espaço infinito, e os processos de todas as coisas são equivalentes ao espaço infinito. Ajustar tudo isto é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Apratihatanetra declarou, “ É dualidade referir-se a 'agregados’ e a 'cessação dos agregados.' Os agregados são cessação em si mesmos. Porquê? Os pontos de vista egoístas dos agregados, sendo eles mesmos, não produzidos, não existem no fim de contas. Consequentemente tais pontos de vista realmente não fazem a conceptualização de 'Estes são agregados’ ou 'Estes agregados cessam.' No fim de contas, eles não têm tal construção discriminativa e nenhuma tal conceptualização. Então, tais pontos de vista têm em si mesmos a natureza da cessação. A não ocorrência e a não destruição são a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Suvinita declarou,” Os votos; físicos, verbais, e mentais não existem dualísticamente. Porquê? Estas coisas têm a natureza da inactividade. A natureza da inactividade do corpo, é igual à natureza da inactividade da fala, cuja natureza da inactividade, é igual, à natureza da inactividade da mente. É necessário saber e entender este facto da inactividade ultima de todas as coisas, este conhecimento é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Punyaksetra declarou, "É dualidade considerar as acções, em meritórias, pecaminosas, ou neutras. O não empreendimento de acções meritórias, pecaminosas, e neutras é não dualismo. A natureza intrínseca de todas as acções é a vacuidade, onde em ultimo caso, não há nenhum mérito, nem pecado, nem neutralidade, nem acção. A não realização de tais acções é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Padmavyuha declarou, "O dualismo é produzido da obsessão com o eu, mas o verdadeiro entendimento do eu não resulta em dualismo. Quem assim permanece, na não dualidade, está sem ideação, e aquela ausência de ideação é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Srigarbha declarou, "A dualidade é constituída pela manifestação perceptual. A não dualidade é não objectiva. Então, o não apego e a não rejeição é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Candrottara declarou, "' Escuridão' e 'luz' é dualismo, mas a ausência de ambos, escuridão e luz, é não dualidade. Porquê? No momento da absorção na cessação, não há nem escuridão nem luz, e do mesmo modo, com as naturezas de todas as coisas. A entrada nesta equanimidade é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Ratnamudrahasta declarou, "É dualidade detestar o mundo e alegrar-se na liberação, e nem detestar o mundo, nem alegrar-se na libertação são, não dualidade. Porquê? A libertação pode ser encontrada onde há escravidão, mas onde há, não escravidão, onde está a necessidade da libertação? O mendigo que não é nenhum cioso ou libertador, não experimenta qualquer gostar ou qualquer antipatia e assim ele entra na não dualidade."

O bodhisattva Manikutaraja declarou, "É dualidade falar de caminhos bons e caminhos maus. Quem está no caminho, não está preocupado com bons ou maus caminhos. Vivendo em tal despreocupação, ele não se entretém com nenhum conceito de 'caminho' ou 'não caminho.' Entendendo a natureza dos conceitos, a mente dele não se ocupa de dualidade. Tal é a entrada na não dualidade."

O bodhisattva Satyarata declarou, "É dualidade falar de 'verdadeiro' e 'falso.' Quando a pessoa verdadeiramente vê, a pessoa nunca vê qualquer verdade, assim; como se pode ver falsidade? Porquê? A pessoa não vê com o olho físico, a pessoa vê com o olho da sabedoria. E com o olho da sabedoria a pessoa só vê na medida em que, não há visão, nem não visão. Lá, onde não há nem visão nem não visão, é a entrada na não dualidade."

Quando os bodhisattvas deram as suas explicações, todos eles dirigiram-se ao príncipe coroado Manjusri: "Manjusri, qual é a entrada dos bodhisattvas na não dualidade?"

Manjusri respondeu: “Bons senhores, todos vocês falaram bem. Não obstante, todas as vossas explicações são em si mesmas dualidade. Não conhecer nenhum ensinamento, não expressar nada, para não dizer nada, não explicar nada para não anunciar nada, não indicar nada e não designar nada - isso é a entrada na não dualidade."

Então o príncipe coroado Manjusri disse ao Licchavi Vimalakirti, "Todos nós temos dado os nossos próprios ensinamentos, nobre senhor. Agora, possa você elucidar-nos no ensino, da entrada no princípio, da não dualidade!"

Após isto, o Licchavi Vimalakirti manteve-se em silêncio, não dizendo nada.

O príncipe coroado Manjusri aplaudiu o Licchavi Vimalakirti: "Excelente! Senhor excelente, nobre! Esta realmente é a entrada na não dualidade dos bodhisattvas. Aqui não há nenhum uso para sílabas, sons, e ideias."

Quando estes ensinamentos foram declarados, cinco mil bodhisattvas entraram na porta do Dharma da não dualidade e atingiram a tolerância do não nascimentos de coisas.



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10. O banquete trazido pela encarnação emanada



Nisto, o venerável Shariputra pensou para consigo, "Se estes grandes bodhisattvas não suspendem antes do meio dia, quando vão eles comer?"

O Licchavi Vimalakirti, sabendo do pensamento do venerável Shariputra, telepaticamente, falou-lhe:

"Reverendo Shariputra, o Tathagata ensinou as oito libertações. Você deveria concentrar-se nessas libertações, enquanto escuta o Dharma, com uma mente livre de preocupações com as coisas materiais. Espere um pouco, reverendo Shariputra, e você comerá tal comida como nunca provou antes."

Então, o Licchavi Vimalakirti, fixou-se numa tal concentração e executou um tal feito milagroso, que foi permitido aos bodhisattvas e aos grandes discípulos, ver o universo chamado Sarvagandhasugandha, que fica situado na direcção do zénite, além de muitos campos budas, como há areias, em quarenta e dois rios Ganges. Ali o Tathagata chamado Sugandhakuta, reside, vive, e manifesta-se. Naquele universo, as árvores emitem uma fragrância que de longe ultrapassa todas as outras fragrâncias, humanas e divinas, de todos os campo-budas das dez direcções. Naquele universo, até mesmo os nomes "discípulo" e "sábio solitário" não existem, e o Tathagata Sugandhakuta só ensina o Dharma a um conjunto de bodhisattvas. Naquele universo, todas as casas, as avenidas, os parques, e os palácios são feitos de vários perfumes, e a fragrância da alimentação, comida por aqueles bodhisattvas penetra universos imensuráveis.

Nesta altura, o Tathagata Sugandhakuta sentou-se com os seus bodhisattvas para tomarem a sua refeição, e as deidades chamadas Gandhavyuhahara, que eram todas dedicadas ao Mahayana, serviram e prestaram atenção no Buda e aos seus bodhisattvas. Todos os que estavam reunidos na casa de Vimalakirti, puderam ver distintamente este universo, em que o Tathagata Sugandhakuta e os seus bodhisattvas estavam tomando a sua refeição.

O Licchavi Vimalakirti dirigiu-se ao conjunto dos bodhisattvas: “Bons senhores, há entre vocês, quem gostaria de ir àquele campo buda, e trazer um pouco daquela comida?"

Mas, contidos pelo poder sobrenatural de Manjusri, nenhum deles se ofereceu para ir.

O Licchavi Vimalakirti disse ao príncipe coroado Manjusri, "Manjusri, você não está envergonhado desta assembleia?"

Manjusri respondeu, “Nobre senhor, não declara o Tathagata, 'Os que não são bem educados, devem ser menosprezados?'"

Então, o Licchavi Vimalakirti, sem se levantar do seu sofá, magicamente emanou um encarnação bodhisattva, cujo corpo era de cor dourada, adornado com os sinais e marcas auspiciosos, e de tal aparência que excedeu em brilho a assembleia inteira. O Licchavi Vimalakirti dirigiu-se àquele bodhisattva encarnado: “Nobre Filho, vá na direcção do zénite e quando tiveres cruzado tantos campo-budas, quanto há de areia em quarenta e dois rios Ganges, alcançarás um universo chamado Sarvagandhasugandha onde encontrarás o Tathagata Sugandhakuta a tomar a sua refeição.

Vá até ele e, curvando-se aos seus pés, faça-lhe o seguinte pedido:

"'O Licchavi Vimalakirti inclina-se cem mil vezes a seus pés, Ó Senhor, e pergunta depois pela sua saúde - se tem dificuldades, desconforto, desassossego; se está forte, bem, sem reclamação, e vivendo em contacto com a felicidade suprema.' "Tendo perguntado assim, pela saúde dele, você deve dizer-lhe 'Vimalakirti pede ao Senhor, para dar-me os restos da sua refeição, com que ele realizará o trabalho Buda no universo chamado "Saha." (Saha quer dizer 'resistência' e sempre se refere ao nosso sistema mundial presente) Assim, serão inspirados, com altas aspirações, os seres vivos com aspirações inferiores, e o nome bom do Tathagata será celebrado longa e amplamente."

A isto, o bodhisattva encarnado, disse, "Muito bem!", ao Licchavi Vimalakirti e obedeceu às instruções dele.

À vista de todos os bodhisattvas, ele virou a sua face para cima e partindo, eles não mais o viram. Quando chegou ao universo Sarvagandhasugandha, curvou-se aos pés do Tathagata Sugandhakuta e disse, "Senhor, o bodhisattva Vimalakirti, curvando-se aos pés do Senhor, cumprimenta o Senhor, perguntando: 'O Senhor tem dificuldades, desconforto, e desassossego? Está o Senhor forte, bem, sem reclamação, e vivendo em contacto com a felicidade suprema?' Ele pede então, depois de se ter curvado cem mil vezes aos pés do Senhor: 'Pode o Senhor por cortesia dar-me os restos da sua refeição para realizar o trabalho Buda no universo chamado Saha?. Assim, os seres vivos que aspiram a caminhos inferiores podem ganhar inteligência para aspirar ao grande Dharma do Buda, e o nome do Buda será celebrado longa e amplamente.'"

Ao que os bodhisattvas do campo Buda do Tathagata Sugandhakuta ficaram surpresos e pediram ao Tathagata Sugandhakuta, "Senhor onde existe semelhante grande ser como este? Onde é o universo Saha? O que quer ele dizer com 'esses que aspiram a caminhos inferiores?"

Tendo sido assim interrogado por aqueles bodhisattvas, o Tathagata Sugandhakuta disse, “Nobres filhos, o universo Saha existe, mais além de muitos campo-budas, na direcção do nadir, como tantas, as areias, de quarenta e dois Rios de Ganges. Lá o Tathagata Shakyamuni ensina o Dharma aos seres vivos que aspiram aos caminhos inferiores, nesse campo-Buda manchado com as cinco corrupções. Lá o bodhisattva Vimalakirti que vive na liberação inconcebível, ensina o Dharma aos bodhisattvas. Ele enviou este bodhisattva encarnação aqui, para celebrar o meu nome, mostrar as vantagens deste universo, e para aumentar as raízes de virtude desses bodhisattvas."

Os bodhisattvas exclamaram, "Quão grande deve aquele bodhisattva ser, se a sua encarnação mágica, está assim dotada com poder sobrenatural, força, e intrepidez”.

O Tathagata disse, "A grandeza daquele bodhisattva é tal, que ele envia encarnações mágicas a todos os campos budas das dez direcções, e todas estas encarnações realizam o trabalho Buda para todos os seres vivos em todos esses campos budas."

Então, o Tathagata Sugandhakuta verteu alguma da sua comida, saturada com todos os perfumes, num recipiente fragrante e deu-o ao bodhisattva encarnado. E os noventa milhões de bodhisattvas daquele universo ofereceram-se para irem juntos, com ele: "Senhor, nós também gostaríamos de ir àquele universo Saha, ver, honrar, e servir o Buda Shakyamuni, ver Vimalakirti e esses bodhisattvas."

O Tathagata declarou, “Nobres filhos, vão se acham que o tempo é correcto. Mas, para que esses seres vivos não fiquem loucos e intoxicados, não levem os vossos perfumes. E, para que esses seres vivos do mundo Saha não fiquem ciumentos de vocês, mudem os vossos corpos para esconder a vossa beleza. E não concebam ideias de desprezo e aversão para com aquele universo. Porquê? “Nobres filhos, um campo Buda é um campo de espaço puro, mas os Senhores Buddhas para desenvolverem os seres vivos, não revelam o puro reino Buda, todo de uma vez."

Então o bodhisattva encarnado pegou na comida e partiu com os noventa milhões de bodhisattvas e pelo poder do Buda e da operação sobrenatural de Vimalakirti, desapareceram daquele universo Sarvagandhasugandha e ergueram-se novamente na casa de Vimalakirti numa fracção de segundo. O Licchavi Vimalakirti criou exactamente noventa milhões de tronos de leão como os que já lá estavam e os bodhisattvas sentaram-se.

Então, o bodhisattva encarnado deu o recipiente cheio de comida a Vimalakirti, e a fragrância daquela comida penetrou inteiramente a grande cidade de Vaisali e o seu doce perfume espalhou-se ao longo de cem universos.

Dentro da cidade de Vaisali, os Brahmas, donos da casa, e até mesmo o Licchavi comandante Candracchattra, tendo notado esta fragrância, estavam pasmados e cheios de maravilha. Eles foram assim limpos, no corpo e mente e vieram imediatamente à casa de Vimalakirti, juntos com todos os oitenta e quatro mil dos Licchavis.

Vendo os bodhisattvas sentados nos tronos de leão, altos, largos, e bonitos, ficaram cheios de admiração e grande alegria. Todos eles se curvaram diante desses grandes discípulos e bodhisattvas e então sentaram-se a um lado. E os deuses da terra, os deuses do mundo desejo, e os deuses do mundo material, pelo perfume, também vieram a casa de Vimalakirti.

Então, o Licchavi Vimalakirti falou para o ancião Shariputra e os grandes discípulos: "Reverendos, comam desta comida do Tathagata! É ambrosia perfumada pela grande compaixão. Mas não fixem as vossas mentes em atitudes tacanhas, com receio de serem incapazes de receber este presente."

Mas alguns dos discípulos já tinham tido o pensamento: "Como pode uma enorme multidão, comer tão pequena quantidade de comida?"

Então o bodhisattva encarnado disse àqueles discípulos, “Não comparem, veneráveis, a vossa própria sabedoria e méritos com a sabedoria e os méritos do Tathagata! Porquê? Por exemplo, os quatro grandes oceanos poderiam secar, mas esta comida nunca seria absorvida. Se todos os seres vivos comessem durante uma eternidade, uma quantidade desta comida igual em tamanho ao Monte Sumeru, mesmo assim não seria absorvida. Porquê? Vinda da inesgotável moralidade, concentração, e sabedoria, não podem ser absorvidos os restos da comida do Tathagata, contidos neste recipiente."

Na verdade a assembleia inteira estava satisfeita com aquela comida, e esta não foi esgotada.

Tendo comido aquela comida, surgiu nos corpos destes bodhisattvas, discípulos, Sakras, Brahmas, Lokapalas, e outros seres vivos, uma felicidade, igual às felicidades dos bodhisattvas do universo Sarvasukhamandita. E de todos os poros da pele deles, um perfume surgiu, como o das árvores que crescem no universo Sarvagandhasugandha.

Então, o Licchavi Vimalakirti dirigiu-se aos bodhisattvas que tinham vindo do campo Buda do Senhor Tathagata Sugandhakuta conscientemente: “Nobres senhores, como o Tathagata Sugandhakuta ensina o Dharma dele?" Eles responderam, "O Tathagata não ensina o Dharma por meio de sons ou da linguagem. Ele só disciplina os bodhisattvas por meio de perfumes. Ao pé de cada árvore de perfume senta-se um bodhisattva, e as árvores emitem perfumes como este aqui. Desde o momento em que eles cheiram aquele perfume, os bodhisattvas atingem a concentração chamada 'fonte de todas as virtudes bodhisattva.' Desde o momento em que eles atingem aquela concentração, todas as virtudes bodhisattva produzem-se neles."

Aqueles bodhisattvas perguntaram então ao Licchavi Vimalakirti, "Como ensina o Buda Shakyamuni o Dharma?"

Vimalakirti respondeu, “Bons senhores, estes seres vivos aqui, são difíceis de disciplinar.”

Então, ele os ensina com discursos apropriados, para os disciplinar do, selvagem e incivilizado.

Como ele disciplina o selvagem e incivilizado? Que discursos são apropriados? Aqui estão eles:

“Este é o inferno.

Este é o mundo animal.

Este é o mundo do senhor da morte.

Estas são as adversidades.

Estes são os renascimentos com faculdades diminuídas.

Estes são os delitos físicos, e estas são as retribuições para os delitos físicos.

Estes são os delitos verbais, e estas são as retribuições para os delitos verbais.

Estes são os delitos mentais, e estas são as retribuições para os delitos mentais.

Isto é matar.

Isto é roubar.

Isto é comportamento sexual impróprio.

Isto é mentir.

Isto é caluniar.

Isto é fala frívola.

Isto é cobiça.

Isto é malícia.

Isto é falsos pontos de vista. Estas são as suas retribuições.

Isto é avareza, e este é o seu efeito.

Isto é imoralidade.

Isto é ódio.

Isto é indolência.

Isto é o fruto da indolência.

Isto é falsa sabedoria e isto é o fruto da falsa sabedoria.

Estas são as transgressões dos preceitos.

Este é o voto da liberação pessoal.

Isto deve ser feito e aquilo não deve ser feito.

Isto é próprio e isto deve ser abandonado.

Isto é uma ofuscação e aquilo é sem ofuscação.

Isto é pecado e aquilo surge sobre o pecado.

Isto é o caminho e aquilo é o caminho errado.

Isto é a virtude e aquilo é mal.

Isto é censurável e aquilo é inocente.

Isto é contaminado e aquilo é imaculado.

Isto é mundano e aquilo é transcendental.

Isto é composto e aquilo é não composto

Isto é paixão e aquilo é purificação.

Isto é vida e aquilo é libertação.'

"Assim, por meio destas variadas explicações do Dharma, o Buda treina as mentes destes seres vivos, que são como cavalos selvagens. Da mesma maneira, que os cavalos selvagens ou os elefantes selvagens não são domesticados, a menos que o aguilhão os perfure até à medula, assim só são disciplinados os seres vivos, que são selvagens e duros de civilizar, por meio de discursos sobre todos os tipos de misérias."

Os bodhisattvas disseram, "Assim é confirmada a grandeza do Buda Shakyamuni!

É maravilhoso como, escondendo o seu poder milagroso, ele civiliza os seres vivos selvagens que são pobres e inferiores. E os bodhisattvas que se instalam num campo Buda, de tão intensos sofrimentos, têm que ter inconcebível grande compaixão!"

O Licchavi Vimalakirti declarou, "Assim seja, bons senhores! É como dizem. A grande compaixão dos bodhisattvas que reencarnam aqui é extremamente firme. Numa única vida neste universo, eles proporcionam muito benefício para os seres vivos. Tanto beneficio para os seres vivos, não pode ser proporcionado no universo Sarvagandhasugandha mesmo em cem mil eternidades. Porquê? Bons senhores, neste universo de Saha, há dez virtuosas práticas que não existe em qualquer outro campo Buda.

Quais são essas dez? Aqui estão elas:

ganhar o pobre por generosidade;

ganhar o imoral através da moralidade;

ganhar o odioso por meio da tolerância;

ganhar o preguiçoso por meio do esforço;

ganhar o mentalmente perturbado por meio da concentração;

ganhar o falsamente sábio por meio de verdadeira sabedoria;

mostrar aos que sofrem das oito adversidades, como erguer-se sobre elas;

ensinar o Mahayana aos de comportamento de mente tacanha;

ganhar os que não obtêm as raízes da virtude por meio das raízes da virtude;

e desenvolver os seres vivos sem interrupção pelos quatro meios de unificação.

Aqueles que se ocupam destas dez virtuosas práticas, não existem em qualquer outro campo Buda."

Novamente os bodhisattvas perguntaram, "Quantas qualidades tem que ter um bodhisattva, para ir são e salvo a um puro campo-Buda depois que ele transmigre a morte, deste universo de Saha?"

Vimalakirti respondeu, "Depois que ele transmigrar a morte desde este universo de Saha, um bodhisattva tem que ter oito qualidades para alcançar um puro campo-Buda são e salvo. Quais são as oito?

Ele tem que se decidir:

'Eu devo beneficiar todos os seres vivos, sem procurar o mais leve benefício, até mesmo para mim.

Eu devo suportar todas as misérias de todos os seres vivos e tenho que dar todas as minhas acumuladas raízes de virtude a todos os seres vivos.

Eu não devo ter nenhum ressentimento para qualquer ser vivo.

Eu devo alegrar-me em todos os bodhisattvas como se eles fossem o professor.

Eu não devo negligenciar nenhum ensino, se eu não os ouvi antes.

Eu devo controlar a minha mente, sem desejar os ganhos de outros, e sem me orgulhar dos ganhos próprios.

Eu devo examinar as minhas próprias faltas e não culpar outros pelas suas faltas.

Eu devo obter prazer em estar conscientemente atento e devo empreender verdadeiramente todas as virtudes.'

"Se um bodhisattva tiver estas oito qualidades, quando ele transmigrar na morte, desde este universo Saha, ele irá seguro e ileso a um puro campo Buda."

Quando o Licchavi Vimalakirti e o príncipe coroado Manjusri, que tinham ensinado assim o Dharma, à multidão que ali se juntara, cem mil seres vivos conceberam o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito, e dez mil bodhisattvas atingiram a tolerância do sem nascimento das coisas.



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11. Lição do destrutível e do indestrutível



Entretanto, a área na qual o Senhor estava ensinando o Dharma no jardim de Amrapali, expandiu-se e cresceu, e a assembleia inteira apareceu tingida com uma cor dourada.

De seguida, o venerável Ananda perguntou ao Buda, "Senhor, esta expansão e amplificação do jardim de Amrapali e esta cor dourada da assembleia, o que faz estes auspiciosos sinais, pressagiar?"

O Buda declarou, "Ananda, este auspicioso sinal pressagia que o Licchavi Vimalakirti e o príncipe coroado Manjusri, seguidos pela grande multidão, estão vindo à presença do Tathagata."

Naquele momento o Licchavi Vimalakirti disse ao príncipe coroado Manjusri, "Manjusri, levemos estes muitos seres vivos à presença do Senhor, de forma que eles possam ver o Tathagata e possam-se curvar perante ele!"

Manjusri respondeu, “Nobre senhor, envio-os se você sente que é a altura certa!"

De seguida o Licchavi Vimalakirti executou o feito milagroso de colocar a assembleia inteira repleta com tronos, na sua mão direita e então, tendo-se transportado magicamente à presença do Buda, colou-os no chão.

Ele curvou-se aos pés do Buda, circundou-o à direita sete vezes com as palmas das mão juntas, e retirou-se para um lado.

Os bodhisattvas que haviam vindo do campo Buda do Tathagata Sugandhakuta desceram dos seus tronos de leão, curvaram-se aos pés do Buda, colocaram as suas palmas das mãos juntas em reverência e retiraram-se para um lado.

E os outros bodhisattvas, grandes heróis espirituais, e os grandes discípulos desceram igualmente dos seus tronos e, tendo-se curvados aos pés do Buda, retiraram-se para um lado.

Igualmente todos os Indras, Brahmas, Lokapalas, e Senhores se curvaram aos pés do Buda, colocaram as palmas das suas mãos juntas, em reverência e retiraram-se para um lado.

Então, o Buda, tendo deleitado estes bodhisattvas com saudações, declarou, Nobres filhos", Sentem-se em vossos tronos!"

Assim comandados pelo Buda, eles tomaram os seus tronos.

O Buda disse a Shariputra, "Shariputra, você viu os desempenhos milagrosos dos bodhisattvas, esses melhores seres?"

"Eu os vi, Senhor."

"Que conceito fizeste deles?"

"Senhor, eu produzi o conceito da incompreensibilidade deles.

As suas atividades apareceram-me inconcebíveis ao ponto em que eu era incapaz de pensar nelas, os julgar, ou até mesmo os imaginar."

Então o venerável Ananda perguntou ao Buda, "Senhor, que perfume é este, que nunca como este, eu cheirei antes?"

O Buda respondeu, "Ananda, este perfume emana de todos os poros de todos estes bodhisattvas."

Shariputra juntou, “Venerável Ananda, este mesmo perfume emana de todos os nossos poros também!"

Ananda: De onde vem o perfume?

Shariputra: O Licchavi Vimalakirti obteve um pouco de comida do universo chamado Sarvagandhasugandha, o campo Buda do Tathagata Sugandhakuta, e este perfume emana dos corpos de todos os que participaram naquela comida.

Então o venerável Ananda dirigiu-se ao Licchavi Vimalakirti: "Quanto tempo este perfume permanecerá?"

Vimalakirti: Até ser digerido.

Ananda: Quando será digerido?

Vimalakirti: Será digerido em quarenta e nove dias, e seu perfume emanará durante sete dias mais, depois disso, mas não haverá nenhuma dificuldade de indigestão durante aquele tempo.

Além disso, reverendo Ananda, se os monges que não tenham entrado na última determinação, comerem desta comida, ela será digerida quando eles entrarem nessa determinação.

Quando os que tiverem entrado na última determinação comerem desta comida, não será digerida até que as suas mentes estejam totalmente libertadas.

Se os seres vivos que não conceberam o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito, comerem desta comida, ela será digerida, quando eles conceberem o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito.

Se os que conceberam o espírito do esclarecimento perfeito, comerem desta comida, não será digerida até que eles atingiram a tolerância.

E se os que atingiram a tolerância, comerem desta comida, será digerida quando eles se tornarem bodhisattvas a uma vida da Budeidade.

Reverendo Ananda, é como a medicina chamada "deliciosa," que alcança o estômago mas não é digerida, até que todos os venenos das paixões tenham sido eliminados, só então ela é digerida. Assim, reverendo Ananda, esta comida não é digerida, até todos os venenos das paixões serem eliminados, e só então é digerida.

Então, o venerável Ananda disse ao Buda, "Senhor, é maravilhoso que esta comida completa o trabalho do Buda!"

"Assim é, Ananda! É como você diz, Ananda!

Há campos Buda que realizam o trabalho Buda por meio dos bodhisattvas;

os que fazem assim por meio de luzes;

os que fazem assim por meio da árvore da iluminação;

os que fazem assim por meio da beleza física e das marcas do Tathagata;

os que fazem assim por meio de roupões religiosos;

os que fazem assim por meio do bem;

os que fazem assim por meio da água;

os que fazem assim por meio de jardins;

os que fazem assim por meio de palácios;

os que fazem assim por meio de mansões;

os que fazem assim por meio de encarnações mágicas;

os que fazem assim por meio do espaço vazio;

e os que fazem assim por meio de luzes no céu.

Porque é assim, Ananda? Porque por estes vários meios, os seres vivos são disciplinados. Similarmente, Ananda, há campos Buda que realizam o trabalho Buda por meio de ensinar palavras aos seres vivos, definições, e exemplos, tais como 'sonhos,' 'imagens,' 'a reflexão da lua na água', 'ecos,' 'ilusões,' e 'miragens; e os que realizam o trabalho Buda fazendo as palavras compreensíveis.

Também, Ananda, há puros campos Buda completos que realizam o trabalho Buda para os seres vivos sem fala, pelo silêncio, sem expressão, e sem a habilidade de ensinar. Ananda, entre todas as atividades, prazeres, e práticas dos Buddhas, não há nenhuma que não realize o trabalho Buda, porque todas disciplinam os seres vivos. Finalmente, Ananda, os Buddhas realizam o trabalho Buda por meio dos quatro Maras e todos os oitenta quatro mil tipos de paixão que afligem os seres vivos.

"Ananda, esta é uma porta do Dharma chamada 'Introdução para todas as qualidades Buda.

' O bodhisattva que entra nesta porta do Dharma não sofre nem alegria nem orgulho, quando confrontado por um campo Buda adornado com o esplendor de todas as nobres qualidades, e não sofrem nem tristeza nem aversão, quando confrontados por um campo Buda aparentemente sem aquele esplendor, mas em todo o caso, produz uma profunda reverência para todos os Tathagatas.

Realmente, é maravilhoso como todos os Senhores Buddhas que entendem a igualdade de todas as coisas manifestam todos os tipos de campos Buda para desenvolverem os seres vivos!

"Ananda, da mesma maneira que os campos Buda são diversos, com as suas qualidades específicas, mas não fazendo nenhuma diferença, como o céu que os cobre, assim, Ananda, os Tathagatas são diversos como os seus corpos físicos, mas não diferem sobre as suas desimpedidas gnoses.

"Ananda, todos o Buddhas são iguais como a perfeição das qualidades Buda, que são: as suas formas, as suas cores, o seu brilho, os seus corpos, as suas marcas, a sua nobreza, a sua moralidade, a sua concentração, a sua sabedoria, a sua libertação , a sua gnose e pontos de vista da libertação, as suas forças, os seus não medos, as suas especiais qualidades Buda, o seu grande amor, a sua grande compaixão, as suas úteis intenções, as suas atitudes, as suas práticas, os seus caminhos, a extensão das suas vidas, os seus ensinamentos do Dharma, o seu desenvolvimento e libertação dos seres vivos, e a sua purificação dos campo Buda.

Então, eles são todos chamados 'Samyaksambuddhas,' 'Tathagatas,' e 'Buddhas.'

"Ananda, se a tua vida durasse um éon inteiro, não seria fácil o senhor entender o extenso significado e precisa significação verbal destes três nomes completamente.

Também, Ananda, se todos os seres vivos deste universo galáctico de biliões de mundos estivessem como tu, o mais adiantado dos instruídos e o mais adiantado dos dotados de memória e encantamentos, e se, se dedicassem um éon inteiro, eles mesmo assim, não poderiam entender completamente, o significado exacto e extenso das três palavras 'Samyaksambuddhas,' 'Tathagata,' e 'o Buda.'

Assim, Ananda, o esclarecimento dos Buddhas é imensurável, e a sabedoria e a eloqüência dos Tathagatas são inconcebíveis."

Então, o venerável Ananda dirigiu-se ao Buda:

"De hoje em diante, Senhor eu já não me declararei ser o mais adiantado dos instruídos."

O Buda disse, ”Não fique desencorajado, Ananda! Porquê?

Eu pronunciei-te, Ananda, o mais adiantado dos instruídos, com os discípulos em mente, não considerando os bodhisattvas.

Olhe, Ananda, olhe para os bodhisattvas.

Eles não podem ser compreendidos nem sequer pelo mais sábio dos homens. Ananda, a pessoa pode compreender as profundidades do oceano, mas a pessoa não pode compreender as profundidades da sabedoria, gnose, memória, encantamentos, ou eloqüência dos bodhisattvas. Ananda, deves permanecer em equanimidade com respeito às acções dos bodhisattvas. Porquê? Ananda, estas maravilhas exibidas numa única manhã pelo Licchavi Vimalakirti não poderiam ser executadas pelos discípulos e sábios solitários, que atingiram poderes milagrosos, onde eles dedicaram todos os seus poderes de encarnação e transformação durante cem mil milhões de eternidades."

Então, todos aqueles bodhisattvas do campo Buda do Tathagata Sugandhakuta uniram as suas palmas das mãos em reverência e, saudando o Tathagata Shakyamuni, dirigiram-se-lhe assim:

"Senhor, quando nós primeiramente chegamos a este campo Buda, nós concebemos uma ideia negativa, mas nós agora abandonámos essa ideia errada.

Porquê? Senhor, os reinos dos Buddhas e as suas qualidades em técnicas de libertação, são inconcebíveis.

Para desenvolver os seres vivos, eles manifestam tal e tal campo, para adaptar os desejos, a tal e tal ser vivo.

Senhor, por favor nos dê um ensinamento pelo qual nós nos possamos lembrar do Senhor, quando voltarmos a Sarvagandhasugandha."

Tendo assim sido pedido, o Buda declarou,

"Nobres filhos, há uma libertação dos bodhisattvas chamada 'destrutível e indestrutível.’

'Vocês devem treinarem-se nesta libertação.

Qual é ela?

'Destrutível' recorre a coisas compostas.

'Indestrutível' recorre ao não composto.

Mas o bodhisattva nem deve destruir o composto nem deve descansar no não composto.

"Não destruir coisas compostas consiste em não perder o grande amor;

não renunciar à grande compaixão;

não esquecer a mente omnisciente, gerada pelas grandes resoluções;

não se cansar no desenvolvimento positivo dos seres vivos;

não abandonar os meios de unificação; renunciar ao corpo e vida para apoiar o santo Dharma;

não estar nunca satisfeito com as raízes de virtude que já acumularam; ter prazer na dedicação hábil; não ter preguiça na procura do Dharma; estar sem reticências egoístas a ensinar o Dharma;

não se poupar a nenhum esforço para ver e venerar os Tathagatas; ser destemido em reencarnações voluntárias;

não ficar orgulhoso com o sucesso nem se curvar ao fracasso;

não menosprezar os que não aprendem, e respeitar os instruídos como se fossem o Mestre eles mesmos; tornar razoáveis aqueles cujas paixões são excessivas; obter prazer na solidão, sem ficar preso a ela;

não ansiar pela sua própria felicidade mas ansiar pela felicidade dos outros; conceber o transe, a meditação, e a equanimidade como se eles fossem o inferno de Avici; conceber o mundo como um jardim de liberação;

considerar os mendigos como se fossem os seus mestres espirituais;

considerar o dar todas as posses como sendo o meio de perceber a Budeidade;

considerar os seres imorais como seus salvadores;

considerar as transcendências como seus pais;

considerar as ajudas aos esclarecimentos como sendo seus criados;

nunca deixar cessar a acumulação das raízes da virtude;

estabelecer as virtudes de todos os campos Buda no seu próprio campo Buda;

oferecer ilimitados puros sacrifícios para observar as marcas o os sinais auspiciosas;

adornar corpo, fala e mente contendo-se de todos os pecados;

continuar nas reencarnações durante eternidades imensuráveis, enquanto se purifica o corpo, fala, e mente;

evitar o desânimo, através do heroísmo espiritual, ao aprender as virtudes imensuráveis do Buda;

brandindo a espada afiada da sabedoria para castigar as paixões inimigas;

conhecer bem os agregados, os elementos, e os sentidos para suportar os fardos de todos os seres vivos;

brilhar com energia para conquistar o anfitrião dos demónios;

buscar o conhecimento para evitar o orgulho;

estar contente com pouco desejo para apoiar o Dharma;

não se misturar nas coisas mundanas para deleitar todas as pessoas;

sendo sem defeito em todas as atividades para conformar todas as pessoas;

produzir o super conhecimento para realizar de facto, todas os deveres de beneficiar os seres vivos;

adquirir encantamentos, memória, e conhecimento para reter toda a aprendizagem;

entender os graus das faculdades espirituais das pessoas para dispersar as dúvidas de todos os seres vivos;

exibir feitos milagrosos invencíveis para ensinar o Dharma;

ter fala irresistível por ter adquirindo eloqüência desimpedida;

provocar o sucesso humano e divino, purificando o caminho das dez virtudes;

estabelecer o caminho dos puros estados de Brahma cultivando os quatro imensuráveis;

convidar os Buddhas a ensinar o Dharma, alegrando-se neles, e os aplaudindo, obtendo assim a voz melodiosa de um Buda;

disciplinar o corpo, fala, e mente, mantendo assim o progresso espiritual constante;

estar sem apego a coisa alguma e assim adquirir o comportamento de um Buda;

reunir-se à ordem dos bodhisattvas para atrair os seres ao Mahayana;

estar a todo o momento conscientemente e atento para não negligenciar as boas qualidades.

Nobres filhos, um bodhisattva que assim se aplica ao Dharma é um bodhisattva que não destrói o reino composto.

"O que é o não descanso no não composto? O bodhisattva pratica a vacuidade, mas ele não realiza a vacuidade.

Ele pratica a carência de sinais mas não realiza a carência de sinais.

Ele pratica a carência de desejos mas não realiza a carência de desejos.

Ele pratica o não desempenho mas não percebe o não desempenho.

Ele conhece a impermanência mas não é complacente sobre as suas raízes da virtude.

Ele considera a miséria, mas ele reencarna voluntariamente.

Ele conhece a carência do eu mas não se desperdiça.

Ele considera a paz mas não busca a paz extrema.

Ele aprecia a solidão mas não evita esforços mentais e físicos.

Ele considera a carência de lugar mas não abandona o lugar das boas acções.

Ele considera a carência de ocorrências mas responsabiliza-se para suportar os fardos de todos os seres vivos.

Ele considera a imaculabilidade, contudo ele segue o processo do mundo.

Ele considera a carência de movimento, contudo ele move-se para desenvolver todos os seres vivos.

Ele considera a carência do eu e não abandona a grande compaixão para com todos os seres vivos.

Ele considera o não nascimento, contudo ele não entra na última determinação dos discípulos.

Ele considera a vaidade, futilidade, insubstancialidade, dependência, e carência de lugar, contudo ele fundamenta-se nos méritos que não são vãos, no conhecimento que não é fútil, em reflexões que são significativas, no esforço para a consagração da gnose independente, e no significado definitivo da família Buda.

"Assim, nobres filhos, um bodhisattva que aspira a tal Dharma, nem descansa no não composto nem destrói o composto.

"Além disso, nobres filhos, para efectivar uma reserva de mérito, um bodhisattva não descansa no não composto, e para efectivar uma reserva de sabedoria, ele não destrói o composto.

Para cumprir o grande amor, ele não descansa no não composto, e para cumprir a grande compaixão, ele não destrói coisas compostas.

Para desenvolver os seres vivos, ele não descansa no não composto, e para aspirar às qualidades Buda, ele não destrói coisas compostas.

Para aperfeiçoar as marcas da Budeidade, ele não descansa no não composto, e, para aperfeiçoar a gnose da omnisciência, ele não destrói coisas compostas.

Fora da habilidade em técnicas libertadoras, ele não descansa no não composto, e, por análise completa com a sua sabedoria; ele não destrói coisas compostas.

Para purificar o campo Buda, ele não descansa no não composto, e, pelo poder da graça do Buda, ele não destrói coisas compostas.

Porque ele sente as necessidades dos seres vivos, ele não descansa no não composto, e para mostrar verdadeiramente o significado do Dharma, ele não destrói coisas compostas.

Por causa da sua reserva de raízes de virtudes, ele não descansa no não composto, e por causa do seu instintivo entusiasmo por estas raízes de virtude, ele não destrói coisas compostas.

Para satisfazer as suas orações, ele não descansa no não composto, e, porque ele não tem nenhum desejo, ele não destrói coisas compostas.

Porque o seu pensamento positivo é puro, ele não descansa no não composto, e, porque a sua forte decisão é pura, ele não destrói coisas compostas.

Para jogar com os cinco super conhecimentos, ele não descansa no não composto, e, por causa dos seis super conhecimentos da gnose Buda, ele não destrói coisas compostas.

Para cumprir as seis transcendências, ele não descansa no não composto, e, para cumprir o tempo, ele não destrói coisas compostas.

Para juntar os tesouros do Dharma, ele não descansa no não composto, e, porque ele não gosta de qualquer ensinamento medíocre, ele não destrói coisas compostas.

Porque ele junta todas as medicinas do Dharma, ele não descansa no não composto, e, para aplicar a medicina do Dharma adequadamente, ele não destrói coisas compostas.

Para confirmar os seus compromissos, ele não descansa no não composto, e, para reparar qualquer fracasso desses compromissos, ele não destrói coisas compostas.

Para preparar todos os elixires do Dharma, ele não descansa no não composto, e, para distribuir o néctar deste Dharma subtil, ele não destrói coisas compostas.

Porque ele conhece completamente todo o sofrimento devido às paixões, não descansa no não composto, e para curar todo o sofrimento de todos os seres vivos, ele não destrói coisas compostas.

"Assim, nobres filhos, o bodhisattva não destrói coisas compostas e não descansa no não composto, e isso é a libertação dos bodhisattvas chamada 'destrutível e indestrutível.' Nobres senhores, vocês devem também esforçarem-se nisto."

Então, aqueles bodhisattvas, tendo ouvido este ensinamento, ficaram satisfeitos, encantados, e reverentes.

Eles ficaram cheios de alegria e felicidade da mente. Para adorar o Buda Shakyamuni e os bodhisattvas do universo de Saha, assim como este ensinamento, eles cobriram a terra inteira, deste universo de biliões de mundos com pó fragrante, incenso, perfumes, e flores até à altura dos joelhos.

Tendo-se deleitado na comitiva completa do Tathagata, inclinaram as suas cabeças aos pés do Buda, circundaram-no à direita três vezes, e cantaram-lhe um hino de elogio.

Então eles desapareceram deste universo e num segundo estavam de volta ao universo Sarvagandhasugandha.



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12. Visão do Universo Abhirati e do Tathagata Aksobhya



De seguida, o Buddha disse ao Licchavi Vimalakirti, “Nobre filho, quando vês o Tathagata, como tu o vês?" Assim interrogado, o Licchavi Vimalakirti disse ao Buda, "Senhor, quando eu olhava o Tathagata, eu não via nenhum Tathagata. Porquê? Eu vejo-o como não nascido do passado, não passando para o futuro, e não residindo no tempo presente. Porquê?

Ele é a essência do qual é a realidade da matéria, mas ele não é a matéria.

Ele é a essência do qual é a realidade da sensação, mas ele não é a sensação.

Ele é a essência do qual é a realidade do intelecto, mas ele não é o intelecto.

Ele é a essência do qual é a realidade da motivação, contudo, ele não é a motivação.

Ele é a essência do qual é a realidade da consciência, contudo, ele não é a consciência.

Como o elemento do espaço, ele não reside em qualquer dos quatro elementos. Transcendendo a extensão do olho, orelha, nariz, língua, corpo, e mente, ele não é produzido nos seis sentidos.

Ele não é envolvido nos três mundos, está livre das três corrupções, é associado com a liberação tripla, está dotado com os três conhecimentos, e verdadeiramente atingiu o inacessível.

"O Tathagata alcançou o extremo da indiferença com respeito a todas as coisas, contudo, ele não é uma realidade limite.

Ele reside na realidade última, contudo, não há nenhuma relação entre isso e ele.

Ele não é, produzido das causas, nem ele depende de condições.

Ele não é, sem qualquer característica, nem tem qualquer característica.

Ele não tem natureza única, nem qualquer diversidade de naturezas.

Ele não é, uma concepção, nem uma construção mental, nem é uma não concepção.

Ele é, nem a outra margem, nem esta margem, nem a do meio.

Ele é, nem aqui, nem ali, nem em qualquer outro lugar.

Ele é, nem isto nem aquilo.

Ele não pode ser descoberto pela consciência, nem ele é inerente à consciência.

Ele é, nem escuridão nem luz.

Ele é, nem nome nem sinal.

Ele é, nem fraco nem forte.

Ele não vive em nenhum país ou direcção.

Ele é, nem bom nem mau.

Ele é nem, composto nem não composto.

Ele não pode ser explicado como tendo qualquer significado seja do que for.

"O Tathagata é nem generosidade nem avareza, nem moralidade, nem imoralidade, nem tolerância, nem malícia, nem esforço, nem indolência, nem concentração, nem distracção, nem sabedoria, nem tolice.

Ele é inexprimível.

Ele é, nem verdade nem falsidade; nem escape do mundo, nem fracasso para escapar do mundo; nem causa de envolvimento no mundo nem não causa de envolvimento no mundo; ele é a cessação de toda a teoria e toda a prática.

Ele é, nem um campo de mérito, nem um não campo de mérito; ele nem é merecedor de oferecimentos nem desmerecedor de oferecimentos.

Ele não é um objecto, e não pode ser contactado.

Ele não é um todo, nem uma conglomeração.

Ele ultrapassa todos os cálculos.

Ele é totalmente inatingível, ainda que igual à última realidade das coisas.

Ele é sem igual, especialmente no esforço.

Ele ultrapassa toda a medida.

Ele não vai, não fica, e não passa além.

Ele é, nem visto, ouvido, distinguido, nem conhecido.

Ele é sem qualquer complexidade, tendo atingido a equanimidade da gnose omnisciente. Igual para todas as coisas, ele não faz discriminação entre elas.

Ele é sem repreensão, sem excesso, sem corrupção, sem concepção, e sem intelectualização.

Ele é sem actividade, sem nascimento, sem ocorrência, sem origem, sem produção, e sem não produção.

Ele é sem medo e sem sub consciência; sem tristeza, sem alegria, e sem tensão. Nenhum ensinamento verbal, ele pode expressar.

"Tal é o corpo do Tathagata assim ele deve ser visto. Quem vê assim, vê verdadeiramente. Quem vê de outro modo, vê falsamente."

O venerável Shariputra então perguntou ao Buda, "Senhor, em qual campo-Buda morreu o nobre Vimalakirti, antes de reencarnar neste campo-Buda?"

O Buda disse, "Shariputra, pergunta directamente a este bom homem, onde ele morreu para reencarnar aqui."

Então o venerável Shariputra pediu ao Licchavi Vimalakirti, “Nobre senhor, onde o senhor morreu para reencarnar aqui?"

Vimalakirti declarou, "Há alguma coisa, entre as coisas que você vê, ancião, que morra ou renasça?"

Shariputra: Nada há o que morra ou seja renascido.

Vimalakirti: Igualmente, reverendo Shariputra, como todas as coisas nem morrem nem são renascidas, porque você pergunta, "Onde você morreu para reencarnar aqui?" Reverendo Shariputra, se alguém fosse perguntar a um homem ou mulher, criados por um mágico, onde ele ou ela, tinham morrido para reencarnar ali, o que você pensa que ele ou ela responderiam?

Shariputra: Nobre senhor, uma criação mágica não morre, nem é renascida.

Vimalakirti: Reverendo Shariputra, não declarou o Tathagata que todas as coisas têm a natureza de uma criação mágica?

Shariputra: Sim, nobre senhor, é realmente assim.

Vimalakirti: Reverendo Shariputra, "morte" é o fim de um desempenho, e "renascimento" é a continuação do desempenho. Mas, embora um bodhisattva morra, ele não põem um fim ao desempenho das raízes da virtude, e embora renasça, ele não adere à continuidade de pecado.

Então, o Buda disse ao venerável Shariputra, "Shariputra, esta pessoa santa veio aqui desde a presença do Tathagata Aksobhya no universo Abhirati."

Shariputra: Senhor, é maravilhoso que esta pessoa santa, tendo deixado um campo-Buda tão puro como Abhirati, venha desfrutar um campo-Buda tão cheio de defeitos como este universo de Saha!

O Licchavi Vimalakirti disse, "Shariputra, o que pensa o senhor? A luz do sol acompanha a escuridão?"

Shariputra: Certamente que não, nobre senhor!

Vimalakirti: Então os dois não vão junto?

Shariputra: Nobre Senhor, esses dois não vão juntos. Assim que o sol sobe, toda a escuridão é destruída.

Vimalakirti: Então por que o sol sobe em cima do mundo?

Shariputra: Ele nasce para iluminar o mundo, e eliminar a escuridão.

Vimalakirti: Assim da mesma maneira, reverendo Shariputra, o bodhisattva reencarna voluntariamente nos campos-Buda impuros, para purificar os seres vivos, para fazer a luz da sabedoria brilhar, e para os tirar da escuridão. Considerando que eles não se associam com as paixões, eles dispersam a escuridão das paixões de todos os seres vivos.

Nisto, a multidão inteira experimentou o desejo de ver o universo Abhirati, do Tathagata Aksobhya, os seus bodhisattvas e os seus grandes discípulos. O Buda, conhecendo os pensamentos da multidão inteira, disse ao Licchavi Vimalakirti, “Nobre filho, esta multidão deseja ver o universo Abhirati e o Tathagata Aksobhya – mostre-lhes!"

Então o Licchavi Vimalakirti pensou, "Sem subir do meu sofá, eu apanharei na minha mão direita o universo Abhirati e tudo o que contém: suas centenas de milhares de bodhisattvas; seus domicílios de devas, nagas, yakshas, gandharvas, e asuras, limitados pelas suas montanhas de Cakravada; seus rios, lagos, fontes, fluxos, oceanos, e outros corpos de água; seu Monte Sumeru e outras colinas e gramas de montanha; sua lua, seu sol, e suas estrelas; seus devas, nagas, yakshas, gandharvas, e asuras; seu Brahma e os seus acompanhantes; suas aldeias, cidades, povos, províncias, reinos, homens, mulheres, e casas; seus bodhisattvas; seus discípulos; a árvore do esclarecimento do Tathagata Aksobhya; e o Tathagata Aksobhya, sentado no meio de uma vasta assembleia, como num oceano, ensinando o Dharma. Também os lotus que executam o trabalho-Buda entre os seres vivos; as três escadas, enfeitadas com jóias, que sobem desde a sua terra até ao seu céu de Trayastrimsa, no qual a escada, que os deuses daquele céu, descem para o mundo, para ver, honrar, e servir o Tathagata Aksobhya e ouvir o Dharma, e no qual os homens da terra escalam ao céu de Trayastrimsa para visitar esses deuses. Como o oleiro com a sua roda, eu reduzirei aquele universo Abhirati, com sua reserva de inumeráveis virtudes, desde a sua base aquosa até ao céu de Akanistha, para um tamanho minúsculo e, transportando-o suavemente como uma grinalda de flores, para este universo de Saha mostrá-lo-ei para as multidões."

Então, o Licchavi Vimalakirti entrou em concentração, e executou um feito milagroso tal, que reduziu o universo Abhirati para um tamanho minúsculo, transportou-o com a sua mão direita, e trouxe-o a este universo de Saha.

Naquele universo Abhirati, os discípulos, bodhisattvas, e os que de entre deuses e homens, possuíam o super conhecimento do olho divino, todos clamaram, "Senhor, nós estamos a ser levados para fora! Sugata, nós estamos sendo levados! Nos proteja, Ó Tathagata! "Mas, o Tathagata Aksobhya para os disciplinar disse-lhes, "Vocês estão sendo transportados pelo bodhisattva Vimalakirti. Não é assunto meu."

Para outros homens e deuses, eles não tiveram nenhuma consciência de que estavam sendo transportados para outro lugar.

Embora o universo que Abhirati tenha sido trazido ao universo Saha, o universo de Saha não foi aumentado ou diminuído; nem estava comprimido nem obstruído. Nem era o universo Abhirati reduzido internamente, e ambos os universos apareciam-lhes iguais ao que eles sempre tinham sido.

Seguidamente, o Buda Shakyamuni perguntou a todas as multidões, "Amigos, vêem os esplendores do universo Abhirati, o Tathagata Aksobhya, a ordenação do seu campo-Buda, e os esplendores destes discípulos e bodhisattvas!"

Eles responderam, "Nós os vemos, Senhor!"

O Buda disse, "Aqueles bodhisattvas que desejam abraçar um tal campo-Buda deverão treinar-se em todos as práticas bodhisattva do Tathagata Aksobhya.”

Enquanto Vimalakirti, com o seu poder milagroso, lhes mostrava assim, o universo Abhirati e o Tathagata Aksobhya, cento e quarenta mil seres vivos, entre homens e deuses do universo de Saha, conceberam o espírito do inexcedível esclarecimento perfeito, e todos eles criaram uma oração para ressurgir no universo Abhirati. E o Buda profetizou que no futuro todos renasceriam no universo Abhirati.

E o Licchavi Vimalakirti, tendo desenvolvido todos os seres vivos, que podiam ser assim desenvolvidos, devolveu o universo Abhirati exactamente ao seu lugar anterior.

O Senhor disse então ao venerável Shariputra, "Shariputra, você viu aquele universo Abhirati, e o Tathagata Aksobhya?"

Shariputra respondeu, "Eu vi, Senhor! Possam todos os seres vivos, vir a viver num campo-Buda tão esplêndido como aquele! Possam todos os seres vivos vir a ter poderes milagrosos como os do nobre Licchavi Vimalakirti!

"Nós ganhámos grande benefício em ter visto um homem santo, como ele.

Nós ganhámos um grande benefício de ter ouvido tal ensinamento do Dharma, se o Tathagata na verdade ainda existe actualmente ou se ele já atingiu a libertação suprema. Consequentemente, não há nenhuma necessidade de mencionar o grande benefício para os que, tendo ouvido isto, acredite, confie nisto, abrace, lembre-se, leia, e penetre a sua profundidade; e, tendo achado fé nisto, ensine, recite, e mostre para os outros e os aplique à ioga da meditação no seu ensinamento.

“Aqueles seres vivos que entendem este ensinamento do Dharma correctamente, obterão o tesouro das jóias do Dharma.

“Aqueles que estudam este ensinamento do Dharma correctamente, tornar-se-ão nos companheiros do Tathagata. Aqueles que honram e servem os peritos desta doutrina serão os verdadeiros protectores do Dharma. Aqueles que escrevam, ensinem, e adorem este ensinamento do Dharma serão visitados pelo Tathagata nas suas casas. Aqueles que tem deleite neste ensinamento do Dharma abraçarão todos os méritos. Aqueles que ensinam isto a outros, que não é mais do que uma única estrofe de quatro linhas, ou uma única frase sumária deste ensinamento do Dharma, estarão executando o grande sacrifício-Dharma. E Aqueles que se dedicam a este ensinamento do Dharma, a sua tolerância, o seu zelo, a sua inteligência, o seu discernimento, a sua visão e as suas aspirações, tornar-se-ão sujeitos à profecia da futura Budeidade!"




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Epílogo



Antecedentes e transmissão do Dharma Santo

Então Sakra, o príncipe dos deuses, disse ao Buda, "Senhor, anteriormente eu ouvi do Tathagata e de Manjusri, o príncipe da coroa da sabedoria, muitas centenas de milhares de ensinamentos do Dharma, mas eu nunca tinha ouvido antes um ensinamento do Dharma tão notável como esta instrução na entrada no método das inconcebíveis transformações.

Senhor, aqueles seres vivos que, tendo ouvido este ensinamento do Dharma, aceite, se lembre, leia, e entenda profundamente, serão sem dúvida, verdadeiros recipientes do Dharma; não há necessidade de mencionar aqueles que se aplicam à ioga da meditação. Eles eliminarão toda a possibilidade de vidas infelizes, abrirão o seu caminho a todas as vidas afortunadas, sempre serão olhados depois por todos o Buddhas, sempre superarão todos os adversários, e sempre conquistarão todos os demónios. Eles praticarão o caminho dos bodhisattvas, tomarão os seus lugares na base da Iluminação, e terão entrado verdadeiramente no domínio dos Tathagatas. Senhor, os nobres filhos e filhas que ensinarem e praticarem esta exposição do Dharma, serão honrados e servidos por mim e pelos meus seguidores. As aldeias, vilas, cidades, estados, reinos, e capitais, no qual este ensinamento do Dharma seja aplicado, ensinado, e demonstrado, eu e os meus seguidores viremos ouvir o Dharma. Eu inspirarei os incrédulos com fé, e garantir-lhes-ei a minha ajuda e protecção aos que acreditam e apoiam o Dharma."

A estas palavras, o Buda disse a Sakra, o príncipe dos deuses, "Excelente! Excelente, príncipe dos deuses! O Tathagata alegra-se nas suas palavras boas. Príncipe dos deuses, a Iluminação dos Buddhas do passado, presente e futuro, é expressa neste discurso do Dharma. Então, príncipe dos deuses, quando os nobres filhos e filhas o aceitarem, o repetirem, o entenderem profundamente, o escreverem completamente e, fazendo um livro, honrem, aqueles filhos e filhas, prestam assim homenagem aos Buddhas do passado, presente e futuro.

"Suponhamos, príncipe dos deuses que este universo galáctico de bilhões de mundos estivesse tão cheio de Tathagatas como está coberto com arvoredos de cana de açúcar, com roseiras, com moitas de bambu, com ervas, e com flores, e que um nobre filho ou filha, foram honra-los, venera-los, respeita-los e adora-los, oferecendo-lhes todos os tipos de confortos e oferecimentos durante um éon ou mais que um éon.

E suponhamos, que estes Tathagatas que entraram na última libertação, ele ou ela honrou cada um deles entesourando os seus corpos preservados num stupa comemorativo, feito de pedras preciosas, cada tão grande quanto um mundo com quatro grandes continentes, subindo tão alto quanto o mundo de Brahma, adornado com guarda sóis, bandeiras, padrões, e abajures.

E suponhamos finalmente, que tendo erguido todos estes stupas para os Tathagatas, foram-lhes dedicar um éon ou mais, oferecendo-lhes flores, perfumes, bandeiras, e padrões, enquanto tocam tambores e música. Assim feito, o que pensa você príncipe dos deuses? Aquele nobre filho ou filha receberiam muito mérito como consequência de tais atividades?"

Sakra, o príncipe dos deuses, respondeu, "Muitos méritos, Senhor! Muitos méritos, Ó Sugata! Se alguém fosse gastar centenas de milhares de milhões de éons, seria impossível medir o limite da massa de méritos que o nobre filho ou filha juntariam deste modo!"

O Buda disse, "Tem fé, príncipe dos deuses, e entende isto: Quem aceita esta exposição do Dharma chamada 'Instrução na Libertação Inconcebível', recite-a, e entenda-a profundamente, ele ou ela juntarão méritos ainda maiores, do que os que executaram os mencionados actos. Porquê assim? Porque, príncipe dos deuses, a iluminação dos Buddhas surge do Dharma, e a pessoa os honra pela adoração do Dharma, e não através da adoração material. Assim é ensinado, príncipe dos deuses, e assim você deve entender."

O Buda então disse ainda a Sakra, o príncipe dos deuses, "Uma vez, príncipe dos deuses, há muito tempo, muito antes dos éons mais numerosos, que o inumerável, imenso, imensurável, inconcebível, e ainda antes desse tempo, o Tathagata chamado Bhaisajyaraja apareceu no mundo: um santo, perfeito e completamente iluminado, dotado com conhecimento e conduta, um feliz, conhecedor do mundo, e conhecedor incomparável de homens que precisam ser civilizados, professor dos deuses e dos homens, um Senhor, um Buda. Ele apareceu na eternidade chamada Vicarana, no universo chamado Mahavyuha. "O comprimento de vida deste Tathagata Bhaisajyaraja, perfeito e completamente iluminado, foi de vinte éons curtos. A sua comitiva de discípulos, era de trinta e seis milhões de biliões, e o seu séquito de bodhisattvas era de doze milhões de biliões.

Naquela mesma época, príncipe dos deuses, havia um monarca universal chamado o Rei Ratnacchattra, que reinou sobre os quatro continentes e possuía sete jóias preciosas. Ele teve mil filhos heróicos, poderosos, fortes, e capazes de conquistar exércitos inimigos. Este Rei Ratnacchattra honrou o Tathagata Bhaisajyaraja e o seu séquito com muitos oferecimentos excelentes, durante cinco éons curtos. Ao término desse tempo, o Rei Ratnacchattra disse aos seus filhos, 'Reconhecendo que durante o meu reinado eu tenho adorado o Tathagata, por sua vez, vocês deveriam adora-lo também." Os mil príncipes deram o seu consentimento, obedecendo ao seu pai, o rei, e todos juntos, durante outros cinco éons curtos, eles honraram o Tathagata Bhaisajyaraja com todos os tipos de excelentes oferecimentos.

"Entre eles, havia um príncipe de nome Candracchattra que retirado em solidão pensou para com ele 'Não há outro modo de adoração ainda melhor e mais nobre que este?' "Então, pelo poder sobrenatural do Buda Bhaisajyaraja, os deuses falaram para ele dos céus: 'Ó bom homem, a adoração suprema é a adoração do Dharma.' "Candracchattra perguntou-lhes, 'o que é esta "Adoração do Dharma?"' "Os deuses responderam, 'Ó Bom homem, vá ao Tathagata Bhaisajyaraja, e pergunte-lhe acerca da "Adoração do Dharma," e ele explicará isso completamente a você.' "Então, o príncipe Candracchattra foi ao Senhor Bhaisajyaraja, o santo, o Tathagata, o insuperável, o perfeitamente iluminado, e tendo chegado, curvado-se aos seus pés, rodeou-o três vezes pela direita, e retirou-se para um lado. Então ele perguntou, 'Senhor, eu ouvi falar de uma "Adoração Dharma," que ultrapassa toda a outra adoração. O que é esta "Adoração do Dharma?"

"O Tathagata Bhaisajyaraja disse, 'Nobre filho, a Adoração do Dharma é aquela adoração feita aos discursos ensinados pelo Tathagata.

Estes discursos são fundos e profundos em entendimento.

Eles não se conformam ao mundano e são difíceis de entender, difíceis de ver e difíceis de perceber.

Eles são subtis, precisos, e no fim de contas, incompreensíveis.

Como as Escrituras, eles são coleccionados no cânon dos bodhisattvas, timbrado com a insígnia do rei, dos encantamentos e dos ensinos.

Eles revelam a roda irreversível do Dharma, surgindo das seis transcendências, limpos de qualquer falsa noção.

Eles estão dotados com todas as ajudas para a iluminação e encarnam os sete factores da iluminação.

Eles apresentam os seres vivos à grande compaixão e ensinam-lhes o grande amor.

Eles eliminam todas as convicções de Mara, e manifestam-lhes a relatividade.

"'Eles contêm a mensagem da carência do eu, carência do ser vivo, carência da pessoa, carência de tempo de vida, vacuidade, carência de sinais, carência de desejos, não realização, não produção, e não ocorrência.

"'Eles tornam possível alcançar o assento da iluminação e puseram em movimento a roda do Dharma.

Eles são aprovados e elogiados pelos chefes dos deuses, nagas, yakshas, gandharvas, asuras, garudas, kimnaras, e mahoragas.

Eles preservam irrompível a herança do santo Dharma, contêm o tesouro do Dharma, e representam o ápice da Adoração do Dharma.

Eles são apoiados por todos os seres santos e ensinam todas as práticas do bodhisattva.

Eles induzem o sem erro, que entende o Dharma no seu sentido último.

Eles certificam que todas as coisas são impermanentes, miseráveis, sem eu, e pacíficas, enquanto sumarizam o Dharma.

Eles causam o abandono de avareza, imoralidade, malícia, preguiça, esquecimento, tolice, e ciúme, como também convicções ruins, a aderência aos objectos, e toda a oposição.

Eles são elogiados por todos os Buddhas.

Eles são as medicinas para as tendências de vida mundana, e manifestam autenticamente a grande felicidade da libertação.

Ensinar correctamente, apoiar, investigar, e entender tais Escrituras, incorporando assim na própria vida da pessoa o Dharma santo isso é a "Adoração do Dharma." “Além disso, nobre filho, a adoração do Dharma consiste em determinar o Dharma de acordo com o Dharma; aplicando o Dharma de acordo com o Dharma; estando em harmonia com a relatividade; estando livre de convicções extremistas; atingindo a tolerância do último não nascimento e não ocorrência de todas as coisas; percebendo a carência do eu e a carência de seres vivos; contendo-se de lutas sobre causas e condições, sem disputar, ou disputando; não sendo possessivo; estando livre do egoísmo; confiando no significado e não na expressão literal; confiando na gnose e não na consciência; confiando nos últimos ensinamentos definitivos do significado, e não insistindo na interpretação do significado superficial dos ensinamentos; confiando na realidade e não insistindo em opiniões derivadas de autoridades pessoais; percebendo a realidade do Buda correctamente; percebendo a última ausência de qualquer consciência fundamental; e superando o hábito de se agarrar a um último chão. Finalmente, atingindo a paz, parando tudo desde a ignorância à velhice, morte, tristeza, lamentação, miséria, ansiedade, e dificuldade, e percebendo que os seres vivos não sabem dar um fim aos seus pontos de vista, relativos a essas doze ligações de origem dependente; então, nobre filho, quando você não se agarrar a nenhuma visão em absoluto, é chamado a adoração do Dharma inexcedível.'

"Príncipe dos deuses, quando o príncipe Candracchattra ouviu esta definição da adoração do Dharma do Tathagata Bhaisajyaraja, ele atingiu a tolerância conformativa do último não nascimento; e, levando os seus roupões e ornamentos, ele os ofereceu ao Buda Bhaisajyaraja, dizendo, 'Quando o Tathagata estiver na última libertação, eu desejo defender o santo Dharma, para protege-lo, e para adorá-lo. Possa o Tathagata conceder-me a sua bênção sobrenatural, possa eu poder conquistar Mara e todos os adversários e incorporar em todas as minhas vidas o santo Dharma do Buda!' "O Tathagata Bhaisajyaraja, sabendo da forte resolução do Candracchattra, profetizou que ele seria, mais tarde, no futuro, o protector, guardião, e defensor da cidade do santo Dharma. Então, príncipe dos deuses, o príncipe Candracchattra, pela sua grande fé no Tathagata, deixou a vida do lar para entrar na vida sem lar, de monge e tendo feito isto, viveu fazendo grandes esforços para o êxito da virtude. Tendo feito grande esforço e sendo bem dotado em virtude, cedo obteve os cinco super conhecimentos, compreendeu os encantamentos, e obteve a eloqüência invencível. Quando o Tathagata Bhaisajyaraja atingiu a última libertação, Candracchattra, em virtude do seu super conhecimento e pelo poder dos seus encantamentos, fez a roda do Dharma girar da mesma maneira que o Tathagata Bhaisajyaraja tinha feito e continuou a fazer assim durante dez éons curtos.

"Príncipe dos deuses, enquanto o monge Candracchattra se estava exercitando assim na protecção do santo Dharma, milhares de milhões de seres vivos alcançaram a fase da irreversibilidade no caminho para o inexcedível esclarecimento perfeito, foram disciplinados quatorze bilhões de seres vivos nos veículos dos discípulos e sábios solitários, e inumeráveis seres vivos renasceram nos reinos humanos e divinos. "Talvez, príncipe dos deuses, você esteja maravilhado ou sentindo alguma dúvida sobre, se ou não, naquela altura, o Rei Ratnacchattra não era outro senão o actual Tathagata Ratnarcis. Você não deve imaginar isso, o presente Tathagata Ratnarcis foi naquele tempo, naquela época, o monarca universal Ratnacchattra. Assim como para os mil filhos do Rei Ratnacchattra, eles são agora os mil bodhisattvas do presente santificado éon, durante o curso do qual mil Buddhas aparecerão no mundo. Entre eles, Krakucchanda e outros já nasceram, e os restantes ainda nascerão, de Kakutsunda até o Tathagata Roca que será o último a nascer.

"Talvez, príncipe dos deuses, você se tenha interrogado se, naquela vida, por aquele tempo, o Príncipe Candracchattra que apoiou o Santo Dharma do Senhor Tathagata Bhaisajyaraja não foi nenhum outro, que eu próprio. Mas você não deve imaginar que, eu fui naquela vida, naquele tempo, o Príncipe Candracchattra. Assim é necessário saber, príncipe dos deuses, que de entre todas as adorações rendidas ao Tathagata, a adoração do Dharma é muito melhor. Sim, é bom, eminente, excelente, perfeito, supremo, e inexcedível. E então, príncipe dos deuses, não me adore com objectos materiais mas adore-me com a adoração do Dharma! Não me honre com objectos materiais mas honre-me através da honra ao Dharma!"

Então o Senhor Shakyamuni disse ao bodhisattva Maitreya, o grande herói espiritual, "Eu transmito a você, Maitreya, este inexcedível, esclarecimento perfeito, que eu atingi somente depois de milhões inumeráveis de bilhões de eternidades, para que, mais tarde, durante uma vida posterior, um ensinamento semelhante do Dharma, protegido pelo teu poder sobrenatural, se espalhará no mundo e não desaparecerá. Porquê? Maitreya, no futuro haverá os nobres filhos e filhas, devas, nagas, yakshas, gandharvas, e asuras que, tendo plantado as raízes da virtude, produzirão o espírito do inexcedível, esclarecimento perfeito. Se eles não ouvirem este ensinamento do Dharma, eles perderão certamente vantagens ilimitadas e até mesmo perecerão. Mas se eles ouvirem tal ensinamento, eles alegrar-se-ão, acreditarão, e aceitarão sobre as coroas das suas cabeças. Consequentemente para proteger esses futuros nobres filhos e filhas, você tem que espalhar um ensinamento como este!

"Maitreya, há dois gestos dos bodhisattvas. Quais são eles? O primeiro gesto é acreditar em todos os tipos de frases e palavras, e o segundo gesto é penetrar o princípio profundo do Dharma, sem estar amedrontado. Tal são os dois gestos dos bodhisattvas. Maitreya, deve ser conhecido que os bodhisattvas que acreditam em todos os tipos de palavras e frases, e se aplicam adequadamente, são principiantes e não experimentaram a prática religiosa. Mas os bodhisattvas que lêem, ouvem, acreditam, e ensinam este ensinamento profundo, com suas expressões impecáveis, reconciliando dicotomias e as suas análises de fases de desenvolvimento, estes são veteranos na prática religiosa.

"Maitreya, há duas razões pelas quais os bodhisattvas principiantes se lamentam e não se concentram no Dharma profundo. Quais são elas? Ouvindo este ensinamento profundo nunca antes ouvido, ficam amedrontados e duvidosos, não se alegram e rejeitam, pensando, 'de onde vem, este ensinamento, nunca antes ouvido?' Então eles vêem os outros nobres filhos que aceitando, tornam-se recipientes, e ensinam este ensinamento profundo, e eles não lhes prestam atenção, não os ajudam, não os respeitam, não os honram, e eventualmente eles vão tão distantes como para critica-los. Estas são as duas razões pelas quais os bodhisattvas principiantes se ferem e não penetram o Dharma profundo.

"Há duas razões, pelas quais os bodhisattvas que aspiram ao profundo Dharma, se lamentam, não alcançando a tolerância do último não nascimento das coisas. Quais são estes dois? Estes bodhisattvas menosprezam e reprovam os bodhisattvas principiantes, que não tendo praticado por muito tempo, eles não os iniciam ou os instruem no ensinamento profundo. Não tendo nenhum grande respeito por este ensinamento profundo, eles não têm nenhum cuidado sobre suas regras. Eles ajudam os seres vivos por meio de presentes materiais e não os ajudam por meio de presentes do Dharma. Tal, Maitreya, são as duas razões pelas quais os bodhisattvas que aspiram ao profundo Dharma, se lamentam e não atingirão, rapidamente a tolerância do último não nascimento de todas as coisas."

Assim tendo sido ensinado, o bodhisattva Maitreya disse ao Buda, "Senhor, os bonitos ensinamentos do Tathagata são maravilhosos e verdadeiramente excelentes. De ora em diante, Senhor eu evitarei todos esses erros, defenderei e apoiarei este objectivo do inexcedível esclarecimento perfeito, feito pelo Tathagata durante centenas inumeráveis de milhares de milhões de bilhões de eternidades! No futuro, eu colocarei nas mãos dos nobres filhos e nobres filhas, que são os recipientes merecedores do santo Dharma este ensinamento profundo. Eu instilarei neles o poder da memória, com que eles podem, depois de terem acreditado neste ensinamento, o retenham, recitem, penetrem as suas profundidades, o ensinem, o propaguem, o escrevam, e o proclamem extensivamente a outros. "Assim eu os instruirei, Senhor e assim pode ser conhecido, que nesse tempo futuro, os que acreditam neste ensinamento e que entram profundamente nele, será sustentado pela bênção sobrenatural do bodhisattva Maitreya." De seguida o Buda deu a sua aprovação ao bodhisattva Maitreya: "Excelente! Excelente! A tua palavra é bem determinada! O Tathagata alegra-se e recomenda a tua boa promessa." Então todos os bodhisattvas disseram juntos a uma voz, "Senhor, nós também, depois da última liberação do Tathagata, viremos dos nossos vários campos Buda para espalhar, longe e largo, este esclarecimento perfeito do Buda, do Tathagata. Possam todos os nobres filhos e filhas acreditar nisto!"

Então os quatro Marajás, os grandes reis dos quatro pontos cardeais, disseram ao Buda, "Senhor, em todas as cidades, aldeias, vilas, reinos, e palácios, onde quer que este discurso do Dharma seja praticado, apoiado, e correctamente ensinado, nós, os quatro grandes reis, iremos lá com nossos exércitos, nossos jovens guerreiros, e nossos séquitos, ouvir o Dharma. E nós protegeremos os professores deste Dharma para que num raio de uma légua, ninguém que intente dano ou roturas contra esses professores terá qualquer oportunidade para lhes fazer mal."

Então o Buda disse ao venerável Ananda, "Receba então, Ananda, esta manifestação do ensinamento do Dharma. Lembre-se, de o ensinar ampla e correctamente a outros!" Ananda respondeu, "Eu memorizei, Senhor esta manifestação do ensinamento do Dharma. Mas qual é o nome deste ensinamento, e como eu me devo lembrar dele?" O Buda disse, "Ananda, esta manifestação do Dharma é chamada 'O ensinamento de Vimalakirti', ou 'A Reconciliação das Dicotomias', ou até mesmo 'Secção da Libertação Inconcebível.' Lembre-se dele assim!"

Assim falou o Buda.

E o Licchavi Vimalakirti, o príncipe coroado Manjusri, o venerável Ananda, os bodhisattvas, os grandes discípulos, a multidão inteira, e o universo inteiro com seus deuses, homens, asuras e gandharvas, alegraram-se abundantemente.

Todos cordialmente elogiaram estas declarações do Senhor.





FIM